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Revolução no ensino das Artes


























Além de inclusão de novas culturas na grade obrigatória, sofre profunda alteração no conteúdo e na nomenclatura. Com tantas novidades várias indagações surgem entre os profissionais de ensino. Como ficam os já titulares desta disciplina? Boa parte formada em Artes plásticas como desenvolveriam habilidades nas outras vertentes artísticas? Qual o perfil desse novo professor? Vão ter cursos de realinhamento? Quem vai pagar por eles? Quem não se adaptar perde o emprego ou ganham estabilidade os que já lecionam esta matéria? E quem vai avaliar? E com relação a graduação? O que isso pode refletir na formação desses profissionais pelas faculdades?

A nova lei não entra em detalhes sobre esse processo de transição. Só define o prazo: 5 anos. No meio de várias indefinições, um fato é certo: Professores vão ter que se submeter a programas de requalificação já que a mudança não é só no título, que passa a ser “artes visuais” em substituição ao tradicional “artes plásticas”. Justamente essa alteração no nome de batismo da disciplina foi a alternativa para que o conteúdo possa ser ampliado de forma a abrigar outras manifestações, como artes visuais, dança, música e teatro. As regras valem tanto para as instituições públicas quanto particulares.


Requalificação dos professores

Nesse prazo estabelecido muito trabalho terá que ser feito. Isso porque, com a ampliação das habilidades exigidas para ministrar a disciplina, será necessário um programa amplo de requalificação dos professores que já trabalham com o currículo antigo e estabelecer critérios e exigências para futuros docentes dentro dos novos parâmetros. Além disso, a lei não define quem ficará responsável pela validação dos futuros professores. É certo, por experiências semelhantes em outras disciplinas, que caberá as secretarias estaduais e municipais oferecerem programas de realinhamento para seus profissionais. Porém é uma incógnita como será feita a adaptação dos professores da rede particular.


Discussão sobre Mudança do Conteúdo

Será ainda preciso criar uma comissão representativa formada por profissionais desses campos das artes para que seja realizado o redesenho desses fenômenos artísticos distintos dentro de um conteúdo único. O grande desafio é incluir um peso igual para as novas habilidades inseridas, sem negligenciar a tradicional artes plásticas. Algumas polêmicas já surgiram, como a queixa de representantes da indústria cultural cinematográfica pela não inclusão do conteúdo dessa atividade na reforma.

Outra complexidade na implantação da medida é que a nova lei estabelece que o ensino seja incluído como disciplina nas grades dos ensinos infantil, fundamental e médio. Isso vai exigir a presença de profissionais dessas três esferas nas discussões e que haja uma afinidade entre eles para que o aprendizado siga uma continuidade progressiva.

Aproveitando que vamos colocar “a mão na massa”, não podemos esquecer que a legislação já prevê a inclusão de expressões regionais no conteúdo de Artes, como forma de valorizar as culturas locais. Determinação legal que nem sempre é bem aplicada em várias localidades, onde o currículo assume uma expressividade nacional em detrimento do âmbito geográfico.


Entenda a origem da Lei

A Lei 13.278/2016, que teve origem em um substitutivo da Câmara dos Deputados a um projeto de lei do Senado, foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff. A discriminação das linguagens teatral e da dança foi uma proposta do deputado Raul Henry (PMDB-PE), modificando o texto original da lei de autoria do senador Roberto Saturnino (PT-RJ), que inicialmente mencionava apenas artes cênicas. Na ocasião, Henry disse que optou por explicitar na lei as linguagens em que há cursos de formação em licenciatura nas universidades brasileiras.

Essa era uma demanda das faculdades de dança, teatro e artes visuais – artes plásticas, fotografia e cinema –, entre outras — justificou o deputado.

Para que essas modificações pudessem ser incluída os parlamentares tiveram que alterar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Segundo o relator da matéria na Comissão de Educação, Cristovam Buarque (PPS-DF), a essência da proposta foi mantida no substitutivo da Câmara.

— Esse é um projeto que só traz vantagens, ao incluir o ensino da arte nos currículos das escolas. Sem isso, não vamos conseguir criar uma consciência, nem ensinar os nossos jovens a deslumbrar-se com as belezas do mundo, o que é tão importante como fazê-los entender, pela ciência, a realidade do mundo — observou Cristovam, na discussão da matéria em Plenário.



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