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Do tempo em que Vagalume era escrito com hífen


























Quem nunca leu O escaravelho do Diabo”, “A Ilha Perdida”, “O Mistério do Cinco Estrelas”, “A Serra dos Dois Irmãos”, “A Turma da Rua XV”, “O Caso da Borboleta Atíria”, “Tonico”, “Xisto”, “A Chave do Corsário”, “A maldição do Tesouro do Faraó”, “Deu a Louca no Tempo...?

Se você já era professor nos anos 70 e 80 certamente indicou aos seus alunos e, se você estudou até os anos 90, com certeza teve alguns deles incluídos no conteúdo didático de português ou literatura. Em comum entre esses best-sellers é que todos fazem parte da série Vagalume, surgida em 1972 com o propósito de criar opções com autores, textos e histórias contemporâneos. A missão era fazer com que a garotada se interessasse pela literatura nacional, que na ocasião apresentava grande rejeição por conta dos textos antigos e nada coloquiais de Machado de Assis e José de Alencar que, por falta de opção, eram erroneamente indicados para estudantes das séries iniciais.

No começo foram oferecidos apenas quatro títulos: “Cabra das rocas”, de Homero Homem; “Coração de onça”, de Ofélia e Narbal Fontes; “A ilha perdida” e "Éramos Seis", ambos de Maria José Dupré, que se transformou numa das autoras mais lidas no país. “A Ilha...” já está na 41ª edição, sendo o líder absoluto de vendas da Editora Ática com mais de 3,5 milhões de cópias vendidas nos últimos 44 anos.

A aceitação foi tanta que a estante Vagalume foi lançando outros títulos chegando a mais de 90, de 41 autores, sendo 53 obras ainda em catálogo, o que já rendeu até hoje mais de 8 milhões de exemplares. De uns anos para cá, esses títulos começaram a ser redescobertos. A procura por eles aumentou nos sebos e sites de venda de livros usados, a ponto de a Ática relançar a série.


Escaravelho sai das páginas para a telona

Outro fator que promete jogar ainda mais os holofotes novamente para essas obras é o lançamento do filme “O Escaravelho do Diabo”, dirigido por Carlo Milani. O livro de Lúcia Machado de Almeida veio na primeira fornada e encontra-se na 28ª edição, o que certamente deve aumentar se seguir a tradição brasileira de aumentarem consideravelmente as vendas de uma obra depois que ela é adaptada para outra mídia. Trata-se do primeiro filme baseado nesta coleção infanto-juvenil, que chega aos cinemas após 44 anos de lançamento. Na tela, o serial killer será protagonizado por Marcos Caruso, Jonas Bloch, entre outros.




Na verdade trata-se de uma compilação e adaptação para os anos 70 dos contos seriados publicados semanalmente na Revista O Cruzeiro em 1953. No enredo, a pequena cidade de Vale das Flores é marcada por um crime surpreendente: um jovem é encontrado morto e antes do crime havia recebido uma estranha caixa com um escaravelho dentro. Logo outras vítimas são mortas, após receberem uma caixa semelhante e com outro detalhe em particular: todas são ruivas.


Outros Vagalumes que vão virar Filmes

A produtora RT Features adquiriu também os direitos de três outras obras da coleção. Todas as demais têm em comum o mesmo autor, Marcos Rey: “O mistério do cinco estrelas” (1981), “O rapto do garoto de ouro” (1982) e "Um cadáver ouve rádio" (1983). No entanto, ainda não foi divulgado o cronograma de filmagem nem o lançamento dessas películas.

Um dos títulos mais vendidos da coleção, "O mistério do cinco estrelas", é uma trama se passa em um hotel luxuoso em São Paulo e já está na média de venda de 3 milhões de exemplares. Já as investigações lideradas pelo personagem em “O rapto do garoto de ouro” e "Um cadáver ouve rádio" também tiveram os direitos comprados pelo produtor Rodrigo Teixeira, que traz no currículo o brasileiro “Alemão” e as coproduções estrangeiras “A Bruxa” (em cartaz) e “Indignação” (adaptação do livro de Philip Roth a ser lançado ainda este ano).

“O mistério do cinco estrelas” marcou a estreia como autor infantojuvenil de Marcos Rey (1925-1999), sob pseudônimo de Edmundo Donato, pois não queria, com a experiência que já tinha, comprometer a já consagrada carreira no gênero adulto, condição obtida com obras como “O enterro da cafetina” (1967) e “Memórias de um gigolô” (1968), e na dramaturgia, incluindo novelas e a versão dos anos 80 do “Sítio do Pica Pau Amarelo” baseado no original de Monteiro Lobato. Porém, o sucesso foi tanto que publicou mais 14 títulos pela Vagalume, quase sempre inspirado em thrillers e policiais americanos, gêneros que faziam sucesso nos seriados importados pelas TVs brasileiras.


Transformados em Novela

A autora campeã da série, Maria José Dupré, também projetou outro grande sucesso da Vagalume para outra mídia. “Éramos Seis” foi adaptado duas vezes para a televisão: a primeira em 1977 pela TV Tupi, por Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, e em 1994 pelo SBT, reescrita pelo próprio Ewald.

Outro que foi parar na telinha foi “O feijão e o sonho”, de Orígenes Lessa, adaptado por Benedito Ruy Barbosa para a Rede Globo em 1976 e exibida no horário das 18 horas, que era dedicado exclusivamente para adaptações de obras literárias.


Fórmula do Sucesso

A fórmula do sucesso era formada por um tripé: aventura, texto contemporâneo e baixo custo. A editora Ática tinha um compromisso interno de produção: eles não podiam ser vendidos nas livrarias a um preço superior ao da Revista Veja, fato que os divulgadores usavam para convencer os professores a adotarem como material didático. Outro ponto importante para a aceitação em sala de aula eram os encartes chamados Suplementos de Trabalho, que traziam atividades didáticas ligadas ao livro.

Além disso, o que ajudou a alavancar a coleção foi a Reforma Educacional de 1971. Foram extintos os antigos primário e ginásio, sendo criado o primeiro grau com 8 anos, necessitando assim de uma total reformulação de conteúdo e grade curricular, onde a modernidade das obras da Vagalume caíram como uma luva.


Ranking

Entre os mais vendidos nesses mais de 40 anos de criação do selo estão:

1º "A ilha perdida", de Maria José Dupré
2º "O escaravelho do diabo", de Lúcia Machado de Almeida
3º "Açúcar amargo", de Luiz Puntel
4º "Meninos sem pátria", de Luiz Puntel
5º "O grito do hip hop", de Luiz Puntel e Fátima Chaguri
6º "A turma da rua quinze", de Marçal Aquino
7º "O caso da borboleta Atíria", de Lúcia Machado de Almeida
8º "Deu a louca no tempo", de Marcelo Duarte
9º "Os barcos de papel", de José Maviel Monteiro
10º "Menino de asas", de Homero Homem


Repaginação

Desde o último lançamento,“O mestre dos games”, de Afonso Machado, há sete anos, a série mantém-se sem novos lançamentos e pretende continuar assim, por enquanto. Mas isso não significa que estão esquecidos empoeirados numa estante. No ano passado foram relançados 10 títulos do catálogo, com novo projeto gráfico e a inovação tecnológica na capa, que brilha no escuro. Além dos já citados Escaravelho, “O feijão e o sonho” e “A ilha perdida”, “Tonico”, “A turma da rua XV” também voltam às prateleiras remodelados:

SPHARIAON – de Lúcia Machado de Almeida
A ALDEIA SAGRADA – de Francisco Martins
AÇÚCAR AMARGO – de Luiz Punte
OS BARCOS DE PAPEL – de José Maviel Monteiros
DEU A LOUCA NO TEMPO – de Marcelo Duarte
A TURMA DA RUA QUINZE – de Marçal Aquino

Mas não para por aí. O próximo passo da Editora Ática é relançar a coleção em formato digital.


Criação de Novos Leitores

A série infantojuvenil rendeu frutos: a Vagalume Júnior, criada na década de 1990, já possui 20 volumes: O menino que adivinhava, Marcos Rey (2000), Alice no país da mentira”, de Pedro Bandeira (2005), Papai Noel de Aluguel, de Regina Chamlian e Helena Alexandrino (2004), Pacto de Sangue, de Fanny Abramovich (2000).



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