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Apesar da excelente performance, é bem menor o espaço para patrocínios na paralimpíada


Embora seja injusto e tecnicamente impossível traçar qualquer quadro comparativo, é cada vez mais comum nos depararmos nas redes sociais com questionamentos entre as performances dos atletas e dos paratletas brasileiros. Parece que os internautas descobriram muito mais rápido do que autoridades, mídias e empresas o valor afetivo para este evento, formando uma espécie de corrente virtual em campanha pelos jogos. É que, embora o Brasil tenha tido boa atuação na Rio 2016, é no esporte paralímpico que já somos considerados uma potência esportiva. Daí essa paridade entre as duas modalidades. Porém, embora com excelentes resultados, os investimentos não acompanham este crescimento. Preconceito ou desconhecimento?

Mesmo com o histórico de bom desempenho e com a expectativa da realização dos Jogos em casa, o esporte paralímpico brasileiro ainda tem seu potencial explorado de forma tímida. Enquanto a Olimpíada já ganha os holofotes da mídia meses antes do evento acontecer, o paradesporto acaba se restringindo a nichos de interesse e, na maioria dos casos, aparece para o grande público apenas de quatro em quatro anos.

A própria Lei Agnelo/Piva, sancionada em 16 de julho de 2001, que prevê a destinação de 2% da arrecadação bruta das loterias federais para o incentivo ao esporte nacional, também repete essas disparidades. Do total arrecadado, 85% são destinados para o Comitê Olímpico Brasileiro e os 15% restantes para o Comitê Paralímpico.

Apesar de ter saltado 30 posições no ranking de medalhas desde 1992 e ter multiplicado por dez o número de atletas no ponto mais alto do pódio, o esporte paralímpico brasileiro ainda tem dificuldades de obter apoio na iniciativa privada. Boa parte vem de esferas do governo, estatais e Ongs. Dos 30 principais patrocinadores da Olimpíada, sete não assinaram contrato para as Paralimpíadas, mesmo as cotas sendo bem mais baratas.


Emocionante Cerimônia de Abertura provoca correria por ingressos

Também havia uma grande disparidade em relação à movimentação em torno da venda de ingressos, embora também sejam mais em conta. As paralimpíadas confirmaram um hábito bem brasileiro: deixar tudo para a última hora. O quadro era desanimador há 15 dias do evento, quando somente 12% dos ingressos tinha sido adquirido pelo público. Porém, através da mobilização popular pelas mídias sociais, esse quadro começou a reverter-se. Uma semana antes, as vendas deslancharam para cerca da metade das entradas já comercializadas. Depois da repercussão da Cerimônia de Abertura, houve uma explosão na procura. Desta forma, abriu uma perspectiva positiva para o evento, que resultou até mesmo na procura por patrocinadores de última hora.


Patrocínios e Apoios

Ao contrário das Olimpíadas, os patrocínios também foram fechados no apagar das luzes. Entraram em campo com o jogo quase começando a Petrobras e as Loterias Caixa. Esse apoio faz parte de um socorro emergencial capitaneado pelo Governo Federal, que inclui cinco estatais, entre elas o BNDES, que já estava desde o início. Assim fica garantido um aporte total de R$ 100 milhões ao Comitê para a realização dos Jogos.

Somente com a estatal de petróleo, a contribuição é de R$ 10,5 milhões. No entanto, a participação dela é emblemática, já que, apesar de grande incentivadora do esporte nacional, estranhamente não participou das Olimpíadas. Porém, a petrolífera já apoiava individualmente os paratletas Isaquias Queiroz (canoísta), Rafaela Silva (judoca) e Robson Conceição (boxeador).


Além dos recursos do governo federal, a Prefeitura do Rio também aportou R$ 150 milhões extras, depois que os organizadores sofreram um buraco no orçamento devido a gastos acima do esperado. A Ambev, que ficaria de fora das paralimpíadas, também resolveu, às vésperas, garantir a continuidade da campanha de sua marca Skol, iniciada nas Olimpíadas.

Para evitar essa incerteza que atrapalha o planejamento e otimização dos custos, para os jogos de Tóquio 2020 as cotas serão vendidas de forma casada. Quem patrocinar as olimpíadas terá de obrigatoriamente garantir a participação nos jogos paralímpicos.


Transmissão pela TV:


O sucesso da Cerimônia de abertura resultou numa avalanche de críticas pelas mídias sociais sobre a ausência de transmissão pelas grandes emissoras de televisão. Nenhuma das TVs abertas que compraram os direitos para a Rio 2016 repetiram modelo semelhante de acompanhamento das paralimpíadas. Pressionadas pelo apelo popular que o evento vem ganhando, as três emissoras (Globo, Record e Band) justificam que acompanharão o evento através de flashes durante a programação normal e farão cobertura em seus telejornais. Porém, essa forma de acompanhamento não agradou a grande parte da população e a “falta” de cobertura continuou como um dos principais assuntos das mídias sociais. Tanto que essa pressão fez com que a Globo alterasse de última hora sua grade para exibir, um compacto da Cerimônia de Abertura no início da madrugada.

Mas o espaço reduzido nas televisões comerciais não impede que, pela primeira vez, o evento seja mostrado, na íntegra, por uma rede aberta. Isso graças à TV Brasil, do Governo Federal, que vai retransmitir, para todo o país, através das emissoras públicas e educativas estaduais. Com o slogan “O canal dos Jogos Paralímpicos”, pretende mostrar as principais competições. Já entre as pagas, o SportTV, pertencente às Organizações Globo, também promete o acompanhamento a seus assinantes.


Cobertura Externa

O tratamento também não é diferente no cenário internacional. As estrangeiras também não dão acompanhamento semelhante, embora, assim como aqui, o espaço para as paralimpíadas esteja aumentando em decorrência da exigência do público cada vez mais consciente quanto ao movimento. Um dos destaques é a britânica Channel 4, que anuncia 500 horas de transmissão dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

A situação é bem diferente do mundial de Atenas-2004, quando o próprio Comitê Paralímpico teve que comprar os direitos para repassar com gratuidade aos veículos que quisessem acompanhar. A iniciativa, repetida em 2008, trouxe mais exposição e ajudou a popularizar tanto o esporte, quanto os atletas paralímpicos.

Na comparação horas/eventos em 2004, a transmissão na televisão aberta mundial somou 684 horas. Já em Londres pulou para 2.684 horas. Isso representou um crescimento de 335%. Agora, a expectativa é de que ultrapassemos essa meta de televisionamento.

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