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Proposições para uma Educação Inovadora em 2017


A educação precisa desesperadamente se reinventar, abrir espaços para as inovações, pois, de todas as áreas, foi a que menos se transformou nos últimos séculos.

Para ilustrar o quanto a escola e a educação carecem de mudanças, fui perguntar à minha mãe, professora primária da escola de 1954, como era o ensino da época. A resposta foi rápida: uma média de 35 a 40 estudantes por turma, carteiras e alunos enfileirados, muito conteúdo no quadro, cópia, aulas expositivas, decoreba, conteúdos a vencer, todos aprendiam ao mesmo tempo a mesma coisa, perguntas só eram admitidas no fim da exposição feita pelo professor, a avaliação recebia um tratamento de média, o tempo de aula era bem definido e os alunos – em média – aprendiam... e por aí foi.

Para o século XX, nos tempos em que minha mãe “lecionou”, momento em que o Fordismo teve seu ápice (produção e fabricação em massa), essa forma de conduzir a educação, as metodologias e até mesmo a forma de avaliação funcionou muito bem, obrigada. Foi um sucesso! E por que funcionou tão bem? Porque o século XX foi um período tido como relativamente “simples” se comparado à complexidade deste em que vivemos.

Agora, em pleno século XXI, marcado por uma revolução assentada em tecnologias digitais e transformações científicas, há necessidade de uma quebra de praticamente todos os modelos tão bem-sucedidos que vigoraram no século anterior. E o que fazer diante desse quadro? Que modelo de educação cabe a esse novo contexto?

Para que a questão seja compreendida, vou contar-lhes um exemplo dado pelo professor e pós-doutor em Física pela Universidade de Utah, Estados Unidos, Ronaldo Mota. Citando o case “Indústria de fármacos (de medicamentos)”, ele expõe com clareza a mudança necessária e diz que qualquer um, quando tem uma dor de cabeça, busca remédios de sua escolha, alguns Novalgina, outros Tylenol... Chegamos ao balcão da farmácia, pedimos o paliativo de preferência e ninguém pergunta o nosso peso, circunstância, altura, idade. O remédio é ministrado assim, sem critérios, porque, em média, funciona para todo mundo, resolve. E o mais curioso é que, ao produzir aquela substância, a indústria de fármacos partiu do pressuposto de que o consumidor tem 32 anos, 78 quilos, 1,74 metro e é do sexo masculino. Qualquer divergência quanto a essa referência (peso, idade, circunstância, altura) é entendida como se o consumidor tivesse tomado princípio ativo demais, ou de menos. Como isso não é tão “grave”, a pessoa continua com a dor de cabeça ou se intoxica um pouco mais, sem com isso causar um drama significativo.

Por outro lado, sabemos hoje que, se um cardiopata é bem atendido em uma clínica adequada, ele vai ser orientado a fazer uma bateria de exames, incluindo genéticos, que lhe permitirão ser medicado de forma criteriosa e mais individualizada, com medicamentos específicos para sua disfunção biológica, idade e circunstâncias. É a chamada farmacogenética, que considera que determinados indivíduos podem reagir diferentemente ao mesmo tipo de remédio, dependendo da etnia ou outras variações genéticas. Isso é o século XXI, isso é uma nova revolução. A área de saúde e muitas outras estão cada vez mais personalizadas.

E, quanto à educação, como estamos trabalhando em pleno século XXI? Continuamos trilhando o mesmo caminho de 1954, priorizando a produção em massa, “oferecendo a todos o mesmo remédio”? A impressão que temos é a de que a escola parou no tempo, alheia à revolução científica e tecnológica. E o aluno parece estar sendo “catequizado” para um mundo retrógrado que está longe dos benefícios do século XXI.

Para sair deste lugar que hoje ocupamos, apresento algumas proposições gerais que podem ajudar a refletir e atuar de forma inovadora e contemporânea em educação.

Para facilitar a leitura, enumerei cada uma das proposições, mas que não estão ordenadas por prioridade, porque todas são igualmente importantes. São elas:

  1. O desenvolvimento de competências socioemocionais;
  2. O desenvolvimento de competências cognitivas;
  3. A aplicação de modelos inovadores e diversificados de encaminhamento pedagógico;
  4. A utilização de tecnologias digitais para gerar a interatividade e conhecer o modelo híbrido;
  5. O incentivo ao movimento maker e ao protagonismo do aluno;
  6. O exercício do novo papel como professor do século XXI;
  7. O investimento em Educação Continuada para professores.

Cada uma das proposições apresentadas acima merece um maior detalhamento, por isso resolvemos elaborar nosso próximo texto com esse objetivo, dando, inclusive, sugestões práticas de aplicação e indicando cases.

Acompanhe e descubra as possibilidades existentes em cada proposição e vamos juntos em busca de um 2017 que possa entrar para a sua história! Até lá!




Comentários

  1. Obrigada, sua observação é muito bem-vinda.

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  2. Muito bom. Aguardo o próximo com os detalhamentos.

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    Respostas
    1. Muito grata. Sim, na próxima terça daremos detalhamentos...Espero você.

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  3. ótimo!!! Vindo da Dona Miroca, só podia ser coisa boa!!!

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  4. Infelizmente, alguns professores ainda seguem a mesma receita de 1954 para ensinar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade...Precisam urgente repensar postura e encaminhamento.

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    2. É verdade...Precisam urgente repensar postura e encaminhamento.

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