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Desempenho escolar focado nas competências e habilidades





























Vasco Moretto é mestre em Didática das Ciências pela Universidade de Laval, Québec, Canadá. Também é um estudioso que se debruçou sobre o tema da “competência na escola”. Com entusiasmo ele abre a sua palestra no Congresso Internacional de Educação, no Rio Grande do Sul, que traz por título: “Desempenho escolar focado nas competências e habilidades”. Inicia enfatizando que o objetivo maior dessa conversa é clarear o conceito de competência e também mostrar como aplicar tais conceitos no dia a dia da sala de aula.

Moretto chama a atenção para os modismos e paradigmas próprios da educação. Salienta que de repente está em foco o Construtivismo, com Piaget, e todos se denominam construtivistas e sem entender bem o que é essa filosofia. A conclusão é que acabam por não dar o devido valor e até a achar que não há resultados nesse método.

O tempo passa e entra em moda o sociointeracionismo, com Vygostsky. Novamente os conceitos e práticas acabam se distanciando da realidade, e assim vai caminhando a educação, até que o MEC institui que, doravante, o trabalho será realizado dentro do enfoque de habilidade e competência. Mais um paradigma, mais um modelo? Essa é a especialidade de Moretto, conteúdo que ele domina e estuda, tendo sempre muitas contribuições a fazer a cerca do tema.

Logo na arrancada o palestrante pergunta: nascemos com habilidade ou nascemos com competência? Ou não nascemos com nenhuma delas? Depois de ouvir as hipóteses e opiniões de uma gigante plateia de professores, ele responde que não nascemos nem com uma, nem com a outra, mas com a possibilidade ilimitada de desenvolvimento. Ele afirma que: “Competência não se alcança, se desenvolve”. Consequente não se deve listar competências, mas buscar desenvolvê-las. Segundo ele, isso constitui um dos erros conceituais sobre o tema, daqueles que acabam afastando professores de pensar e aplicar o conceito de desenvolvimento de competências no dia a dia com alunos.

Ele próprio pergunta: então, se não devemos listar competência, o que é que devemos listar? E responde, na sequência: “A gente lista as situações complexas para as quais queremos que o sujeito desenvolva competência. É isso que eu listo e não a competência”.

E para começar a elucidar a questão conceitual ele explica que competência significa “a capacidade de um sujeito de mobilizar recursos visando abordar e resolver situação complexa”. E, depois de lançar esse conceito, Moretto chama a atenção dos educadores para que não confundam competência e desempenho, elucidando que desempenho é “indicador de competência, não garantia de competência”. Ele também reforça que “desempenho fraco não é, necessariamente, sinônimo de falta de competência”.

E, para ilustrar a sua afirmação, ele cita o professor que avalia única e exclusivamente com prova escrita e tem diante de si o aluno que apresenta características próprias que fazem dele um orador espetacular (extrovertido, fala bem), mas que não demonstra bom desempenho na escrita. Esse estudante, ao ser avaliado apenas pela escrita, estará “morto”, sem chances. Por isso, ele destaca a importância de que se ofertem formas variadas de estratégias para ensinar e avaliar, de modo que os alunos tenham chance de mostrar o seu desempenho.

Para finalizar a primeira parte deste texto, vou me valer de uma atividade prática que diferencia “desempenho” de “competência”, apresentada por Vasco Moretto, em uma outra palestra sua. Ele deu algumas alternativas (mas eu separei apenas duas) e pediu que cada um respondesse com um V para VERDADEIRO ou F para FALSO, ou, ainda, com um PS para Pode Ser (no caso de caberem as duas ideias):

1. ( ) M. Schumacher é competente para pilotar carros de Fórmula I.
2. ( ) Rubinho Barrichello é competente para pilotar carro de Fórmula I.
3. ( ) O Schumacher tem mostrado melhor desempenho que o Rubinho para pilotar carros de Fórmula I.

Observem que tanto Schumacher quanto Rubinho são competentes para pilotar carros de Fórmula I, porém o desempenho de Schumacher tem sido maior do que o de Rubinho, logo temos como gabarito 1 (V), 2 (V) e 3 (V). Compreendeu? Existem diferentes níveis de desempenho para uma mesma competência. Por isso, quando o assunto é desenvolvimento, o céu é o limite!

Na próxima terça-feira teremos mais sobre “competência” e “desempenho”, com base nas ideias do sábio e estudioso Vasco Moretto. Até lá!

Comentários

  1. Artigo objetivo em linguagem de fácil entendimento.

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  2. Artigo objetivo em linguagem de fácil entendimento.

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  3. Muito bacana Andréa! Espero que cada vez mais se adote na educação esses métodos que são tão atuais.

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