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Proposições para uma educação inovadora em 2017


Nestes tempos em que as novas tecnologias da informação e comunicação permitem a integração de oportunidades de aprendizagem, surge a metodologia híbrida de ensino. Definida como uma mescla do ensino virtual com o presencial, dentro e fora da escola, é também chamada de “Blended Learning” ou metodologia híbrida para a aprendizagem. Ela integra o estudo presencial, com colegas e professor, e o virtual, que em geral utiliza um ambiente virtual de aprendizagem ou outras formas de acesso a tecnologias para aprendizagem.

Por que fazer uso dessa metodologia?

Para responder a essa pergunta, eu gostaria de convidá-lo a conhecer a história de Jack, contada por Michael Horn, um estudioso americano que tem dedicado a vida ao estudo da metodologia híbrida para a aprendizagem. Jack era um aluno brilhante, mas na 5ª série teve dificuldades com a matemática, e por isso começou o ano como o terceiro pior aluno da classe nessa matéria. Horn conta que a professora separava a turma dos “atrasados” e dava aula focada neles. Jack sentia-se muito mal com isso, ainda mais atrasado, e chegou a considerar que nunca aprenderia.
Essa é uma situação comum para muitos de nossos alunos no Brasil, pois já conversei com várias crianças que relataram exatamente esse sentimento. Se a vida de Jack continuasse assim, acumulando dificuldades, o que seria dele? Qual a solução?

Será que, numa sala de aula com dezenas de alunos, todos têm os mesmos interesses e ritmos, todos aprendem da mesma forma? Temos “Jacks” nas nossas salas de aulas? O sistema de educação fabril muitas vezes taxou de “incapaz” aquele aluno que não compreendeu determinado conteúdo “de pronto”, muitas vezes retendo-o em determinada série ou ano de ensino, ou seja, reprovando-o, como faziam as fábricas com determinado produto que não passou pelo sistema de qualidade e foi descartado.

Por que alguns ainda insistem em ensinar a partir de um modelo fabril de educação que coloca todo mundo dentro de uma forma única, de um mesmo tempo, numa mesma lógica e de um mesmo jeito? Bem possível por desconhecimento. Cada um de nós e de nossos alunos têm uma forma peculiar, própria, de aprendizagem. Os cientistas cognitivos já elucidaram o fato quando descobriram que cada indivíduo apresenta diferentes capacidades de memória de trabalho, isto é, diferentes aptidões, diferentes formas de absorver informações, diferentes conhecimentos anteriores sobre determinado assunto, diferentes experiências, formas de filtrar a informação, memórias que trazem consigo para o processo de aprendizagem. Somos únicos, assim como as nossas digitais, mas, além disso, há também uma nova era em voga, a Era do Conhecimento, em que se torna urgente desenvolver ao máximo o potencial de cada aluno, caso contrário ele estará fadado ao completo fracasso na vida, pois as mudanças estão ocorrendo de forma muito dinâmica e acelerada.

É notória a ampliação da capacidade de armazenamento, de memorização de informações, da integração mundial, sobretudo com o advento das novas tecnologias da informação e comunicação. Toda essa revolução digital ampliou de forma exponencial a velocidade dos fluxos sociais, culturais, econômicos, portanto é preciso que haja também uma mudança de mentalidade, da metodologia em educação, na maneira de orientar a aprendizagem. Novos tempos, novas necessidades. E nesse contexto nasce a aprendizagem por meio do encaminhamento híbrido, que pode ser explicitada através de experiências diversas.

E, por falar em metodologia, vamos retornar à história de Jack. Michael Horn conta que, para a alegria desse garoto, naquele mesmo ano em que cursava a 5ª série, a escola fez uma parceria com a Khan Academy (uma ONG educacional criada em 2006 pelo educador americano Salman Khan e que consiste no mais expressivo site do mundo para aprender matemática, além do ensino de algumas outras matérias, oferecendo videoaulas e mais de 300 mil exercícios completamente gratuitos. O site oferece ensino personalizado: reconhece as habilidades que o aluno domina e as que ainda precisa praticar.), que desenvolveu o modelo híbrido de aprendizagem. Os alunos tinham a oportunidade de aprender de forma personalizada e Jack pôde, então, perceber que não avançava em matemática porque lhe faltava compreender conteúdos básicos anteriores aos apresentados na 5ª série. Ele foi orientado a fazer buscas on-line, com acompanhamento do professor, para rever conteúdos básicos que não dominava, apresentados de diferentes formas, respeitando seu ritmo de aquisição. Jack mergulhou numa nova forma de aprendizagem, que o tornou apto a dar sequência à sua vida estudantil sem as amarras do passado. Deu tão certo e foi tão bom que Jack alcançou o quarto lugar de destaque da turma na disciplina de matemática, apenas 70 dias após o início da nova metodologia.

Como se dá na prática a metodologia híbrida?

Uma das formas de começar é a chamada “rotação”, geralmente mais utilizada com os alunos do Ensino Fundamental. O educador organiza a sala de aula com atividades diferentes, porém complementares, das quais uma será realizada em plataforma digital.


O aluno estuda e realiza cada uma das atividades, orientadas pelo professor ao longo do processo de conhecimento, mas o mais importante é estimulá-lo a ser protagonista da própria aprendizagem, entendendo-o e incentivando-o a ir em busca de seus interesses, para que, dessa forma, aprenda. É importante, no caso de alunos do Fundamental II, orientar atividades de pesquisa, de participação em fóruns e de outras atividades em ambiente virtual de aprendizagem que possam ser realizadas fora da sala de aula, em casa ou no contraturno da escola. Dessa maneira, o aluno vê mais sentido no conteúdo que acessa e participa de um aprendizado mais personalizado, que responde às suas necessidades. Vale lembrar também que, com essa metodologia, os alunos são estimulados, presencial e virtualmente, a trabalhar e interagir em grupo, o que abre uma série de boas experiências para o desenvolvimento socioemocional.

Para conhecer outros cases de aplicação da metodologia híbrida para a aprendizagem, acesse:





Comentários

  1. Muito bom esse método. É estimulante para a pesquisa e a busca do conhecimento.

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