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A verdade sobre a "Loura do Banheiro"


Sem dúvida nenhuma: é a lenda urbana mais forte no Brasil, que de tempos em tempos ressurge como uma fênix, com uma nova roupagem, mas a essência continua a mesma. A “Mulher Loura”, como é conhecida no Rio, uma redundância em gênero que deixa os professores de português de cabelo em pé. Porém, na verdade ela assusta mesmo é gerações de estudantes. Certamente muitos professores que hoje tentam, em vão, acalmar seus alunos e desmistificar já foram aterrorizados por ela, um dia, quando frequentavam as carteiras escolares. A histeria coletiva chegou ao ponto de casos de escolas que suspenderam as aulas até que os alunos se acalmassem.


Evitar o banheiro a todo custo
Para os professores um trabalho a mais. Muitos não iam ao banheiro sem que a professora fosse junto. Outros formavam grupos para seguirem coletivamente. Não era raro alguns prenderem suas necessidades esperando voltar para casa. Isso, quando não acontecia o pior, ao não resistirem a todo esse tempo de abstinência. Nunca vou me esquecer do meu contato com a “Loura do Banheiro”. Na verdade, nunca tive essa miragem, mas sua lenda me resultou num trauma escolar bem real. Me lembro que, quando tinha uns 7 anos, acabei entrando para a lista dos que não aguentaram esperar a volta para a casa. Sofri bullying por um bom tempo por isso, numa época em que essa expressão ainda nem existia.


Versão atual ganha comunidades no Facebook
Em algumas das fases da lenda, a Mulher aparecia com algodão no nariz hipnotizando a criança para que ela o tirasse. Numa versão mais imaginativa ela não se materializava, mas sua imagem era refletida no espelho, um fenômeno inverso do vampiro, outro personagem sobrenatural. Com o aumento da violência, ela já surgiu até como sequestradora de crianças. Hoje, nada mais natural que evoluísse para as mídias digitais, sendo algumas das comunidades criadas: “Quem nunca teve medo da loira do banheiro?” e “Eu amo a loirado Banheiro”.


Nas páginas de jornais
Porém o fato tem tamanha relevância que já resultou em muitas reportagens de jornais. O jornal paulista foi um dos que mais explorou a lenda para alavancar suas vendas. Suas aparições foram cobertas em série, como capítulos de novela.


Do espelho para a telona
A história já serviu de roteiro para duas produções cinematográficas. No suspense “Catarina - A Lenda da Loira do Banheiro”, uma estudante tenta vencer um trauma ao fazer um documentário sobre a história de Maria Augusta. Dirigido por Marcos Otero, demandou uma pesquisa de três anos. A receptividade foi tanta que o produtor pensa em estender para uma trilogia.

Já uma produtora independente de Guaratinguetá também está rodando um filme sobre a mesma temática. A proposta inicial era apenas usar o fantasma da “loira do banheiro” como coadjuvante de um filme. Mas com a grande repercussão, ela rapidamente ganhou o papel de protagonista.



Loura do Banheiro em carne e osso
Vários historiadores e paranormais fizeram estudos sobre o caso e a versão que surge como mais coerente é a que relaciona a Loura do Banheiro a uma personagem de carne e osso, a socialite Maria Augusta de Oliveira, que nasceu em 1866. Filha de um empresário da nobreza foi prometida num casamento arranjado pelo pai a um milionário 21 anos mais velho.


Com apenas 14 anos de idade, acobertada pela mãe, foge para Paris, onde misteriosamente morre. Diz a lenda que, no momento em que perde a vida, um espelho quebra-se na casa da família em Guaratinguetá. Uma empregada da mansão colocou ainda mais lenha na fogueira afirmando que viu a imagem da jovem refletida antes que o objeto espatifasse sozinho, daí muitas versões da aparição estarem ligadas ao reflexo espelhado.

O corpo foi transladado para o Brasil, daí a justificativa para o algodão no nariz e a boca branca, elementos presentes em várias versões dos relatos fantasmagóricos.

Fatos inusitados envolvendo o corpo
No navio, o caixão de Maria Augusta foi violado. Ladrões queriam as joias, que estavam junto ao corpo. O enterro demorou meses até que a família construísse uma capela no quintal da residência, ficando o corpo guardado no próprio quarto que pertenceu à jovem. Para aumentar ainda mais o mistério, seu atestado de óbito desapareceu misteriosamente do Cemitério de Guaratinguetá, levando consigo a real causa da morte. Mas isso não impede que o mausoléu onde corpo está enterrado seja o mais visitado daquela cidade.

Casa vira colégio



Em 1902 a mansão onde residiu a família tornou-se a Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves. Logo de início já eram atribuídos a ela barulhos e objetos que se moviam sozinhos como a torneira do banheiro. Menos de 15 anos depois o casarão pegou fogo de forma estranha, mas não foi capaz de sepultar o fantasma. Mesmo depois do prédio ser reconstruído, a lenda seguiu viva.


Como está o colégio hoje
No estabelecimento abrigado na antiga mansão, a história é tão forte que ficou marcada como um capítulo à parte na publicação comemorativa pelos 90 anos da instituição de ensino em que traz, inclusive, uma carta escrita pelo historiador Carlos Eugênio Marcondes de Moura, parente distante de Maria Augusta, contando sobre a vida e os fatos sobrenaturais em torno da moça. Embora tenha sido publicado em 1992 é uma das obras mais consultadas por alunos, professores e historiadores na biblioteca do colégio paulista até hoje.

Comentários

  1. Em velórios quando via o algodão no nariz do defunto, lembrava sempre do medo de ir ao banheiro.

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