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Colégios criam aulões e acabam com as disciplinas






















Escolas acabam com o ensino dividido por matérias. Como agora não vai mais ter matemática, português, química? Na verdade, estamos falando de uma evolução da interdisciplinaridade que já discutimos aqui no Brasil há muito tempo, ou seja, a relação entre as disciplinas. Por esse conceito, um tema não fica delimitado ao ensino das matérias, mas interage com visões complementares ou mesmo divergentes sob o ponto de vista de outras ciências.

Só que agora a experiência fica ainda mais radical. Falamos da transdisciplinaridade, ou seja, o fim da divisão tradicional do conteúdo. Não é à toa que o pioneirismo vem da Finlândia, considerada a melhor educação do mundo.

O tema gerou tanta polêmica, que rapidamente as autoridades educacionais daquele país emitiram uma nota contestando o tradicional jornal “The Independente”, corrigindo alguns pontos, entre eles o de que essa reforma educacional abrangeria de imediato todos os colégios e ocorreria em todas as séries.

Porém, essa queda do muro divisório dos conteúdos já é uma realidade em escolas da capital Helsinki, experiência que, agora, vai sendo expandida de forma mais gradativa. Aos poucos as Matérias vão sendo substituídas por Fenômenos que envolvem conceitos múltiplos na mesma aula.

Trazendo o exemplo aqui para o Brasil, é como se a Educação Física não ficasse restrita às práticas esportivas. Durante as aulas seriam passados conceitos de Meio Ambiente (sobre os lugares de prática), Biologia (o bem-estar causado), Anatomia (as mudanças musculares no atleta), Física (com fórmulas de cálculo de tempo de deslocamento), Matemática (a conta dos passos baseadas em medidas da quadra), História (sobre o início dessa prática), Geografia (a respeito dos fenômenos geográficos da área em que se encontra o campo ou a quadra), e por aí vai…

Viram, não é tão complicado assim. Aqui no Brasil já existem experiências isoladas nesse sentido por escolas que buscam um modelo alternativo. No entanto, esbarram na legislação e, na hora do lançamento de notas, têm que recorrer à tradicional divisão por matérias.

Na verdade o bicho de sete cabeças é a mudança de paradigma. Quem daria essa aula? O professor de educação física, de ciências, de física, de história, de geografia, de matemática, de ecologia ou outro?

E se for um só? Quem se sentiria confortável em abordar todos esses assuntos tão diversos? Entram como complicador ainda as questões trabalhistas com mudanças de leis, legislação e negociações sindicais. Certamente esbarrariam em especulações sobre o aumento da carga de trabalho, falta de qualificação e se as medidas não estariam sendo tomadas com a intenção de demitir professores.

Essas dúvidas que vêm imediatamente à nossa cabeça também foram questionadas pelos colegas finlandeses. Afinal, nós professores, independente da nacionalidade, passamos as nossas vidas nos especializando para ensinarmos matérias específicas e agora nos dizem o contrário?

Lá foi resolvido com treinamentos para essa nova abordagem acompanhados de incentivos financeiros a quem aderisse. Conclusão: cerca de 70% dos professores da capital já ensinam sob essa nova ótica. Mas nem temos como comparar o peso da educação nas políticas públicas da Finlândia com o dado que temos no Brasil.

A verdade é que, embora aquele seja um país progressista no campo do ensino, diga-se de passagem com invejáveis resultados, o que move mesmo a mudança no conceito estabelecido é a concorrência que a escola tradicional sofre da internet e das mídias sociais, espaços altamente transdisciplinares, que não respeitam nenhum tipo de fronteira ou limitação de tempo ou espaço.

Fatores estes que forçam os colégios a terem que encontrar novas formas que alterem os rumos dos já enraizados modelos, sob pena, se não se moverem neste sentido, de aumentar ainda mais o abismo entre o aprendizado oficial e o informal. Por sinal, essa é uma das razões apontadas por estudiosos para aspectos como o agravamento das evasões, a queda no desempenho e a falta de interesse que os alunos atuais demonstram.


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