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Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas!


I Encontro de Educação Appai promove reflexão e discussão acerca das ações que transformam a aprendizagem

Uma data para recordar. O dia 30 de novembro de 2016 marcou a estreia do Encontro de Educação Appai. Como se fosse um grande conselho de classe, 250 associados e convidados discutiram sobre as ações que inspiram e transformam a aprendizagem. Apresentado pelo professor Luiz André Ferreira, da Rádio Appai, e mediado pela mestre em educação Andréa Schoch, colunista do Blog Appai, os palestrantes foram indagados a responder perguntas desafiadoras, como: “O que vai acontecer na educação daqui a 20 anos com o avanço tecnológico?”.

De acordo com o doutor em Ciência da Informação Carlos Nepomuceno, a escola e a educação sofrerão mudanças drásticas, pois a gestão dará espaço à curadoria, ou seja, haverá uma personalização no atendimento de cada cidadão, como já acontece na Educação 3.0, tornando a teoria da uberização escolar uma realidade. “A maneira com que nós pensamos o ser humano é equivocada. Nós somos os únicos “tecnumanos”, sapiens que clica, num globo de sete bilhões de pessoas. Não haverá mais educação tradicional daqui a alguns anos, ela terá de ser adaptada para conseguir sobreviver. E a uberização afetará a educação”, diz Nepomuceno. Outro fator que ele pontua está diretamente ligado ao mercado de trabalho. “Todas as organizações entram na comunicação, mas a comunicação não consegue esse feitio. Portanto, o mercado vai mudar, aí sim a educação vai mudar. Atualmente, a escola não está formando o que o mercado necessita. Lá na frente cada pessoa será instruída através de conteúdo, certificação e roteirização, que nada mais é do que uma curadoria, pessoas que vão ajudar os alunos e não só transmitir a informação e o conhecimento”, explica, Nepomuceno.

Edilene Brito, pedagoga e coordenadora do Projeto Âncora, conta como tem funcionado na prática essa transformação que já é uma realidade, na qual os estudantes não cursam séries, mas núcleos de desenvolvimento. “A gente não teoriza, nós discutimos, porque com autonomia não se nasce, se constrói”, explica. O objetivo deste projeto é criar subsídios para que se desperte a potencialidade do ser. Todavia, a profissional ratifica a importância do papel do educador. “O professor é essencial neste processo de desenvolvimento, porque criança não pode ser mais vista como um experimento, ela tem que ser incentivada à práxis, para que possa praticar autonomamente. Mas, para que isso ocorra bem, a criança deve ter atenção individual.

Wagner Siqueira, professor e membro do Conselho Regional Administração, intensifica a importância de refletirmos sobre a geração Y, acerca da realidade dessa categoria. “Muito se fala dos nativos digitais, mas alguém já procurou saber a realidade dessas pessoas? Só se fala dos bem empregados dessa geração. Mas e os que não estão? Como vivem esses jovens?”, indaga Wagner, que acredita que a educação terá de ser bem administrada para que a escola do futuro acompanhe a rapidez da modernidade. “Para isso são necessários contato e relações humanas, porque é a partir da força do homem, de forma coletiva, que se obtém evolução”, enaltece o profissional.

A Jornalista Bárbara Pereira, que é mestre em educação e doutoranda em memória social, diz que sente falta da temática educacional nas coberturas de imprensa, e inclusive acredita que a faculdade de comunicação social deveria ser um ambiente no qual se explorasse mais a educação. “Não vemos nos jornais e nas revistas editorias voltadas para esse assunto. Temos de economia, política e até polícia, mas educacional não”, desabafa Bárbara.

Quem faz a diferença


Quando o assunto girou em torno de boas práticas, os palestrantes deram um show de superação, que foi da conversa à conscientização, passando pelo funk e pelo hip-hop. O educador Waldir Romero que reverteu o quadro de degradação e violência em uma escola de São Paulo contou sua experiência em sala de aula, preconizando a importância da democracia na gestão escolar. “A primeira medida a ser tomada foi: vamos ouvir os alunos! Esse passo foi essencial!”, afirmou. A partir das necessidades apresentadas pelos estudantes, o professor começou a organizar eventos para integrar a escola com a comunidade e envolver todos em um projeto de ensino. Assim, Waldir conseguiu desarmar a agressividade e a revolta dos alunos e começou a mobilizar todas as partes em ações de formação continuada para professores, aulas sobre a história e os personagens do local e diversas parcerias com instituições dentro e fora do bairro.

Andréa Lemos, coordenadora do projeto pedagógico da Editora Moderna e idealizadora do João de Barro, que visa conscientizar toda a população quanto à necessidade da preservação do meio ambiente, relatou sua experiência empoderando uma preocupação mundial, o controle do aquecimento global, bem como subsídios para se obter um futuro sustentável.

funk e o hip-hop são ritmos recorrentes entres os jovens de várias comunidades, situação que foi aproveitada pelo músico Lemaestro, que colocou suas habilidades para ajudar quem necessita de amparo dentro de ambientes como esses. “Eu fui criado no meio da zona de tráfico, os bandidos passavam pelo quintal da minha vó. Aos dezesseis comecei a usar drogas, mas só oito anos mais tarde pedi ajuda clínica. Fui internado e lá dentro descobri que podia fazer música. As letras resumiam meu drama pessoal e isso sensibilizou os pacientes que passavam pela mesma situação. Foi então que percebi que poderia ajudar outras pessoas fazendo algo de que gosto”, revela o músico. Após concluir seu tratamento, passou a levar os ritmos às escolas da comunidade, mas, no lugar de estrofes sobre carrões e outros artigos de luxo, marca registrada de muitos artistas ligados a esse estilo musical, Lemaestro cria rimas a respeito da importância de frequentar o colégio. Com o objetivo de entreter e conscientizar jovens sobre a importância do estudo, o projeto chamado de “MCs pela Educação” ostenta agora boas notas e comportamentos e põe os olhos num futuro promissor que a escola pode proporcionar.

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