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De onde surgiu a expressão escola de samba?





























Por que os grupos culturais que têm como apoteose os desfiles durante o carnaval recebem o nome de Escola? Devido à estrutura dessas agremiações hoje em dia, muitos devem atribuir ao fato de a maioria desenvolver trabalhos sociais e estarem envolvidas na preservação de sua cultura entre os mais jovens.

Outros, menos engajados, já fazem associação com o local, que nesse caso, além dos desfiles, abrigaria uma espécie de escola de dança, como se para sambar bastasse apenas técnica, e não o dom. Abro um parêntese para dizer que, embora carioca da gema, não tenho nenhuma ginga e não vai ter escola que consiga me dar esse molejo carnavalesco. Ou seja, o samba pode aperfeiçoar, mas, sem vocação, não tem escola que dê jeito.

Pode-se especular também sobre as tentativas de legitimar esses grupos como propulsores da cultura popular brasileira, retirando-os assim da marginalidade, já que no início eram perseguidos pela polícia, presos e tinham seus instrumentos destruídos! Esse processo de legitimação ganhou fôlego anos mais tarde, durante a Ditadura Vargas, quando o samba foi escolhido (dentre os demais gêneros existentes) para ser o ritmo nacional. No entanto, pela lógica da época, as suas manifestações culturais populares precisavam ser “saneadas” pelo governo de modo que pudessem ser ensinadas aos demais brasileiros de todo o país que não faziam parte desse ambiente.

Essas hipóteses não raramente são repetidas até por muitos professores em sala de aula quando questionados pelos alunos. Na verdade somos induzidos ao erro por parecerem lógicas e politicamente adequadas à estrutura que observamos hoje dessas sociedades. Mas vale ressaltar que essas entidades surgiram com formatos, tamanho e atuações bem diferentes das que conhecemos agora. Portanto, essas versões que parecem bem lógicas para os dias de hoje não se encaixavam na conjuntura desses grupos naquela época.

Duas Versões: Você Decide
Como nasceu de uma “arte marginal” e das camadas menos favorecidas da população, existem poucos registros oficiais, e boa parte do que se sabe a respeito da formação desses grupos foi obtido através da História Oral, que, como sabemos, muitas vezes é traída pela distância temporal, memória e emoção. As versões podem ser diferentes, mas em comum o protagonismo da DEIXA FALAR.

Em 1928, o bloco União Faz a Força se reestrutura e surge o DEIXA FALAR. As reuniões ocorriam bem em frente ao Colégio Normal do Largo do Estácio, que depois mudou de endereço e nome para o Instituto de Educação, na Rua Mariz e Barros. Daí a “Escola” foi usada como referência geográfica e aos poucos foi incorporada ao nome do grupo carnavalesco.

Outra versão: o ritmo samba já extrapolava as fronteiras dos morros e áreas carentes e começava a atrair a classe média, ganhando cada vez mais espaço em outros ambientes, como áreas de Boemia, Salões de Dança e o próprio carnaval (antes a Festa de Momo não era restrita a esse ritmo como hoje, o que predominava eram ritmos como o maxixe, marchinhas e gêneros de gafieiras). Depois da primeira gravação de um samba, registrada pela Biblioteca Nacional (“Pelo Telefone”, de autoria de Donga), esse ritmo passou a ser cantado por vários blocos, cordões carnavalescos e grandes sociedades.

Para poder puxar o público para acompanhar o desfile, introduziu-se o surdo como marcação no novato samba, e a melodia passou a ser executada com notas mais longas e os andamentos mais acelerados. Assim, surgia o embrião do que hoje chamamos de samba-enredo, que arrematava as massas para seguir o grupo carnavalesco. A introdução dessas novidades pelos ritmistas e compositores provocou uma verdadeira evolução nos desfiles a partir de então. Assim, os sambistas da DEIXA FALAR passaram a gozar de tanto prestígio entre as demais entidades e a população, que começaram a ser chamados de professores. E qual é o lugar do professor? A escola.

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