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Proposições para uma educação inovadora em 2017


Conforme prometido no texto anterior, serão expostas algumas proposições gerais que podem ajudar você a refletir e trabalhar de forma inovadora e contemporânea em educação.

O tema é vasto, por isso preparamos um material rico, que pode ser compartilhado com professores, pais, governantes e qualquer um que deseje inovação e transformação. Por esse motivo, decidimos aprofundar um pouco mais cada uma das proposições e apresentá-las em partes.

A primeira proposição inicia com uma ação, da qual o imperativo é:

DESENVOLVA COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS

O processo de educação é amplo e precisa ser pensado de forma integral, sendo exatamente nesse amplo sentido que se enquadra o desenvolvimento de competências socioemocionais. Como o próprio nome já evidencia, as tais competências têm relação direta com o social e com o emocional. Na prática, são traduzidas como:

AUTOCONHECIMENTO
AUTONOMIA
ESTABILIDADE EMOCIONAL
SOCIABILIDADE
CAPACIDADE DE SUPERAR FRACASSOS
CURIOSIDADE
PERSEVERANÇA
OUTRAS

Aqui pode surgir uma dúvida sobre se o desenvolvimento socioemocional é de competência pura da escola. Cremos com muita convicção que não é só da escola, mas cada vez é mais dela. O primeiro argumento que esclarece essa questão é o fato de que, na atual conjuntura econômica, em que pais e mães trabalham fora, muitas crianças precisam frequentar escolas em período integral. Outro importante ponto é que o cérebro humano é TRIÁDICO, por isso o processo de aprendizagem envolve de forma harmoniosa o PENSAR, o SENTIR e o AGIR. Não há como separá-los em caixinhas, pois caminham de forma integrada. Por isso a escola pode e deve aproveitar cada uma das oportunidades em que se colocam para nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos situações que envolvem relacionamentos, desafios, fracassos, competitividade, para oportunizar também o desenvolvimento socioemocional, objetivando o aproveitamento máximo de suas capacidades.

Os nossos educandos precisam se desenvolver de forma harmoniosa, tanto por meio das competências cognitivas quanto das socioemocionais. As escolas que se propõem a trabalhar focando apenas os aspectos cognitivos do desenvolvimento (pensar, interpretar, calcular, generalizar...), sem atuar no aspecto socioemocional, estão “empurrando com a barriga” um problema que trará prejuízos generalizados para toda uma sociedade.

De outro lado, aqueles que entenderam a necessidade e a importância do desenvolvimento integral salientam que é vital reconhecer o contexto social e político em que se inserem os educandos atendidos pelas escolas, para dar início a práticas voltadas ao incremento de competências socioemocionais que promovam o engajamento e o trabalho integrado entre escola e família. Sim, é preciso trazer a família para a escola, abrir espaços para orientar e gerar compromisso das partes em prol do desenvolvimento integral do educando.
Afinal, a intenção é que ele possa aprender com sentido de pertencimento e encontrar no espaço escolar o prazer de adquirir conhecimento por saber que há ali um clima de liberdade e de realização.

SUGESTÕES DE COMO DESENVOLVER AS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS:

  1. EXEMPLOS PRÁTICOS/CASES:
PROFESSORA DE MATEMÁTICA

A consultora da UNESCO Anita Abed conta que, quando era professora de matemática, estimulava os alunos a aprenderem por meio de situações que ela transformava em “jogos” e, dessa forma, trabalhava muitas questões socioemocionais que surgiam, tais como dificuldades de superar fracassos, falta de autonomia, sociabilidade, dentre outras. Essa prática foi tão promissora e significativa que uma das alunas deu o seguinte depoimento sobre as aulas de Anita: “Vivendo a matemática dessa forma (jogos), eu redescobri a verdadeira matemática que existe na matemática”.
É isso que a escola precisa recuperar a aprendizagem significativa e prazerosa. Sobre isso, a própria Anita afirma: “Significância e prazer são da ordem do socioemocional”.

PROJETO ÂNCORA:
CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL

A escola que comporta o projeto Âncora tem um trabalho pautado em atitudes e valores. Quando o educando lá ingressa, independentemente da idade, ele vai para um núcleo de aprendizagem denominado “Iniciação”, onde já começa uma formação baseada em atitudes e valores, que essas crianças e jovens aprendem quais são e como interagir com eles naquele espaço comum. Os valores destacados, tanto no âmbito coletivo como no individual, são: respeito, solidariedade, responsabilidade, afetividade e honestidade. Na fase da iniciação, esses itens são trabalhados em diferentes situações, e nesse processo fica claro para os estudantes o quanto o relacionamento é importante para o desenvolvimento de uma pessoa, de modo que saber se relacionar é tão essencial quanto produzir um texto claro, bem escrito.
A Coordenadora Pedagógica do Projeto Âncora, Edilene Brito, relata que: “O tempo que permanecem na iniciação depende de cada uma delas; pode ser uma semana, um mês, um ano... Os educadores estão preparados para recebê-las e dar a elas o atendimento necessário”.
Na prática, os problemas, impasses e conflitos que surgem (âmbito coletivo) são discutidos com todos os alunos, que não apenas expõem as dificuldades como também sugerem soluções, dentro do que chamamos “resolução conjunta”, gerando responsabilidade coletiva e compromisso individual. E, assim, os valores vão sendo trabalhados e vivenciados. Os tutores delineiam nos educandos a ideia de que escutar uma opinião diferente da sua, saber lidar com ela e agir afetivamente mesmo quando se é contrariado é tão importante quanto aprender a fazer uma produção textual com clareza e coesão e adequadamente pontuada.
A escola se organiza por núcleos de aprendizagem, que são: iniciação, desenvolvimento e aprofundamento. O critério utilizado para a mudança de núcleo é o nível de autonomia conquistado no processo de aprendizagem, que naturalmente inclui valores e atitudes.
Conheça o Projeto Âncora: Educação – Escolas Inovadoras, acessando: <https://www.youtube.com/watch?v=kE6MlnwML8Y>.


  1. DICAS PARA PRÁTICAS COTIDIANAS VOLTADAS AO DESENVOLVIMENTO DAS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS:

  1. Estabelecimento de combinados para uma melhor convivência;
  2. Abertura para discussão de temas transversais e escuta de diferentes posicionamentos;
  3. Para os educandos com mais idade, é possível analisar diálogos em grupos de discussão usando a internet;
  4. Espaços de diálogos em que o educando expresse seus sentimentos e opiniões sobre determinado problema de ordem comum;
  5. Proposição e realização de trabalhos colaborativos com posterior estabelecimento de feedback;
  6. Criação de espaço de autoavaliação;
  7. Trabalho pedagógico envolvendo projetos com o levantamento de diagnóstico do entorno escolar, posteriormente com intervenção, para que o aluno aprenda na prática enquanto busca resolver problemas reais.

Material complementar:

Especial socioemocionais. <http://porvir.org/especiais/socioemocionais/>.

ABED, Anita Lilian Zuppo. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica. São Paulo: 2014. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15891-habilidades-socioemocionais-produto-1-pdf&category_slug=junho-2014-pdf&Itemid=30192>.

Leading an SEL School: Steps to implement social and emotional learning for all students. Disponível em: <http://www.everactive.org/uploads/files/Documents/CSH/Leading-an-SE-School-EDC1.pdf>.

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