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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Rádio e Twitter @appairj, cobertura em Tempo Real na Educação 360


















O local não poderia ser mais apropriado. A edição deste ano do “Educação 360” acontece no recém-inaugurado Museu do Amanhã. Isso porque o evento discute justamente a educação e as perspectivas para melhorarmos futuramente. O encontro acontece na próxima quinta-feira, dia 30/06, com a temática Desafios e a importância da Educação Infantil.

Concentrado em um único dia, o “Educação 360” vai reunir grandes nomes nacionais e internacionais com pontos de vista diversos e experiências bem-sucedidas no setor. Como as inscrições rapidamente se esgotaram, o Canal Futura vai transmitir as palestras e a Rádio Appai e o Twitter Appairj estarão realizando a cobertura em Tempo Real.


09h30
MESA 1
Por uma Educação Infantil de qualidade: impactos na escolaridade e na vida

Palestrantes: Daniel Santos – Professor Doutor da USP e Emiliana Vegas – Chefe da Divisão de Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington.

11h30
MESA 2
O desenho da política pública de Educação Infantil: acesso com qualidade

Palestrantes: Claudia Costin – Diretora Global de Educação do Banco Mundial, EUA (ex-Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro), Gelcivânia Mota – Secretária Municipal de Serrinha (BA) e Júlia Ribeiro – Oficial de Educação Unicef, Brasil.

14h30
Políticas curriculares de êxito na Educação Infantil. O impacto de um currículo nacional para a qualidade da intervenção pedagógica na Educação Infantil: currículos eficazes

Palestrantes: Larry Schweinhart – Ex-presidente do High / Scope Educational Research Foundation em Ypsilanti, Michigan; César Callegari – Diretor da Faculdade Sesi-SP de Educação, membro do Conselho Nacional de Educação e presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada – Ibsa; Beatriz Ferraz – Gerente de Educação Infantil da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e Cleuza Repulho – ex-Presidente Nacional da Undime Nacional (União dos Dirigentes Municipais de Educação).

16h30
O começo da vida em casa, na escola e na comunidade. O papel do vínculo e das interações como fatores decisivos para a qualidade na Educação Infantil

Palestrantes: Vera Iaconelli – Coordenadora do Instituto Gerar de Psicologia Perinatal, Estela Renner – Diretora e roteirista do filme “O começo da vida” e sócia da produtora Maria Farinha Filmes e Luiz Alberto Oliveira – Curador do Museu do Amanhã.


18h
Exibição do filme "O Começo da Vida"
Um dos maiores avanços da neurociência é ter descoberto que os bebês são muito mais do que uma carga genética. O desenvolvimento de todos os seres humanos encontra-se na combinação da genética com a qualidade das relações que desenvolvemos e do ambiente em que estamos inseridos.


O Começo da Vida convida todo mundo a refletir como parte da sociedade: estamos cuidando bem dos primeiros anos de vida, que definem tanto o presente quanto o futuro da humanidade?


sexta-feira, 24 de junho de 2016

O que há em comum entre o pôr do sol e o teatro?




O século VI a.C. foi sem dúvida um marco no desenvolvimento cultural do planeta. Nesse período nasceu a filosofia, há o surgimento da democracia e grandes pensadores, como Confúcio e Lao-tsé, agregaram seu pensamento ao patrimônio da humanidade. Mas foi também nesse século que teria surgido, segundo certa corrente de historiadores, uma das manifestações culturais mais envolventes e arrebatadoras de todos os tempos: o teatro. A Grécia seria o seu ponto de partida, nos festivais populares em que se celebrava a chegada da primavera, época do ano marcante para esse povo, que na ocasião se entregava a manifestações como a dança, o canto e a música. Daí viria o teatro tal como conhecemos hoje, contando histórias através da interpretação de personagens.


O festival dedicado ao deus Dioniso ficaria entre os mais populares, mobilizando massas que migravam às vezes por longas distâncias até os locais onde os espetáculos se produziam, espaços que em breve seriam projetados especificamente para as encenações (o “theatron”). A cultura atualmente predominante em torno do teatro, ligando-o a expressões elevadas de arte e bom gosto, só apareceria muitos séculos mais tarde. A relação intensa dos gregos com essa arte não fazia questão de posturas que hoje diríamos “politicamente corretas”. Durante os festivais o público se reunia para opinar e julgar a qualidade dos espetáculos e podia protestar quando não agradava, e não era raro que chegasse mesmo a interromper a apresentação se o desagrado fosse muito. Mas dessa manifestação também surgiria a cultura do aplauso, até hoje um símbolo do bom espetáculo e satisfação maior de quem se dedica a essa arte. Foi a fama dos festivais consagrados a Dioniso que desvinculou as encenações de sua origem religiosa e celebrativa e as aproximou de uma atividade ligada ao prazer estético e sensual, afinal, segundo a mitologia grega, trata-se da divindade que teria ensinado aos homens o cultivo da uva e do vinho, com seus prazeres e consequências.

No início do teatro os espetáculos tinham uma considerável ênfase na música, com as peças sempre contendo grandes coros de cantores, alguns dos quais às vezes se destacando dos demais para assumirem falas e diálogos. É daí que surge a figura do ator, que aos poucos vai se transformando em um dos núcleos do espetáculo teatral, à medida que grandes textos vão sendo escritos. Téspis teria sido o primeiro grande ator reconhecido pelo público e se notabilizaria também pelo seu esforço de levar os espetáculos de cidade em cidade, podendo ser considerado por isso o precursor do teatro mambembe, que ficaria tão popular, por exemplo, na Idade Média. O advento da filosofia a partir daquele mesmo século XVI exerceria grande influência nas obras criadas para o palco, que passaram a abordar questões universais e humanas, em substituição aos temas que abordavam os deuses e passagens mitológicas.
"Culto de Dionisio", do pintor italiano Francesco de Mura (1696 - 1782)

Alguns séculos depois o teatro conheceria a sua grande capital, Atenas, na qual diversos locais de encenação seriam construídos e grandes textos e inovações teatrais seriam empreendidos, consagrando essa arte como patrimônio cultural dos gregos. Nesse momento de apogeu das artes cênicas começam a se definir aquilo que atualmente denominamos de gêneros teatrais, classificações que não tinham importância nem sentido no contexto grego. As tragédias não demorariam a se destacar como estilo superior e que gozava de grande respeito do público, tanto por abordar em seus primórdios os temas religiosos e a vida de grandes heróis nacionais, quanto pelo caminho que viriam posteriormente a tomar, focalizando as paixões, dores, sofrimentos e questões humanas, sempre com a finalidade de “purificar” e/ou “moralizar” o espectador.

Sem contar com o conceito elevado destinado às tragédias, as comédias ganham também seu espaço, entre outras coisas por manter a mesma função moralizante, mas trabalhando com uma outra gama de elementos, mais identificados com o riso e a leveza. Ali ocorria a crítica de comportamentos e posturas que, sendo comuns nos seres humanos, eram retratados com toda a carga do ridículo e do jocoso, muitas vezes se encarregando de colocar em foco personagens que representavam pessoas ilustres da sociedade, políticos e governantes. Esses dois gêneros básicos do teatro grego estavam nos festivais bastantes relacionados aos atores, que em algumas celebrações tinham que encenar, cada um, textos dos dois gêneros, a comédia em geral encerrando as apresentações, reforçando o caráter de divertimento e alegria que afinal era o sentido dos grandes festivais de teatro. Essa versatilidade dos textos e de atores ajudaria a consolidar alguns outros gêneros, como as sátiras, tragédias mais curtas recheadas de humor e ironia, e as tragicomédias, nas quais as figuras ilustres e prestigiadas que apareciam nos grandes textos dramáticos apareciam vivendo situações irrisórias e ridículas.

Mesmo com o declínio do mundo antigo e o advento da cristandade, o teatro prossegue como uma arte de forte apelo popular, principalmente porque as temáticas tradicionais do teatro grego dão lugar a temas que igualmente mobilizam as massas, como os religiosos. Há um declínio da produção de textos dramatúrgicos porque passagens bíblicas ou relatos da vida de santos vão se consolidando como roteiros de encenação, daí surgindo as tradicionais versões teatrais da Paixão de Cristo, que se popularizariam pela Idade Média e persistiriam até hoje. Apesar de o teatro daquele período receber grande apoio da Igreja, não deixou de se desenvolver ao mesmo tempo uma arte cênica de caráter profano, onde as peripécias cômicas e irônicas das antigas comédias gregas davam lugar a manifestações de espetáculos onde o burlesco e até o malicioso estavam presentes, representando a irreverência popular do homem comum medieval e ao mesmo tempo servindo de contraponto satírico à severidade de costumes imposta pela Igreja. Na Idade Média o teatro recupera em parte alguns aspectos de sua origem na Grécia antiga, com as peças pouco a pouco deixando de ser realizadas no interior de templos religiosos e sendo encenadas nas ruas, praças e mercados, se configurando como uma arte eminentemente popular. A modernidade, a partir do Renascentismo, buscaria recuperar a força dos grandes textos cênicos da antiguidade, colaborando para a imortalização de autores e obras até hoje encenadas pelo mundo, como as tragédias de Sófocles ou Eurípedes, e as comédias de Plauto e Aristófanes. Obras que se consolidaram como universais, que partindo do contexto da Grécia do século VI a.C. atravessaria toda a história do Ocidente sem perder a sua principal característica, a de arte onde o predomina o humano, que nos palcos de todo o mundo se vê e se reconhece.
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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Nem adianta espernear! Os refrigerantes vão desaparecer dos colégios




Fabricantes vão deixar de distribuir refrigerantes para cantinas escolares. A decisão conjunta foi acertada entre os maiores fornecedores brasileiros, as gigantes Coca-Cola, Ambev e PepsiCo., que criaram uma política comum de venda para os colégios. O compromisso vale para todo o país a partir de agosto, quando os estabelecimentos retornam do recesso escolar.

Na verdade, a decisão vem de uma pressão internacional, com forte eco aqui no Brasil, motivada pelo crescimento da obesidade infantil e da conscientização quanto à importância da alimentação saudável. Da mesma forma que as empresas apenas se anteciparam a vários projetos de lei que estão sendo apreciados nas três esferas de governo com relação ao cardápio escolar. E essas restrições não atingem somente as bebidas. Na última década passou a fazer parte das discussões entre educadores e nas reuniões com os pais a preocupação com a reforma do menu servido nesses ambientes.

Na prática é a conscientização dos professores, diretores e funcionários que vai propiciar a mudança de cultura. Isso porque as fabricantes vão poder restringir apenas os estabelecimentos que possuem contrato direto de encomenda, ficando fora do crivo as que fazem suas compras em terceiros, como supermercados, redes de atacado e distribuidores.


Proibido para menores de 12 anos
O veto vale apenas para estudantes até 12 anos. No comunicado conjunto, as empresas reconhecem que crianças abaixo desta faixa etária ainda não têm maturidade suficiente para tomar decisões de consumo e, no momento do recreio, os alunos têm acesso às cantinas sem a orientação e a presença de pessoas mais velhas. “Dessa forma as companhias entendem que devem auxiliar os pais ou responsáveis a moldar um ambiente educacional que facilite escolhas mais adequadas para crianças em idade escolar, assim como estimular a hidratação e a nutrição, contribuindo para uma alimentação mais equilibrada”, informa o comunicado que começa a ser enviado para os diretores de colégios.


Propaganda também restrita
Mas se engana quem pensa que as discussões estão restritas ao interior dos muros escolares. Desde março, a Associação Brasileira de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir) passou a recomendar às indústrias associadas que suspendessem a propaganda de seus produtos voltados para crianças. Aqui no Brasil elas ainda esbarram nas atuais discussões sobre publicidade infantil. Porém, essa medida não tem nada de inovadora. Ela apenas vem seguindo uma tendência mundial das próprias fabricantes, que são multinacionais.


Fabricantes não devem ter prejuízo
Mas isso não quer dizer que as indústrias abriram mão do grande mercado estudantil. As cantinas não ficarão desabastecidas de bebidas, muito pelo contrário. Com a queda mundial do consumo de refrigerantes (5,9% em 2015), as gigantes do setor têm avançado na inclusão de outros produtos ao seu portfólio. Desta forma, ao mesmo tempo em que elas informam aos diretores e responsáveis pelas cantinas a suspensão dos refrigerantes, elas já oferecem como contrapartida novas opções incluídas em seu mix. Portanto, já começam a negociar bebidas mais saudáveis como água mineral, suco com 100% de fruta, água de coco e lácteas, que atendam aos critérios nutricionais específicos.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Brasil fica em último lugar em disciplina escolar





























Todo professor sabe do que estamos falando. “Fulano, senta”. “Não pode falar ao celular”. “Beltrano, nem trocar mensagens”. “Gente, faz silêncio!”. “Agora não é hora de brincadeira”. “Vocês não estão ouvindo a chamada? Vou lançar falta!”.

Uma pesquisa internacional mostra que essa situação não é exagero do profissional de ensino, muito menos uma situação rara, assim como são indiferentes a idade ou o grau dos alunos. Esse quadro segue do ensino fundamental à graduação. Brasil último lugar em disciplina.

Com isso, o professor gasta 20% do tempo em sala de aula tentando manter a disciplina (me perdoem a ambiguidade). Ou seja, 1 em cada 5 minutos é desperdiçado para chamar a atenção dos alunos (no mau sentido). A situação é tão crítica que o Brasil está em último lugar entre os 32 países pesquisados pela Talis – Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, coordenada mundialmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Campeão em perda de tempo: o que sobra para a aula?

Aumentando ainda mais o desperdício, outros 12% do tempo são gastos com questões administrativas, como: chamada, registro de conteúdo ministrado na pauta e lançamentos de notas. Esse tempo pode aumentar se levarmos em conta que, com a informatização em boa parte das escolas, convivem simultaneamente as pautas física (escrita) e a virtual (on-line). Isso sem contar a fase de correção de provas e trabalhos ou de preparação de aula. Sendo assim, sobra apenas 67% do tempo para ministrar o conteúdo programático. Ou seja, figuramos como campeões em perda de tempo.


60% dos professores já sofreram ou presenciaram agressões

Seis em cada dez professores brasileiros ouvidos no estudo internacional disseram que pelo menos 10% dos alunos são agressivos com colegas e mestres, chegam atrasados e cometem outros tipos de delito. Com isso, também figuramos no topo da lista de alunos-problemas. Só com relação à intimidação verbal, 12,5% dos professores disseram já ter sido vítimas.


O índice de alunos que chegam atrasados é de 51,4%, enquanto o daqueles que faltam atinge 38,4%. Já em relação a vandalismo o país figura em segundo lugar, perdendo só para o México.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

I Fórum Mal-Estar na Adolescência: corpo, sexualidade e relações na escola


























Falar sobre sexualidade e outras questões ligadas a diversidade e gravidez em sala de aula, e ao mesmo tempo orientar e contribuir com os estudantes em suas inquietações acerca do tema, nem sempre é tarefa fácil para nós professores. Visando a construção de práticas mais dialógicas, o Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares (NIAP), por meio do Centro de Estudos Juventude e Escola, promoverá o I Fórum Mal-Estar na Adolescência: corpo, sexualidade e relações na escola.

Voltado para os profissionais da rede municipal de ensino, o fórum terá como dinamizadores uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, assistentes sociais e professores. De acordo com os organizadores, além de ser um espaço em que a troca de experiências ganhará um papel de destaque, o evento visa, de forma acolhedora, ampliar e promover a discussão entre os profissionais de educação municipal de ensino do Rio de Janeiro.

Através dos temas propostos, questões serão levantadas entre os educadores, levando-os a uma tomada de posição, a fim de que possam, de forma mais eficiente, auxiliar os educandos acerca das indagações da adolescência com foco na sexualidade e seus desdobramentos no cotidiano escolar.

O Fórum ocorrerá no Centro Administrativo São Sebastião, nos dias 16/06, 21/07, 22/9 e 27/10. As inscrições também podem ser feitas pela internet ou no local do evento no Centro Administrativo São Sebastião (CASS), Rua Afonso Cavalcanti, 455, subsolo – Cidade Nova, Rio de Janeiro/RJ, das 9 às 12 horas.

21/07/2016 – As expressões da sexualidade nas escolas: diversidade sexual, gênero, preconceito e discriminação – lidando com as diferenças;

22/09/2016 – A exposição do corpo nas redes sociais: limite entre o público e o privado;
27/10/2016 – O lugar da sexualidade na educação: pensar para além do currículo.



Inscrição e mais informações: http://www.rioeduca.net/blogViews.php?id=5462


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Santo Antonio de Pádua: ícone popular no Brasil

Imagem: Debora Mancilla
Santo Antonio nasceu em Lisboa, em algum momento entre os anos de 1191 e 1195, e foi batizado com o nome de Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo. Alguns biógrafos afirmam que sua família descendia de Godofredo de Bouillon, um dos líderes da primeira Cruzada, no século XI, que teria sido o primeiro a governar a Terra Santa tomada dos muçulmanos. Mesmo sendo de uma origem nobre e abastada, o jovem Fernando muito cedo deu mostras do seu pendor para os estudos e demonstrou sua tendência à vida monástica. Resolve então abrir mão dos títulos de nobreza herdados de família e dedicar-se à vida religiosa. Já adolescente, ingressa no mosteiro de São Vicente de Fora, vinculando-se à Ordem de Santo Agostinho. Essa instituição se caracterizava por valorizar a meditação e a penitência, mas também investindo na tarefa de propagação da doutrina cristã, principalmente para as populações dos centros mais desenvolvidos da Europa. Nessa Ordem influente e prestigiada na época, Fernando teve oportunidade de receber excelente formação teológica, aprofundando-se principalmente no conhecimento das Escrituras, campo em que seria sempre uma referência para todas as comunidades religiosas com quem veio a conviver. Ali aprendeu também a desenvolver o seu inato talento para dirigir-se às massas, o que consolidou a fama de grande e requisitado pregador do Evangelho que manteria ao longo da sua atividade religiosa.

Um marco importante ocorre quando ele resolve trocar a Ordem de Santo Agostinho pela franciscana. A mudança foi motivada pelo conhecido acontecimento histórico dos cinco mártires do Marrocos, quando no ano de 1219 um grupo de jovens religiosos foi severamente seviciado no Oriente por defenderem a fé cristã em ambiente de predomínio do Islã. Daí em diante o religioso se lançaria à intensa dedicação que o tornaria uma das figuras mais populares do mundo cristão. Um bom exemplo disso são os escritos denominados Fioretti de Santo Antônio (em analogia com os Fioretti de São Francisco de Assis, que têm a mesma finalidade), que consistem em narrativas populares sobre feitos dos santos. São a prova da imensa popularidade de Santo Antônio, conquistada não apenas frente às grandes massas como também perante a própria igreja por suas muitas colaborações, como a que ocorreria durante a grave crise envolvendo os albigenses, cujas teses seriam refutadas brilhantemente pelo religioso, como relatam as histórias eclesiásticas, numa prova inconteste da erudição e da capacidade retórica que apresentava como sacerdote. Mas seria no Brasil que Santo Antonio se converteria numa figura histórica que muito simbolizaria a singular relação do povo com as questões religiosas ou teológicas. Basta citar a ironia de um frade de orientação franciscana ser identificado com uma figura propiciadora de vitórias em conflitos militares. A confiança no santo para as situações bélicas fica bem explícita, quando se percebe que Espanha, Portugal e Brasil o incluíram nas suas fileiras como valioso reforço para as guerras de que participaram. Em 1668, D. Pedro II (o lusitano, não o brasileiro) expediu decreto ordenando que o santo sentasse praça como soldado, no 2º regimento de infantaria. Como se vê, começou de baixo sua carreira militar, mas em 1780 já havia atingido a patente de capitão. Porém foi no Brasil que a atuação de Santo Antônio nos campos de guerra mais ganhou vulto. Durante o Brasil Colônia vários estados lhe ofereceram patentes, nas mais diversas especializações. Foi tenente de artilharia em Pernambuco e capitão de cavalaria em Vila Rica. Através de decreto expedido em 1814, D. João, futuramente D. João VI, promovia Santo Antônio a tenente-coronel de infantaria. O grande feito militar do santo em terras brasileiras havia ocorrido no início do século anterior, com a invasão do Rio de Janeiro pelo almirante francês Duclerc em 1710. Quando a situação parecia insustentável, o governador Francisco Castro Menezes mandou que a imagem do santo fosse mostrada do alto do convento a ele consagrado (no hoje Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro), com a finalidade de apontar os caminhos aos que defendiam a cidade. O fato é que o que parecia perdido foi recuperado, e a cidade não passou para o domínio francês. Vale dizer que todas essas promoções militares recebidas eram acompanhadas de seus respectivos soldos, que aliás o santo só deixaria de receber quando foi “reformado” por um decreto do Marechal Hermes da Fonseca, logo após a proclamação da República.
"Santo Antonio de Pádua com Cristo criança", do artista barroco espanhol Antonio Pereda (1611 - 1678)



Aliás, foram muitas e criativas as “adaptações” de Santo Antonio na cultura brasileira. Já o padre Antonio Vieira, numa pregação em 1633, dizia em tom de advertência: “Se vos adoece o filho, Santo Antonio! Se vos foge o escravo, Santo Antonio! ...E talvez se quereis os bens alheios, Santo Antonio!”. Outro exemplo que ilustra esse “desencaminhamento” do santo pelas práticas populares encontramos no hábito de alguns senhores de engenho no Brasil colônia de invocar os préstimos de Santo Antônio para ajudar na captura de escravos que fugiam do cativeiro e dos maus-tratos de que eram vítimas nesse triste instituto que vigorou por muito tempo em nosso país que foi a escravidão. Não se podem também deixar de lado as “maldades” impetradas à imagem quando o devoto que ver seu pedido atendido. Uma das mais frequentes é a retirada do menino Jesus do colo de Santo Antônio, uma das mais comuns simbologias do santo. Acredita-se assim que, separado da bela criança, Santo Antônio haverá de aumentar seus esforços para que o devoto encontre o companheiro, já que deverá fazer de tudo para recuperar a honra de segurar o menino Jesus. Santo Antonio se transformaria no santo mais popular do Brasil, compondo a tríade de personagens cristãos celebrados em uma das maiores festividades profano-religiosas do mundo, como são os festejos joaninos. Uma devoção que, trazida pelos portugueses, permaneceu ao longo de todos os séculos da colonização e de abrangência em todas as regiões brasileiras. Mais que uma devoção ou artigo de fé, uma cultura.

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

A verdade sobre a "Loura do Banheiro"

Sem dúvida nenhuma: é a lenda urbana mais forte no Brasil, que de tempos em tempos ressurge como uma fênix, com uma nova roupagem, mas a essência continua a mesma. A “Mulher Loura”, como é conhecida no Rio, uma redundância em gênero que deixa os professores de português de cabelo em pé. Porém, na verdade ela assusta mesmo é gerações de estudantes. Certamente muitos professores que hoje tentam, em vão, acalmar seus alunos e desmistificar já foram aterrorizados por ela, um dia, quando frequentavam as carteiras escolares. A histeria coletiva chegou ao ponto de casos de escolas que suspenderam as aulas até que os alunos se acalmassem.


Evitar o banheiro a todo custo
Para os professores um trabalho a mais. Muitos não iam ao banheiro sem que a professora fosse junto. Outros formavam grupos para seguirem coletivamente. Não era raro alguns prenderem suas necessidades esperando voltar para casa. Isso, quando não acontecia o pior, ao não resistirem a todo esse tempo de abstinência. Nunca vou me esquecer do meu contato com a “Loura do Banheiro”. Na verdade, nunca tive essa miragem, mas sua lenda me resultou num trauma escolar bem real. Me lembro que, quando tinha uns 7 anos, acabei entrando para a lista dos que não aguentaram esperar a volta para a casa. Sofri bullying por um bom tempo por isso, numa época em que essa expressão ainda nem existia.


Versão atual ganha comunidades no Facebook
Em algumas das fases da lenda, a Mulher aparecia com algodão no nariz hipnotizando a criança para que ela o tirasse. Numa versão mais imaginativa ela não se materializava, mas sua imagem era refletida no espelho, um fenômeno inverso do vampiro, outro personagem sobrenatural. Com o aumento da violência, ela já surgiu até como sequestradora de crianças. Hoje, nada mais natural que evoluísse para as mídias digitais, sendo algumas das comunidades criadas: “Quem nunca teve medo da loira do banheiro?” e “Eu amo a loirado Banheiro”.


Nas páginas de jornais
Porém o fato tem tamanha relevância que já resultou em muitas reportagens de jornais. O jornal paulista foi um dos que mais explorou a lenda para alavancar suas vendas. Suas aparições foram cobertas em série, como capítulos de novela.


Do espelho para a telona
A história já serviu de roteiro para duas produções cinematográficas. No suspense “Catarina - A Lenda da Loira do Banheiro”, uma estudante tenta vencer um trauma ao fazer um documentário sobre a história de Maria Augusta. Dirigido por Marcos Otero, demandou uma pesquisa de três anos. A receptividade foi tanta que o produtor pensa em estender para uma trilogia.

Já uma produtora independente de Guaratinguetá também está rodando um filme sobre a mesma temática. A proposta inicial era apenas usar o fantasma da “loira do banheiro” como coadjuvante de um filme. Mas com a grande repercussão, ela rapidamente ganhou o papel de protagonista.



Loura do Banheiro em carne e osso
Vários historiadores e paranormais fizeram estudos sobre o caso e a versão que surge como mais coerente é a que relaciona a Loura do Banheiro a uma personagem de carne e osso, a socialite Maria Augusta de Oliveira, que nasceu em 1866. Filha de um empresário da nobreza foi prometida num casamento arranjado pelo pai a um milionário 21 anos mais velho.

Com apenas 14 anos de idade, acobertada pela mãe, foge para Paris, onde misteriosamente morre. Diz a lenda que, no momento em que perde a vida, um espelho quebra-se na casa da família em Guaratinguetá. Uma empregada da mansão colocou ainda mais lenha na fogueira afirmando que viu a imagem da jovem refletida antes que o objeto espatifasse sozinho, daí muitas versões da aparição estarem ligadas ao reflexo espelhado.

O corpo foi transladado para o Brasil, daí a justificativa para o algodão no nariz e a boca branca, elementos presentes em várias versões dos relatos fantasmagóricos.


Fatos inusitados envolvendo o corpo
No navio, o caixão de Maria Augusta foi violado. Ladrões queriam as joias, que estavam junto ao corpo. O enterro demorou meses até que a família construísse uma capela no quintal da residência, ficando o corpo guardado no próprio quarto que pertenceu à jovem. Para aumentar ainda mais o mistério, seu atestado de óbito desapareceu misteriosamente do Cemitério de Guaratinguetá, levando consigo a real causa da morte. Mas isso não impede que o mausoléu onde corpo está enterrado seja o mais visitado daquela cidade.


Casa vira colégio

Em 1902 a mansão onde residiu a família tornou-se a Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves. Logo de início já eram atribuídos a ela barulhos e objetos que se moviam sozinhos como a torneira do banheiro. Menos de 15 anos depois o casarão pegou fogo de forma estranha, mas não foi capaz de sepultar o fantasma. Mesmo depois do prédio ser reconstruído, a lenda seguiu viva.


Como está o colégio hoje
No estabelecimento abrigado na antiga mansão, a história é tão forte que ficou marcada como um capítulo à parte na publicação comemorativa pelos 90 anos da instituição de ensino em que traz, inclusive, uma carta escrita pelo historiador Carlos Eugênio Marcondes de Moura, parente distante de Maria Augusta, contando sobre a vida e os fatos sobrenaturais em torno da moça. Embora tenha sido publicado em 1992 é uma das obras mais consultadas por alunos, professores e historiadores na biblioteca do colégio paulista até hoje.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Mesas em sala de aula são transformadas em bilhetinhos de incentivo

Uma professora da 5º série diminuiu a pressão da turma no dia da prova colocando mensagens personalizadas de incentivo escritas nas mesas de cada um dos seus alunos. Ao perceber que muitas crianças deixavam de dormir e outras não conseguiam se acalmar durante a prova, Chandni Langford, que leciona para alunos de 9 a 11 anos nos EUA, decidiu inovar com os bilhetinhos gigantes para diminuir o estresse entre os estudantes.

Em uma das mensagens, dedicada a Lis, diz:
Lis, lembre-se: não existe elevador para o sucesso, você precisa subir pela escada! Você consegue!

Para Yovani:
Não dá para dizer que vai ser fácil, mas vai valer a pena! Faça o seu melhor!

A prova não é feita “para a professora”, mas é sim algo entre o aluno e a matéria. A educadora fica como alguém que dá suporte e não como autoridade. Por isso, a iniciativa vai muito além do gesto simpático de incentivo, que pode até fazer uma enorme diferença no desenvolvimento dos estudantes. É uma excelente oportunidade de se estabelecer, logo de cara, desde novinhos, uma relação mais tranquila com momentos de pressão, algo que pode se tornar engrandecedor na vida futura de cada uma dessas crianças, em diversas situações. São atitudes extremamente simples e fáceis de se fazer, mas muito impactantes.

E você professor, que tal estimular seus alunos produzindo mensagens de incentivo para eles? Sabemos que no Brasil é proibido escrever nas carteiras, mas você pode elaborar os recadinhos em papéis estilo Post-it. Depois que você realizar nos envie um e-mail (redacao@appai.org.br) até 10/06 contando como foi a experiência. Ficaremos aguardando. Até mais!


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Como a igualdade pode ser incômoda

















O fortalecimento da Atenas do século V a. C. representou uma importante guinada no desenvolvimento da filosofia, inaugurando um período que os historiadores do pensamento grego normalmente denominam Antropológico, porque representa um importante movimento: o pensamento filosófico deixava de se debruçar apenas sobre as questões da Physis, isto é, a natureza e seus mistérios, e passava a ter como campo de reflexão o ser humano e seus muitos aspectos. Alguns autores também dão a esse período o nome de Socrático, porque é também o da ascensão de um dos maiores pensadores da humanidade, que inaugura uma visão da filosofia que ficaria reconhecida como “clássica”, tal a sua influência no modo de pensar e compreender, principalmente no mundo ocidental.

Dentre as muitas contribuições de Sócrates para a filosofia uma se destacaria pelo seu conteúdo altamente reformador, a democracia, que o filósofo se esforça para pôr em prática numa Atenas que vive o seu apogeu, com intensa atividade em vários campos, como o comércio, as artes e as práticas militares. Outro traço importante daquela que hoje é a capital da Grécia era a grande valorização da cultura, que levaria o período a ser conhecido como o Século de Péricles, com referência ao governante da cidade que muito estimularia a produção intelectual e artística.

Morte de Sócrates, de Giambettino Cignaroli (1759).















É nesse cenário de intensa efervescência do pensamento que Sócrates traz para o debate a consolidação dos princípios da democracia, propondo em primeiro plano a ideia de igualdade, como um conceito atribuído a todos os participantes da polis. Mas é necessário considerar que esse “todo” faz referência apenas aos homens adultos, únicos que no entender do filósofo apresentavam condições de tomar as decisões atinentes aos destinos da cidade. Estavam assim excluídos os chamados “dependentes”, que englobavam as mulheres, os escravos e os estrangeiros. A participação democrática, segundo preconizava Sócrates, deveria ser exercida de modo direto, com cada um podendo exprimir sua opinião e convencer os demais quanto à sua razão nos mais diversos assuntos envolvendo a coletividade.

Naturalmente que ascensão da democracia não haveria de ser aceita sem choques com o pensamento tradicionalmente dominante na Grécia. Nesse caso, o conflito deveria ser travado com as famílias tradicionais, grandes possuidores de terras e até então detentores do poder, cujas noções de sociedade eram provenientes da chamada Grécia Homérica, em referência às obras do grande poeta, dos quais se retiravam os valores e as virtudes a serem seguidas pelas pessoas das classes mais abastadas. As obras épicas de Homero, principalmente a Ilíada e a Odisseia, narravam um período de aproximadamente 400 anos de história e, mesmo se tratando de obras literárias, tinham status de história pregressa da nação, e por isso serviam de base para a educação dos filhos das famílias poderosas. Elas preconizavam uma formação voltada para a força corporal e a destreza bélica, requisitos presentes em heróis épicos, como Achiles e Ulisses, que podiam dessa forma representar a Grécia nos confrontos com nações adversárias, e por sua vez eram o retrato dos valores preferidos dos deuses.

À medida que a democracia se fortalece em Atenas e as famílias até então dominantes vão perdendo poder, esse modelo vai entrando em declínio e abrindo espaço para uma outra escala de valores. Ao invés de força e coragem, o cidadão que constrói a democracia precisa deter habilidades como conhecimento, inteligência e oratória, requisitos fundamentais para vencer nas tribunas, onde passam a se dar os embates nacionais. Essa transformação concorreria para trazer à tona outros personagens: os filósofos sofistas, que atacavam os antigos pensadores que se dedicavam a especular sobre a natureza, e pregavam uma atividade filosófica voltada principalmente para persuadir, isto é, deter a capacidade de envolver o opositor nos debates de ideias e assim impor suas visões a todos os demais cidadãos. Os sofistas começaram a ter bastante destaque pois foram sendo considerados fundamentais para a formação dos jovens, sendo frequentemente contratados pelos mais abastados para educar os filhos e prepará-los para o êxito nas arenas democráticas.

O advento da atividade filosófica sofista encontraria seus limites exatamente em Sócrates, que entenderia suas práticas como algo extremamente prejudicial porque desviava as pessoas daquilo que o filósofo considerava a maior das virtudes, a plena identificação com o belo, o bom e o verdadeiro, noções que, segundo o filósofo, estariam presentes na natureza de modo absoluto, se configurando como a maior finalidade da existência. Daí a consagração da famosa frase socrática: “Conhece-te a ti mesmo”, que em homenagem ao pai da filosofia clássica, ficaria gravada no pórtico do templo consagrado a Apolo, o deus da sabedoria. Levando os jovens a vencer a qualquer custo, os sofistas os estariam aproximando da mentira e do erro, e desviando-os do amor pela sabedoria.

As circunstâncias históricas e a morte heroica de Sócrates – levada a efeito pelas elites gregas, quando percebem que os jovens por ele ensinados passam a representar o “perigo” de pensar – acabariam por concorrer para o fortalecimento dos ideais filosóficos clássicos. A obra de Platão, seu mais ilustre discípulo e propagador de suas ideias, acabaria por consolidar na história do pensamento várias de suas preocupações intelectuais, como a valorização da reflexão sobre as questões éticas e políticas, a confiança no homem como ser racional, capaz de traçar os próprios caminhos, e a busca inesgotável por atingir as virtudes humanas, uma visão que seria fundamental para o estabelecimento da cultura cristã, que séculos mais tarde se consolidaria na mentalidade do ocidente.

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