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Turno influencia no desempenho?

Uma grande dúvida dos pais na hora da matrícula é com relação ao turno escolhido. Geralmente entram nos fatores de decisão, acessibilidade, trânsito, segurança, questões climáticas, conciliação com horário de trabalho dos responsáveis...enfim. Mas quase nunca o desempenho é incluído nessa discussão. No entanto, um estudo científico da escola de Harvard, nos Estados Unidos, inclui mais este item no processo decisório.

A pesquisa aponta que a produtividade é bem mais alta pela manhã. O documento mostra que a cada hora que passa a fadiga cognitiva vai aumentando e as notas tendem a ser 0,9% mais baixas.


E o que fazer o professor do turno da tarde?

O mesmo estudo aponta uma saída. As provas aplicadas fora do turno da manhã obtiveram melhores resultados quando feitas após meia hora de descanso. Esse crescimento chega a 1,7% no resultado.

Desta forma, o professor pode utilizar esse dado a seu favor. Antes de cada avaliação, ele pode realizar alguma atividade lúdica ou divertida e só depois começar o exame. Ou então, sugerir que a avaliação seja aplicada após o horário do recreio.


E o turno da noite?

Geralmente é o mais prejudicado. Se a fadiga cognitiva aumenta a cada hora do dia, imagine o saldo negativo em uma prova feita por volta das 22h? Isso sem levar em consideração dois outros fatores com grande influência negativa. A hora-aula a noite é de apenas 40 minutos, ou seja, dez a menos do que nos demais turnos.

Além disso, geralmente quem estuda à noite é porque trabalha e já chega cansado da jornada anterior. Isso torna ainda mais necessário o incentivo a uma atividade relaxante com a turma antes de começar a prova.

A autora do estudo, Francesca Gino teve o trabalho publicado na conceituada revista Academy of Sciences. Foram analisados mais de 2 milhões de testes de alunos entre 8 e 15 anos que frequentaram escolas públicas da Dinamarca. É claro que a realidade é bem diferente da nossa brasileira. Mas isso não inviabiliza a aplicabilidade do estudo no nosso dia a dia. Pelo contrário, essas características devem ser ainda mais acentuadas por aqui.

Os que dão aulas de manhã muito cedo, sabe que, na prática, embora o aluno esteja descansado, não significa que esteja desperto. Dois fatores chocam de frente com o estudo dinamarquês. Primeiro, se o estudante é adolescente, o desenvolvimento de hormônios modifica seu horário de sono. Fora isso, as tentações juvenis dos games, TV e baladas nem sempre deixam que ele possa descansar o necessário. Portanto, para poder aproveitar esse potencial natural do turno da manhã mostrado na pesquisa é fundamental a colaboração dos pais com um maior controle e, sobretudo, a conscientização dos próprios alunos.

Quem trabalha a tarde também sofre na pele, neste caso mais os efeitos climáticos. Mesmo com salas refrigeradas, quase nunca dão vazão ao forte calor carioca o que parece fazer derreter a atenção dos estudantes. A sensação de sonolência, após o almoço, parece inevitável não só para o aluno como também para o professor.

Já à noite, enfrentamos nas grandes cidades brasileiras outros problemas: a mobilidade e a violência. Esses dois fatores conjugados estão, na prática, diminuindo ainda mais a duração útil do turno escolar.

Grandes engarrafamentos e meios de transporte superlotados fazem com que, além de boa parte da turma chegue atrasada, ainda comece a aula já exaustos. Fora que o medo da violência e a diminuição dos transportes públicos no avanço da noite fazem com que parte da turma acabe saindo mais cedo e não acompanhando até o final.

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