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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Professores podem usar a sala de aula para ajudar no combate ao Aedes aegypti

Alunas da Escola Maestro Pixinguinha que participaram do projeto de combate ao mosquito Aedes aegypti




























A preocupação com a crescente epidemia de zika chegou também a diferentes escolas de todo o país. Na tentativa de incentivar o combate ao mosquito Aedes aegypti, também responsável pela transmissão de doenças como a dengue e a chikungunya, muitas instituições estão organizando debates e atividades com os alunos.

De vídeos animados a projetos que envolvem a comunidade, existem diversos meios de abordar o tema de uma maneira engajada. A Escola Maestro Pixinguinha, em Vila Kosmos, por exemplo, uniu-se ao esforço nacional de combate ao mosquito, contando com a participação dos professores, das turmas do Fundamental I, de alunos do Grêmio Estudantil, pais e funcionários da escola.

Para o diretor e professor José Roberto da Silva, é importante conquistar o envolvimento do aluno, com atividades pedagógicas que sejam lúdicas e, assim, despertar o seu interesse e o engajamento nesse processo. “Entendemos que a prevenção depende de informação e de ações efetivamente educativas. Em todos os momentos, o destaque maior é dado para a gravidade das doenças e aos cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito. O nosso objetivo é estimular a criança a ser um agente transformador, fazendo da escola, da casa deles e de toda a comunidade um território livre do mosquito. Ela percebe que não apenas a escola, mas toda a sociedade, está preocupada”, justifica.

Na edição 99 da Revista Appai Educar, você pode conferir todas as estratégias desenvolvidas pela escola e, ainda, dicas de como montar uma atividade escolar acerca desse tema. Além disso, você também vai conhecer a história da diretora que desenvolveu um método surpreendente em uma escola em Olinda, Pernambuco. Não deixe de conferir!

Para ajudar os educadores que pretendem desenvolver atividades sobre o combate ao mosquito e doenças relacionadas, o portal Porvir também reuniu algumas estratégias que podem ser aplicadas na sala de aula. Confira:

Minecraft e o combate ao mosquito
Que tal aproveitar o interesse dos alunos pelo universo dos games? Recorrendo ao cenário de Minecraft, o youtuber Marco Túlio, do canal AuthenticGames, criou um vídeo que traz orientações para combater o Aedes Aegypti. A história mostra vários moradores de uma casa que apresentam sintomas de dengue, como febre e dores de cabeça. Ao perceber o problema, alguns personagens começam a percorrer a vizinhança em busca de possíveis focos do mosquito. Além de exibir o vídeo, os professores também podem se inspirar no game e propor uma atividade para os alunos utilizarem os blocos virtuais do Minecraft na construção de cenários e histórias que tratam do tema.

Agente de saúde no combate ao mosquito
O game Agente Aedes também ajuda a atrair a atenção dos alunos para o combate ao mosquito. Desenvolvido pelo LabTime, o Laboratório de Mídias Educacionais e Tecnologia da Informação da Universidade Federal de Goiás, o jogo, on-line e gratuito, é inspirado no clássico Pac-man, onde o agente de saúde da cidade deve eliminar os focos do mosquito e evitar uma epidemia. Segundo Igor Avelar, que participou do desenvolvimento como designer do jogo, o objetivo é chamar as crianças a participar da força-tarefa contra os focos do mosquito. “Nós já levamos o jogo a duas escolas de Goiânia. Os alunos disseram que já realizam algum tipo de prevenção em casa, mas que é difícil fazer com frequência”. Segundo o designer, por ser um jogo de ação, no qual você pratica a mesma tarefa – no caso, destruir os focos do Aedes – de forma repetida, o aluno fica condicionado a evitar novos berçários das larvas. “O jogador tem que destruir o mesmo foco várias vezes; não aparece só um pneu, mas uma jarrinha de planta, uma latinha, e ele tem que destruir todas essas coisas durante o jogo inteiro”.

Desenho animado do Chaves
Ainda na caçada ao Aedes, um desenho animado produzido pela Fundação Chespirito IAP convoca toda a turma do Chaves para fazer a limpeza da vila e eliminar possíveis focos do mosquito. Entre uma cena e outra, além de apresentar medidas preventivas de forma lúdica, também aparecem referências clássicas da série mexicana, como as atrapalhadas do Chaves e os diálogos entre os personagens Dona Florinda e Professor Girafales.

Podcasts sobre zika vírus
Os podcasts também podem ser um recurso educacional interessante. Com a participação de pesquisadores e médicos, o programa Nerdcast, do blog Jovem Nerd, usa uma linguagem jovem e um pouco de humor para discutir sobre o zika vírus. Outra opção é o podcast Mamilos, do Brainstorm9, que esclarece boatos sobre adoença,o impacto de uma epidemia no país e possíveis relações com casosde microcefalia. Após ouvir as gravações, os professores também podem sugerir que os alunos gravem os seus próprios podcasts sobre o assunto.

Quadrinhos do Menino Maluquinho
Para os professores que desejam trabalhar diferentes linguagens, as histórias em quadrinhos também podem ser uma opção que ajuda a abordar o tema. Em duas edições (primeira e segunda), o Menino Maluquinho, famoso personagem do cartunista Ziraldo, convoca sua turma para combater o mosquito Aedes aegypti.

Outros boatos desmentidos pela Fiocruz
Na tentativa de também desmentir assuntos relacionados ao vírus zika e os casos de microcefalia, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) produziu um vídeo que traz informações sobre o tema. Entre os boatos apresentados, a gravação diz que não existem evidências científicas de que há diferença de gravidade entre crianças, adultos e idosos, mas a infecção pode ser mais séria para gestantes.

Fonte: Porvir / Foto: Tony Carvalho

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Entre perseguições e degredos, povo cigano deixou sua contribuição para a formação da cultura brasileira

A pintura que ilustra a postagem, de autoria de Debret, é intitulada “Interior de casa cigana”, de 1820
Muitas pessoas, habituadas a ver grupos ciganos como figuras misteriosas ou exóticas, sequer imaginam que esse povo originário provavelmente da Índia participa da vida brasileira desde os primeiros tempos da colonização. Isso porque muitos ciganos que viviam na península Ibérica seriam mandados para as terras da América, a partir de 1560 ou 70, seja por degredo ou interessados em que esse povo de cultura predominantemente nômade se espalhasse pelo país, promovendo a ocupação do território e aumentando a população da colônia.

Nos séculos seguintes essas migrações continuariam ocorrendo e a presença de ciganos começaria a se notabilizar já na Bahia do século XVII, então a região mais rica e importante da colônia brasileira. Menos de cem anos depois muitos grupos iniciariam uma importante migração em direção ao Sudeste, principalmente atraídos pelo Ciclo do Ouro das Minas Gerais, já que tradicionalmente grupos ciganos se ocupavam de atividades como a caldeiraria, produzindo objetos como correntes e bijuterias, além, é claro, de poderem tentar na promissora atividade de mineração atingir o enriquecimento. A grande circulação de ciganos pelo território do Brasil colonial também ocorreu devido a muitos degredos internos. É que, persistindo na América a visão negativa que sobre eles pesava na Europa, frequentemente ficavam associados a desordens públicas ou crimes, o que lhes ocasionariam algumas punições, como a condenação a viver em áreas tidas como selvagens ou inóspitas na época, como a Amazônia e as terras do atual Centro-Oeste brasileiro.

Um dos momentos mais marcantes para a cultura cigana no Brasil foi a chegada de um grupo junto com a família real de Portugal no início do século XIX. Alguns historiadores fazem menção a uma certa simpatia de Dom João por esse povo, principalmente pela alegria que proporcionavam devido a seus costumes muito fincados em festas, danças, músicas e celebrações de felicidade. No Rio de Janeiro, capital brasileira de então, acabariam por estabelecer algumas raízes relevantes e se destacarem no cotidiano da cidade. Inicialmente os ciganos se instalariam em áreas desvalorizadas do centro da capital por serem formadas por terrenos pantanosos ou charcos, que por isso eram desprezados pelos proprietários. Um desses locais se tornaria bastante conhecido algumas décadas mais tarde. O “campo dos ciganos” anos mais tarde ficaria conhecido como “Campo de Santana” e seria palco da Proclamação da República. Nas ruas próximas a esse local, muitos ciganos moravam e agitavam as noites regadas a muito vinho, música e danças. Não tardou para que esses locais fossem procurados por todo tipo de gente interessada em bebida e diversão, pois muitos bordéis e botequins passariam com o tempo a funcionar nessa região, que destoava de outras localidades em geral muito carolas e tradicionais. A cultura da boemia carioca tinha assim seu início nas áreas de grande concentração de ciganos, que eram também conhecidos por “raça boêmia”, em virtude de muitos grupos habitarem e serem provenientes dessa região da atual República Tcheca.

Muitos ciganos conseguiriam enriquecer durante o período posterior à chegada da corte portuguesa, sendo a atividade do tráfico de escravos uma das que mais propiciariam essa ascensão social de alguns indivíduos de origem cigana. A pele amorenada, em geral um empecilho para as oportunidades no Brasil daquele período, em grande parte das vezes não era problema para os ciganos, pois muitos dos que chegavam da Europa eram brancos, resultante de cruzamento de ciganos tradicionais com caucasianos, já que ser cigano não é algo que dependa do sangue ou da raça, bastando adotar os costumes desse povo para ser aceito entre eles.

Outros indivíduos de origem cigana conseguiriam viver em condições relativamente dignas, destoando da maioria de seus irmãos, que, sempre muito perseguidos, viviam quase sempre em situação de vida precária. A atividade de meirinho, que corresponde mais ou menos ao que hoje entendemos por “oficiais de justiça”, acabou sendo muito praticada por ciganos. Num tempo em que muito dificilmente alguém desse povo conseguiria uma vaga num dos disputadíssimos postos de trabalho do funcionalismo público, a carreira de meirinho acabava sendo a porta de entrada para muitos ciganos. Primeiro, porque essa era considerada uma atividade muito mal vista pela população, pois a esses funcionários cabia executar atividades muito impopulares como anunciar decretos de prisão ou cumprir decretos de autoridades que determinavam confisco de bens. Assim, em geral ninguém se importava com o fato de essa função pública ser realizada por um cigano. Pra completar, tratava-se de um cargo vitalício, que era herdado pelos descendentes, o que colaboraria para criar uma verdadeira dinastia cigana nesse ramo do funcionalismo. Mas a maioria dos indivíduos de origem cigana vivia em situação de grande penúria social no Brasil, muitas vezes porque só conseguiam viver em paz, escapando a perseguições, em áreas muito afastadas dos grandes centros, o que explica a grande incidência de ciganos na região Nordeste. Na cidade de Sousa, por exemplo, em pleno sertão paraibano, está instalada uma das maiores comunidades ciganas do país, estimada em mais de duzentas famílias.

Só recentemente a situação dos ciganos no Brasil começou a receber reconhecimento por parte das políticas de estado. A constituição promulgada em 1888 consagrou ou ciganos como uma das minorias étnicas do país e, a partir de 2002, começaram a se beneficiar com direitos de cidadania conferidos a toda a população brasileira. Suas tradições também tiveram reconhecimento, com a instituição do Dia Nacional do Cigano no dia 24 de maio, quando esse povo celebra sua padroeira, Santa Sara Kali. É verdade que entre nós a imagem negativa que a eles foi relegada através dos tempos, principalmente de sua instalação no continente europeu, não deixaria de existir, mas algumas manifestações importantes, como a popularidade de grupos dedicados a danças e músicas ciganas e a ocorrência de personagens desse povo em livros e novelas são sinais de que suas contribuições estão entre aquelas legitimadas pela maioria do povo brasileiro.

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Instruções para retirada de kit - Family Run - de 26 a 28/05


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Professores se tornarão emojis


Se olharmos para o atual teclado de emojis disponível nos dispositivos móveis, as mulheres são retratadas dançando, cortando o cabelo e pintando as unhas. Os estereótipos estão todos lá. Há um policial, mas não uma policial; há um operário da construção civil, mas não uma trabalhadora; há uma princesa, mas não um príncipe. Mas o Google tem uma proposta para quebrar essa diferença, criando novos emojis de profissões, que terão tanto homens quanto mulheres.

Numa tentativa de aumentar a representação das mulheres nos ideogramas e promover a igualdade entre gêneros, uma equipe de desenvolvedores da Google apresentou ao Unicode Consortium, responsável pela gestão e padronização desses símbolos, 13 novos emojis que retratam a classe feminina com diferentes profissões nas áreas de tecnologia, indústria, saúde, ciência, agricultura, alimentação e empresas, e todas elas também terão o seu equivalente masculino. Um dos destaques da novidade é o que se refere à área da educação, que foi ilustrado por uma professora.

A empresa espera assim destacar a diversidade presente nas carreiras das mulheres (as maiores utilizadoras da tecnologia) de todo o mundo. Um desejo que, aliás, foi expresso por Michelle Obama, que “tweetou” que gostaria de ver “um emoji de uma menina estudando”.

E você, professor, o que achou da ideia de ter um emoji representando a sua profissão?

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Do morro ou do asfalto? Afinal, qual é o mistério do samba?

"Roda de Samba", de 1957, do compositor, sambista e pintor Heitor dos Prazeres.

Muita gente já se aventurou a responder essa pergunta, que procura revelar a origem daquele que é, para a grande maioria, o mais brasileiro de todos os estilos musicais. Vêm dos próprios praticantes do ritmo as hipóteses mais criativas e, até por isso, sedutoras. Um bom exemplo é a levantada por Carlinhos Brown, que situou o samba para além das terras brasileiras: para o músico baiano, ele teria nascido nos navios negreiros, no compasso do balanço das águas, embalando a dor dos desterrados da África. Essa relação, aliás, entre o samba e a tristeza (ao contrário do que poderia sugerir o sorriso estampado no rosto de quem ouve ou faz samba) seria destacada outras vezes. De alguma forma dialogando com a tese de Brown, Vinícius e Baden afirmariam que “o samba é a tristeza que balança”. E é na própria letra do “Samba da Bênção” que vem outra ideia sobre a origem do samba: “o samba nasceu lá na Bahia”, dizem os dois compositores. Agora quem pode ser evocado pra continuar o diálogo é o antropólogo baiano Antonio Risério, que poeticamente descreve a Bahia como aquela velha negra, patriarca da cultura africana a comandar o samba de roda, enquanto o Rio de Janeiro aparece como a “moleca” que lindamente dança ao som do sempre irresistível ritmo. Uma ligação entre as duas cidades mais africanas do Brasil, que também apareceria numa genial frase em letra de outro grande do samba, agora de Aldir Blanc: “O céu abraça a terra, desagua o rio na baía”.

Mas, explicações poéticas à parte, o fato é que o samba como cultura se fortalece principalmente no Rio de Janeiro, à sombra do contato entre a cultura europeia e aquela da imensa quantidade de cativos que habitava a então capital do país. Das esquinas do centro da cidade sairia o choro, apontado como o ancestral do samba, praticado inicialmente por músicos virtuoses, de excelente formação musical, como o flautista e compositor Joaquim Calado, que executaria suas polcas e valsas, sem a menor preocupação de que esses estilos em voga na Europa do século XIX fossem complementados pelos toques dos batuques, cateretês e lundus, que circulavam na atmosfera carioca, em virtude da intensa presença africana. Assim nascia o choro e, segundo estudiosos, de sua simplificação (com arranjos menos complexos, mas com o aparecimento e valorização das letras), nasceria o samba. Nesse ponto de vista o samba teria tido um percurso inverso ao do seu “primo” americano, o jazz, que seria uma complexificação a partir de outro estilo de música praticada pelos afrodescendentes nos EUA, o blue.

À medida que se firma no Rio de Janeiro, o samba vai sendo identificado principalmente com a população afrodescendente da cidade e seguindo o percurso de marginalização a que esse grupo seria submetido desde que as reformas urbanas comandadas pelo prefeito Pereira Passos obrigariam a população de origem africana a se refugiar nos morros da capital. É quando o samba vai definitivamente se ligando a uma cultura de exclusão, sem perder o tom sempre irreverente e jamais abrindo mão da alegria, mesmo quando traz como tema a dura vida dos pobres do Brasil. Mas essa relação entre o samba e a população marginalizada que vive nas favelas não deve nos enganar: o samba originalmente é um fenômeno do asfalto. Pelo menos é o que dizia João da Baiana, um dos nomes históricos dos primeiros tempos do samba, compositor, instrumentista e passista. A prova disso, afirmava, era a grande presença de figuras das classes média e alta que subiam os morros para acompanhar as rodas de samba, regadas a muita dança, boa comida e amores, como as que ocorriam na casa da lendária baiana Tia Ciata. João apontaria ainda que era com autorização de políticos e autoridades do império e da Primeira República que as rodas podiam funcionar sem serem perturbadas pelos “pés-na-porta” da polícia.

A partir do Estado Novo o samba começaria a passar por um processo de desmarginalização. A política cultural de Getúlio Vargas haveria de alçar à condição de patrimônio cultural brasileiro colaborações culturais relacionadas à presença africana entre nós, como o samba e a capoeira. É nesse momento que começam a se destacar as escolas de samba e com elas grandes compositores, como Silas de Oliveira, um mestre na arte de compor letras que exaltavam as coisas e os valores nacionais, como se pode ver na ode nacional “Aquarela do Brasil” e no didático samba que aborda a vida e os feitos de Tiradentes, cuja primeira estrofe serviu para ilustrar aulas de história de muitas gerações de brasileiros.

O samba também ultrapassaria as fronteiras da música popular e passaria a figurar em obras de compositores eruditos como Guerra-Peixe e Radamés Gnattali. Estaria também na concepção de uma música brasileira sem fronteiras entre clássico e popular, como propunha Heitor Villa-Lobos, que aliás costumava na infância pular o muro de sua casa, no subúrbio do Rio de Janeiro, para ouvir a música que os chorões (era assim que se chamavam os primeiros sambistas) praticavam em suas rodas noite adentro.

Hoje parece não caber discussões sobre a origem do samba ou de que classe social ele provém. O samba é de todo o Brasil e virou matéria de abordagem de estudiosos de todos os matizes, seja de historiadores da música brasileira como José Ramos Tinhorão ou Mario de Andrade, seja de pensadores da cultura e da história do Brasil, como um Roberto Porto, um Haroldo Costa ou um Hermano Vianna. O samba transformou-se na trilha sonora de todos os momentos dos brasileiros. Evocados em situações de efervescência política, nas mesas de bar, nas casas de família. Afinal, desde que o samba é samba ele é depositário de um “sentimento renovador”, ou, para usar a frase de uma de suas grandes damas, D. Ivone Lara, “é a raiz da liberdade”.


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terça-feira, 17 de maio de 2016

Agora você tem um bom motivo para baixar o Twitter no seu celular!































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Veja como é fácil baixar:

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De engenheiro da Petrobras a Secretário de Educação: Perfil de Wagner Victer






















Se na esfera Federal as expectativas são grandes em relação ao novo ministro Mendonça Filho e a incorporação do ministério da Cultura ao da Educação, no âmbito estadual a situação não é diferente em relação ao novo secretário de Educação, que assume a pasta num momento delicado para o país e especificamente para o Rio de Janeiro. Wagner Victer toma posse em meio a uma declarada crise econômica fluminense, a uma greve que se arrasta desde março, da antecipação das férias para maio e em plena ebulição do movimento de ocupação de escolas por estudantes, que já chegou a adesão em cerca de 70 colégios.

Situação atual da Secretaria de Educação

Além disso, trata-se da primeira substituição na máquina pública feita pelo governador em exercício, Francisco Dornelles, desde que assumiu em março, após renovadas licenças médicas de Luiz Fernando Pezão para tratamento de saúde. Engenheiro por formação, Victer agora tem a responsabilidade de gerir uma das mais controversas pastas da máquina pública fluminense.

Embora não tenha formação na área de ensino, vem com a missão de apaziguar o setor após a exoneração do professor Antônio Paiva Neto, na função desde 1º de janeiro de 2014. Ele segue na mesma esteira do economista Wilson Risolia, que também não era um funcionário de carreira do setor de ensino, mas que assumiu a Educação em circunstâncias parecidas, transferido pelo Governador Sérgio Cabral da gestão do Rio Previdência.

Na verdade, Victer não é totalmente um estranho no ninho. Isso porque estava à frente, desde 2014, a convite do Governador Pezão, da Faetec – que administra os colégios técnicos, que estranhamente não estão sob a administração da Educação, mas vinculados à Secretaria de Ciências e Tecnologia.

Recorde em permanência no Governo

Em termos de permanência, o novo secretário é um dos mais antigos ocupantes de cargos públicos no estado. Está presente no alto escalão desde 1998 perpetuando-se nesta esfera pública apesar das diferenças partidárias e ideológicas dos governadores que passaram pelo Palácio Guanabara. Estreou como secretário de Minas e Energia de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus. Mesmo com a troca de governo, permaneceu nas duas gestões de Sérgio Cabral como presidente da Cedae e emendando na Faetec com a entrada de Pezão.

Tricolor de Coração


Formado em Engenharia pela UFRJ, Wagner Granja Victer, de 53 anos, começou a carreira profissional como funcionário da Light e do Grupo Gerdau. Concursado da Petrobras, está licenciado da estatal federal desde que passou a integrar o governo do Rio. Apaixonado por futebol e torcedor veemente do Fluminense, nunca escondeu que um de seus sonhos é assumir a presidência do tricolor carioca.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Brasil: campeão mundial em violência na escola. Como agir?

Agressão escolar. Casos que cada vez mais ganham espaço em conselhos de classe e reuniões. Histórias que acabam ultrapassando as fronteiras acadêmicas e repercutindo nas editorias policiais dos jornais e nas mídias sociais. Não raramente o professor acaba envolvido, como o protagonista da própria violência sofrida ou sendo cobrados dele uma atitude e uso de autoridade na intervenção nas agressões entre os alunos. São constantemente arrolados como testemunhas ou acusados de omissos pelos pais. Situação esta que coloca a categoria numa posição constrangedora. E, muitas vezes, o profissional não sabe como agir, já que não são explicitadas ou normatizadas formas de conduta para essas ocasiões.


Bullying entre alunos

A violência é um dos maiores estímulos ao afastamento de professores da sala de aula, seja por ser ele o agredido ou mesmo por apartar brigas entre alunos. Esse reflexo pode ser de modo temporário, através do aumento dos casos de licenças médicas, ou de maneira definitiva, com pedidos de demissão interrompendo a carreira do profissional.

Além dos ataques físicos, os virtuais também vêm crescendo de forma assustadora, alavancados pela falsa sensação de impunidade e de anonimato na Internet, que fazem com que se proliferem registros de assédio moral, ofensas verbais, ameaças, injúria, calúnia ou difamação.

Constantemente vemos professores se queixando do aumento do desrespeito no ambiente escolar. Infelizmente não é apenas uma sensação da categoria. A realidade é comprovada em números, como revela pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que coloca o Brasil como o país campeão neste quesito. Denominado Talis (Teaching and Learning International Survey), a metodologia foi baseada em um questionário internacional, aplicado em 34 países, envolvendo 100 mil professores e diretores de escolas dos ensinos fundamental e médio.


Agressões pelo menos 1 vez por semana

O resultado é alarmante. Mais de 12% dos professores brasileiros disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana! Esses dados alavancaram nosso país como o campeão, com casos quatro vezes acima da média dos demais territórios pesquisados, que é de apenas 3,4%. Logo abaixo vem a Estônia (11%) e a Austrália (9,7%).

Já países com regimes mais conservadores, como Coreia do Sul, Malásia e Romênia, apresentaram índice zero de violência. O estudo também revelou que apenas um em cada dez professores no Brasil acredita que a profissão é respeitada pela sociedade, situação muito diferente daquela dos demais países analisados, entre eles a Malásia, em que 84% se consideram valorizados pela população.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Nas ruas e nas senzalas, a Abolição sob o ponto de vista das classes populares






















As salas de aula brasileiras nos habituaram a entender os acontecimentos que culminariam na Abolição da Escravatura pela ótica das ações que se estabeleceram nos grandes centros, nas proximidades do poder imperial e com a participação de instituições de prestígio social, como a imprensa e as tribunas políticas. Nesse contexto, a marcha da Abolição no Brasil teria se dado a partir da atuação de grandes figuras que passariam para a história como protagonista desse episódio da vida nacional. Assim, personagens como Joaquim Nabuco, com suas ideias lúcidas e visionárias; José do Patrocínio, que ficaria marcado pela sua atuação na imprensa da capital federal; André Rebouças, pela sua fina habilidade ao tecer diálogos políticos; e Luiz Gama, que se notabilizaria pela capacidade de empregar as brechas da lei para viabilizar juridicamente a queda da escravidão, seriam considerados pela história como grandes motores do movimento Abolicionista.

Pesquisas e produções acadêmicas mais recentes, porém, têm mostrado que a participação nas ações abolicionistas fora do âmbito dos grandes centros foi muito mais eficaz do que se pensa, e de certo modo a essa modalidade de luta contra a escravidão se deve conferir o protagonismo do movimento. Essas ações, que ficariam conhecidas como Movimento Abolicionista Popular, contariam com a mobilização não só de pessoas seduzidas pelo ideal de dar fim ao funesto instituto da escravidão, como também dos próprios cativos, que, ao contrário do que normalmente se propaga, atuaram de forma incisiva e determinante para que o movimento mais tarde se transformasse numa questão nacional.

Essas ações práticas e até certo ponto radicais ganharam destaque a partir da década de 1880 e começaram a chamar a atenção das elites principalmente por ameaçar a soberania da propriedade dos barões da terra e por provocar episódios de evidente risco para a ordem pública. Dentre os muitos grupos que se entregaram a esse tipo de atividade pode-se citar os Caifazes, liderados pelo advogado e promotor, egresso das elites imperiais Antônio Bento de Souza e Castro. Utilizando-se de suas funções em órgãos ligados à justiça, promovia ações como indicar prepostos abolicionistas para determinar preços em cartas de alforria. Fixadas em valores que o cativo poderia mais facilmente adquirir, muitos “passaportes” para a liberdade chegariam às mãos de escravos, processo com o qual foi possível alforriar um número muito grande de pessoas. Muitos dos que alcançavam a liberdade ingressavam no movimento, que assim ia ganhando as ruas e principalmente chegando às senzalas. Não demoraram a ocorrer as temidas fugas em massa e a organização de grandes comunidades que se formavam para acolher os cativos que ganhavam liberdade nessas ações, como foi o caso do quilombo de Jabaquara, que chegou a acomodar 10 mil pessoas. Por conta da adesão de pequenos fazendeiros e comerciantes às ações abolicionistas, muitos ex-cativos acabavam conseguindo emprego e se firmando como trabalhadores livres. Nessas ações concentradas nas senzalas, se destacaria a figura de Antonio Paciência, cujo apelido era devido a sua habilidade de esperar o momento propício, em que a segurança se afrouxava, para se empreender a ação de fuga de escravos.

"Abolição da Escravatura", obra do pintor Victor Meirelles (1832 - 1903).


Os chamados “cometas” eram outro tipo de colaboradores das ações abolicionistas populares. Constituído principalmente de caixeiros-viajantes que tinham amplo acesso a fazendas e latifúndios, esse grupo atuava secretamente como informantes que facilitavam a execução das ações de fuga em massa. Frequentemente a rede de solidariedade abolicionista se completava com o engajamento de funcionários das companhias ferroviárias simpáticos ao movimento, que clandestinamente embarcavam os cativos em trens que os levavam a cidades do litoral, onde eram absorvidos como mão de obra nos portos. Não eram raras também ações que libertavam escravos enquanto eram transportados pela força policial, quando tumultos provocados aleatoriamente davam oportunidades de arrancá-los à força, muitas vezes os deixando abrigados em residências de cidadãos comuns, que simpatizavam com a causa abolicionista.

À medida que atividades dessa natureza prosperavam e esboçava-se o perigo de que o país fosse tomado por rebeliões de escravos, o movimento Abolicionista se organizava nas principais cidades do país, com destaque para a capital Rio de Janeiro. Por isso, muitos historiadores classificam a chegada dos anseios abolicionistas aos meios intelectuais e políticos como uma espécie de reação, que garantisse aos grupos mais privilegiados socialmente a condução do processo em detrimento daqueles que vinham se organizando de forma autônoma, através do consórcio entre pessoas das classes menos abastadas, libertos, cativos e estudantes. A chegada das ações abolicionistas aos espaços institucionalizados, transferindo o protagonismo para jornalistas, intelectuais e políticos, se por um lado serviu para viabilizar a queda da escravidão em âmbito legislativo e encampado pela força do estado, por outro permitiu no movimento a presença de setores favoráveis à Abolição, mas divergentes em vários outros pontos, o que acabaria criando muitos condicionantes que no final das contas dificultariam a integração dos libertos depois da assinatura da Lei Áurea.

O longo processo político que culminaria na promulgação final pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888 se encarregaria de acomodar o interesse das várias partes envolvidas, motivo pelo qual o acontecimento entra para a história brasileira com todo o simbolismo do velho atavismo brasileiro das soluções “pacíficas”, representado pelo clima de quase consenso que se verificaria na votação da lei no congresso nacional, com apenas quinze parlamentares se declarando contrários à Abolição no Brasil.

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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Nunca fale mal de um professor no Whatsapp
























Nessa briga “criptografada” entre o Whatsapp, a justiça brasileira e as empresas de telefonia, pouco se fala sobre o impacto e consequências do uso desse aplicativo em sala de aula. Afinal, é um aliado ou um tormento para o professor? O vício digital faz com que a atenção às aulas seja dividida com as trocas de mensagens. Além disso, ao mesmo tempo em que facilita o contato com os pais e alunos, pode criar uma série de ruídos nesta mesma comunicação.

Para evitar esse problema, mães argentinas criaram um “manual de etiqueta e bom comportamento” para a comunidade de pais no WhatsApp escolar. Objetivo é evitar fofocas e discussões por meio do aplicativo. Uma das principais regras diz: Trocar informações sim, mas fofoca não!”. E ainda: “Responda somente se contribuir com algo”, “pense duas vezes antes de escrever” e "não exagere nos emoticons".


Você é um respondedor compulsivo?

A iniciativa partiu das responsáveis pelos alunos de um colégio de Buenos Aires. O "manual de whatsappetiquetas” foi o resultado de um exercício entre pais e a direção da escola para diminuir os chamados “respondedores compulsivos”, que resultam em uma série de mensagens que deixam os celulares vibrando ou tocando constantemente tanto dos filhos em aula como dos professores durante o seu trabalho. Entre as regras a seguir, aconselha-se "nunca criticar um professor no grupo".

Aqui no Brasil um caso recente envolvendo professor foi parar na justiça, que pode considerar o “print” das mensagens como prova. O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou recentemente um estudante universitário a pagar R$ 10 mil por danos morais, após ofensas a uma professora da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) em uma mensagem enviada para todos os colegas de sala da Faculdade de Química. Entre as acusações, o aluno afirma que a docente estava “matando trabalho” quando decidiu passar um filme para a turma e a chama de “pilantra”.






Revolvendo a memória de Tiradentes: de bode expiatório a herói nacional

"O suplício de Tiradentes", do pintor Francisco Aurélio de Figueiredo (1856 - 1916)


A Inconfidência Mineira aparece com um episódio de grande importância pelo fato de colocar em evidência o aspecto àquela altura decadente do modelo colonial, e também por ser fruto da influência das ideias iluministas sobre uma elite colonial, que assim acalentou o sonho de um projeto nacional mais avançado. Um conjunto de circunstâncias determinou a tentativa da conjuração, que contou com a participação de representantes de várias atividades da colônia: militares, intelectuais, membros da Igreja, proprietários rurais, comerciantes etc. A situação econômica da colônia figura naturalmente entre as causas mais relevantes. Portugal achava-se naquele momento do século XVIII em lamentável crise financeira, caracterizada principalmente pela grande dívida acumulada frente à Inglaterra. Pressionado pela premente necessidade de recursos a Coroa portuguesa não hesitou em aumentar a exploração sobre sua mais rica colônia.

O estado português então organiza-se no sentido de aumentar a todo custo sua arrecadação e, influenciado pelas visões iluministas, empreende o chamado “despotismo esclarecido”, tendo à frente a influente figura do Marquês de Pombal. Várias Companhias de Comércio, de caráter monopolista, foram organizadas e começaram a atuar em diversas regiões do Brasil. Essa agressiva política de exploração e arrecadação causa grande impacto nas Minas Gerais, já que se trata de local de alta exploração de ouro e diamantes. Várias dificuldades acabavam repercutindo nos impostos que chegavam para a coroa, fixados em um quinto do que era produzido. Para Portugal, essa redução dos valores arrecadados era devida a atividades fraudulentas, como o roubo e o contrabando. Dessa forma, a Metrópole portuguesa muda a política tributária e institui em 1750 o sistema de cota fixa, estabelecido em 100 arrobas/ano. Em seguida, em 1763, aparece a “derrama”, que era o nome dado em Portugal ao imposto lançado sobre todos para arcar com gastos extras feitos pela Coroa. No Brasil, a mais rica das colônias lusitanas, o imposto era cobrado sobre tudo o que era produzido, e correspondia a aproximadamente 20% (um quinto) das riquezas obtidas. Esse altíssimo valor, que incidia principalmente no extrativismo do ouro, era tão temido, que gerou a conhecida expressão “quintos dos infernos”.

Com a nomeação do Visconde de Barbacena ao governo das Minas Gerais, a derrama passou a ser cobrada com extremo rigor pelas autoridades portuguesas. Na data estipulada os funcionários encarregados pelo governo poderiam confiscar bens, invadir casas, prender e até matar para cobrar o valor fixado em 100 arrobas/ano. Nesse cenário, não é de admirar que a intensificação da cobrança da derrama fosse um dos principais motivos desencadeadores do movimento de inconfidência em Minas Gerais. Além de arbitrária, a cobrança dessa obrigação – já que não se tratava de um imposto – era executada de modo extremamente violento pelas autoridades encarregadas pela Coroa. A esse quadro já carregado de tensões e insatisfações vem somar-se a proibição, através de decreto de 1785, assinado por D. Maria, a louca, da existência de manufaturas no Brasil. Desse modo, todo o material (incluindo mão de obra escrava) a ser obtido para o trabalho de exploração das minas tinha de ser importado de Portugal, o que gerava grande encarecimento da produção. Esse decreto caiu como uma bomba na economia das regiões interioranas, que abasteciam a colônia com roupas, calçados e bens de uso doméstico, que eram produzidos em pequenos estabelecimentos locais. Como se pode perceber, estava desenhado na economia da colônia um quadro cada vez mais insustentável, favorecendo a instalação de movimentos rebeldes.

A essa altura do século XVIII o ideal iluminista, expresso em obras de grande vulto, como “O contrato social”, de Jean Jacques Rousseau, percorria toda a Europa, motivando transformações nos sistemas sociais e de governos de várias nações, com destaque para a Revolução Francesa em 1789. Alguns anos antes, em 1776, as 13 colônias americanas (EUA) haviam declarado sua independência em relação à metrópole inglesa, num fato que estimulou movimentos semelhantes em várias partes da nação. O encontro desses ideais com a saturação por parte dos habitantes da colônia mais influentes e prejudicados pelas duras medidas da coroa suscitou a organização do movimento que viria a ser conhecido como Inconfidência Mineira.

Pessoas ligadas à produção do ouro ou a empreendimentos agrícolas estão entre os principais participantes da tentativa inconfidente, que também contou com a participação de alguns poucos indivíduos das camadas intermediárias da sociedade colonial. Dentre eles destaca-se a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que ficaria conhecido como o mártir da Inconfidência e um dos primeiros heróis nacionais. Dedicando-se à carreira militar, era filho de pequenos proprietários rurais, situação que constitui flagrante minoria entre os inconfidentes. Apesar de influenciado por ideias liberais, o movimento pela autonomia da colônia caracterizava-se pela indiferença quanto à escravidão. Fato compreensível quando se considera que, em sua maioria, a conjuração é formada por elementos provenientes de famílias de posses, que viviam de atividades calcadas na utilização da mão de obra escrava. Tiradentes fazia parte da minoria do movimento que defendia que descendentes da África fossem considerados cidadãos livres dentro da nova ordem que se estabeleceria.

Pretendia-se com o movimento a instauração de uma república de caráter federativo, mas com participação restrita apenas a alguns setores da nação. Algumas reivindicações específicas constavam entre os propósitos dos inconfidentes, como era o caso do estabelecimento de São João Del Rei como capital da república e a instalação de uma universidade na cidade de Vila Rica. Apesar de pouco organizados do ponto de vista militar, os inconfidentes seguiam intensificando as discussões e arregimentando apoio dos descontentes, principalmente entre os proprietários rurais, com grande destaque para a atuação de Tiradentes pregando o espírito revolucionário. Entre os envolvidos na conspiração encontrava-se a figura de Joaquim Silvério dos Reis, minerador e grande devedor de impostos. Temendo que sua participação no movimento lhe trouxesse grandes problemas, Silvério decide trair a conjuração, entregando à Coroa o nome dos principais líderes, entrando para a história com o triste estigma da traição.

Depois de receber de Joaquim Silvério a confissão por escrito, o Visconde de Barbacena foi à caça dos conspiradores realizando prisões em série. Tiradentes foi um dos primeiros a serem aprisionados, já que fora acusado de ser o cabeça da conspiração. Vários inconfidentes, ao serem presos, negaram o envolvimento, mas aos poucos iam admitindo a participação. Os depoimentos da maioria dos envolvidos apontavam para Tiradentes como o líder maior da conjuração, o que levou a Coroa a fixar nele os atos rigorosos de punição à guisa de exemplo. Ao todo 34 pessoas foram acusadas de conspiração e condenadas à morte, mas quase todos tiveram suas penas convertidas em outros tipos de castigo, como o degredo perpétuo e a prisão.

A pena capital coube apenas a Tiradentes. No dia 21 de abril de 1792, seu corpo foi esquartejado, e as partes foram expostas em vários pontos diferentes da cidade do Rio de Janeiro. Pouco mais de um século depois de sua execução e do esquecimento a que ficaria relegado, Tiradentes é elevado à condição de herói nacional. Um militar que sustentava um discurso de oposição à monarquia cairia como uma luva para a Primeira República e seus objetivos de substituir a devoção que o povo mantinha pelas figuras do cristianismo pelo culto a um grande vulto da história nacional.

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

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Você sabia que a hipertensão não é só arterial? Que ela pode ser pulmonar também? Nem eu. Mas não se culpe pela falta deste conhecimento. Mais de 76% dos brasileiros nunca ouviram falar desta doença, e os que sabem possuem pouca informação. Mas os sintomas muitos de nós já devem ter sentido, principalmente porque se confundem com os de pneumonia, gripes fortes e alergias respiratórias. Primeiro costumam surgir cansaço, palpitações, dificuldade de respirar e até desmaios durante atividades físicas. Logo depois pode evoluir para inchaço nos tornozelos e pernas, lábios ou pele azulados, dor no tórax e hemorragia pulmonar.

O distúrbio pode comprometer também o coração e levar à morte. Apesar de mais comum em mulheres e jovens adultos, a HP pode surgir independentemente da idade, gênero, etnia. Preocupada com o avanço deste mal e o diagnóstico constantemente confundido com o da pneumonia, a ABRAF (Associação Brasileira de Amigos e Familiares de Portadores de Hipertensão Pulmonar) está divulgando uma pesquisa que aponta que ainda metade das pessoas com os sintomas procuram erroneamente um pneumologista. Essa pesquisa foi realizada com 2.100 pessoas em sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife. Para mais informações: http://www.respirareviver.org.br


Para conscientizar e divulgar a causa, este 5 de maio entra para o calendário como o Dia Mundial da Pressão Pulmonar. Para chamar ainda mais a atenção está sendo lançada a campanha “Um fôlego para a Vida”, baseada no conceito de Thunderclap. O que é isso? Trata-se de uma plataforma digital que permite que os internautas doem espaço voluntariamente em suas redes sociais (Facebook, Twitter ou Tumblr) para estimular o conhecimento sobre a doença. Agora você já sabe que pode doar parte do seu espaço nas mídias sociais para divulgar a campanha. Está esperando o quê? Nós da Appai já estamos disponibilizando o nosso Twitter para isso. Faça o mesmo. Clique no link https://www.thunderclap.it/projects/41106-um-f-lego-para-vencer