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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Quantos são quatro mais três? Pensando fora da calculadora…






























Na coluna da semana passada conversamos sobre a diferença entre Competência e Desempenho, baseados nas ideias do sábio Moretto*. Hoje vamos dar sequência ao tema destacando para o modelo criado por Vasco Moretto para explicar o conceito de competência aplicada aos professores. Como Vasco é adepto das ideias do estudioso russo, Vygostsky, ele chamou o seu trabalho (de forma criativa e humorada) de Modelo Waskowsky Morettowsk, para homenagear o russo.

Observe a imagem que representa o Modelo de Vasco:



















Para que eu possa explicar o modelo Waskowsky Morettowsk, vamos recordar o conceito de competência elaborado pelo próprio Moretto. Competência é “a capacidade de um sujeito de mobilizar recursos visando abordar e resolver situação complexa”. E é o próprio Moretto que pergunta e responde: Quais são as situações complexas que o professor necessitará resolver em sua profissão? São três: Planejar aulas, Ministrar aulas e Avaliar a aprendizagem. Ele enfatiza que é preciso que o professor seja competente nessas três situações complexas. Mas, para resolver as situações complexas, ele necessitará desenvolver alguns recursos, que conforme o modelo de Moretto são cinco. O primeiro deles é: 1) CC=Conteúdos Conceituais, isto é, o professor precisa dominar os conteúdos, portanto não pode parar de estudar, precisa estar sempre se atualizando, pois a sociedade mudou, os alunos mudaram, o contexto está em transformação constante! Se você estuda sempre, mantém o desenvolvimento da sua competência. Ele ressalta que: “Aprender é construir significados” e “Ensinar é oportunizar essa construção”. Importante compreender que aprender bem envolve ser um “gestor da informação e não um mero acumulador de dados”.

O segundo recurso é: 2) H=Habilidade, que é um componente da competência. Moretto pergunta: “Se eu desenvolver uma quantidade enorme de habilidades serei competente?”. E a resposta é: “Não”. Habilidade significa “saber fazer”, porém a competência é algo mais amplo, pois requer de você pensar e fazer. Vamos abrir um parêntese aqui. Moretto ressalta que a escola que frequentamos privilegiou, e muito, o desenvolvimento de habilidades e não da competência, e por esse motivo estudamos, por exemplo, o que são números primos (decoreba) e não sabemos nem o que é e muito menos para que servem. Habilidade por si só não desenvolve competência.

Ele apresenta, então, o próximo recurso necessário ao desenvolvimento de competência para o professor: 3) L= Linguagem. Esse atributo encerra um pilar muito importante, que é: “Nenhuma palavra tem sentido em si mesma, quem lhe dá o sentido é o CONTEXTO no qual é utilizada. E, para ilustrar a sua fala, Moretto nos dá um exemplo. Ele apresenta uma frase e pede que você a pontue com duas vírgulas e um ponto, dando sentido a ela. Observe-a sem a pontuação completa: “Maria toma banho porque sua mãe disse ela que pegue a toalha”. A frase sem a devida pontuação está sem sentido!

Agora, observe a sentença pontuada corretamente e perceba a diferença: “Maria toma banho porque sua (suor). Mãe, disse ela, pegue a toalha”. Esta brincadeira com as frases nos mostra que a palavra só tem sentido no contexto. Por isso, a linguagem (o que falo e como falo) faz toda a diferença para o aluno. Um dos maiores problemas com a linguagem acontece em momentos avaliativos, em que o professor faz uma pergunta ampla, sem contextualização, esperando a resposta do que não perguntou. Exemplo disso é a seguinte pergunta, feita por uma professora para uma prova: “Como é a organização das abelhas numa colmeia?”. As respostas foram as seguintes: É ótima; É joia; É maravilhosa. De fato, o que a professora queria saber era: Escreva a função de, ao menos, quatro grupos de elementos da colmeia. Portanto, é preciso pensar bem como comunicar esse conteúdo, a linguagem é fundamental!

O quarto recurso que precisamos para desenvolver competência são: 4) VC=Valores Culturais. O professor precisa buscá-los naquele contexto em que vive. Moretto destaca que: “Os valores culturais estabelecem âncoras para a linguagem e para a construção de representações. Toda situação complexa está relacionada a valores culturais, que devem ser analisados, compreendidos e respeitados. Deles derivam a ética e a moral dos grupos sociais”.

E, por fim, o quinto recurso necessário ao desenvolvimento de competência para o professor: 5) AE=Administração do Emocional. É fundamental saber lidar e administrar o seu emocional. Aquele que não se conhece e não sabe como controlar o seu emocional pode levar a cabo a sua competência. Vasco ilustra a explicação dando exemplo de um jogador de futebol que treina muito, mas na hora da jogada perde a cabeça, chuta o adversário, recebe falta, acabando por perder a jogada.

E, para finalizar a explicação do Modelo Waskowsky Morettowsk, temos na imagem um último elemento ainda não apresentado, que são os “e” espalhados por toda a área, como uma espécie de pano de fundo do desenvolvimento de competência. Sim, é exatamente esse o sentido do “e” de ética profissional. Moretto afirma que você pode ter conhecimento, habilidade, linguagem, valores culturais, pode administrar o emocional, porém, se não tiver ética, pode desviar a competência pra um caminho errado, negativo. Exemplos de pessoas com grande potencial, mas sem ética, não faltam. Então, para desenvolver competência, conforme o modelo de Vasco Moretto, é preciso investir ao mesmo tempo nos cinco recursos apresentados tendo como pano de fundo a ética, que se configura como o respeito pela profissão.

E, para finalizar a nossa conversa, vamos matar a charada proposta no título dessa coluna, aliás feita pelo próprio Moretto: Quantos são quatro mais três? Se desenvolvermos apenas a habilidade de usar a calculadora, responderemos que são “sete”, resposta óbvia, porém, para quem desenvolveu competência, haverá outras maneiras de responder. Uma delas você mesmo pode experimentar: dê quatro passos iguais em linha reta, da esquerda para a direita, isto é, você andou quatro passos em linha reta. Agora retorne pelo mesmo caminho, dando três passos em direção ao ponto de partida. E a pergunta é: Quanto são quatro mais três, nesse caso? Resposta para charada: um, isto é, quatro passos de ida, três de volta, no mesmo caminho. Resultado: um passo. Pensando fora da calculadora

Gostou da abordagem? Na próxima semana voltamos com mais conteúdo e aprendizagens pra você. Até lá!

Vasco Moretto é mestre em Didática das Ciências – Univ. de Laval – Québec – Canadá. Também é um estudioso que se debruçou sobre o tema Competência na escola.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Você professor é contra ou a favor do fim dos trabalhos de casa?














Imagina não ter mais “dever de casa” (como se falava antigamente) ou trabalho extraclasse (eufemismo atual)? Para muitos profissionais de ensino, pode ser um alívio na sobrecarregada jornada de trabalho reduzindo a elaboração das tarefas e as respectivas correções. Para outros educadores, pode representar o desmonte do processo de ensino atual, baseado na fixação e na pesquisa complementar.

Não podemos deixar de ressaltar que essas atividades “extraclasse”, principalmente nas séries iniciais, funcionam como um elo de aproximação entre os pais e o processo de aprendizado dos filhos, através do auxílio dos responsáveis na elaboração do trabalho caseiro. E ainda: essa atividade auxilia o estudante na construção de uma relação de responsabilidade e cumprimento de prazos.


Alunos comemoram essa decisão

Enquanto professores mais tradicionais defendem que a “lição de casa” possui uma função pedagógica de suma importância, para a maioria dos alunos a notícia pode surgir como uma libertação. Entre os mais conscientes, pode dar a sensação de abrir uma lacuna no seu processo de aprendizagem. E ainda, para os mais metódicos, representa um vazio em sua rotina já enraizada.

Proibição do dever de casa cria polêmica nos Estados Unidos

O fim desses complementares, que para muitos parece impensável, acaba de tornar-se realidade em, pelo menos, duas escolas estrangeiras. A diretora da Kelly Elementary School, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, acaba de anunciar a polêmica decisão. Com isso, quase 600 alunos, com idades até 14 anos, são impactados por essa mudança. A quebra do paradigma resultou em uma série de críticas dos pais. Porém a Gerente Educacional Jacqueline Glasheen argumenta que prefere uma qualidade maior do ensino do que uma quantidade de trabalhos repetitivos e muitas vezes burocráticos.

A decisão sobre a modificação desta rotina foi tomada após as escolas públicas daquele distrito norte-americano terem registrado baixo desempenho dos alunos, o que chegou a resultar numa intervenção do governo estadual. Entre as medidas tomadas pela diretora estava a de aumentar para oito horas o tempo de permanência em sala. Sendo assim, a abolição das atividades caseiras foi justificada como forma de não sobrecarregar os estudantes.

Alemanha e Finlândia já adotaram este modelo

Mas se é uma novidade nos Estados Unidos, já é uma realidade numa escola de ensino médio da Renânia do Norte, estado da Alemanha. O motivo foi o mesmo: aliviar a pressão sobre os estudantes após uma lei aumentar o tempo de permanência nos colégios. Só que lá a medida tem prazo de validade: 2 anos, até que os alunos se adaptem à carga maior, com um total de 44 horas semanais.

Na França também existem estudos e experiências isoladas neste sentido. Na Finlândia, essas atividades já foram abolidas, e a mudança não afetou os índices de desempenho educacional daquele país, que continua sendo um dos melhores do mundo.


Brasil introduziu o “dever de casa” antes dos Estados Unidos

O “trabalho de casa” foi introduzido no processo pedagógico nos anos 1930, através dos Estados Unidos, inicialmente como complemento ao método de ensino para a zona rural. Pelo menos aqui no Brasil nos antecipamos. Indícios históricos apontam que as primeiras experiências educativas promovidas pelos jesuítas, logo após o Descobrimento, já incluíam as atividades “para casa”.



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Os antigos creram nas bruxas

"O Sabá das Bruxas", de 1798, do pintor espanhol Francisco de Goya. 

As bruxas em geral são conhecidas como personagens típicos da Era Medieval, quando protagonizaram os casos mais incríveis de acusações e foram presença constante nos ritos de condenação às fogueiras. Mas a ideia de mulheres amaldiçoadas, relacionadas a poderes mágicos e malignos, é muito anterior à Idade Média. Na mitologia e na cultura gregas, por exemplo, personagens como Medeia e Circe já aparecem relacionadas a possíveis dotes sobrenaturais, que podiam ser voltados para o mal. Na cultura romana, Diana, a guardiã dos bosques e dos animais, era associada a poderes misteriosos enquanto exercia sua influência sobre as lendárias mulheres amazonas. A própria cultura hebraica, base histórica das crenças cristãs, não deixou de registrar seus casos: o Velho Testamento mostra o rei Saul, numa de suas muitas crises de dúvida e indecisão, procurando uma feiticeira de nome Endor, mesmo sendo a consulta a esse tipo de intercâmbio com o sobrenatural considerada uma grave ofensa à lei de Moisés. E até na própria Europa crenças imemoriais sugerem já a existência do que mais tarde se conheceria genericamente como bruxaria, como é o caso dos “streghe” dos povos itálicos, criaturas a quem se atribuía a prática de ritos macabros, incluindo uso de objetos como caldeirões, por exemplo.

Apesar de associadas à cultura medieval, as bruxas curiosamente seriam mais perseguidas no período que, de modo geral, os historiadores situam como o final da Idade Média, o início da modernidade, entre as últimas décadas do século XV e as primeiras do XVI. Foi justamente num período de grandes transformações, que sugeriam uma guinada cultural a partir do estabelecimento de alguns cenários importantes, que os surtos de caças a mulheres tidas como praticantes de feitiçaria registrariam seus maiores e mais impressionantes números. Alguns autores relacionam isso a uma certa perplexidade das massas diante das muitas mudanças, como a ascensão da burguesia, as notícias de outras terras e principalmente as novas faces do discurso religioso, com o fortalecimento das igrejas reformadas. Essas transformações seriam responsáveis por guerras, surtos de fome e pestes, verdadeiras calamidades que levariam os indivíduos daqueles primeiros tempos de vida moderna a buscarem no passado possíveis causas e suas soluções. Daí a crença de muitos séculos nas bruxas e suas ações demoníacas ser trazida à tona como meio de reação aos males de uma nova ordem.

Assim, a elas e seus feitiços era atribuída culpa por acontecimentos que causavam grandes transtornos. De catástrofes ambientais e econômicas, como a perda de safras, por exemplo, até naufrágios e derrotas em guerra, tudo podia despertar surtos de perseguição, nos quais ocorriam muitas condenações, em geral de mulheres que eram tidas como misteriosas, feias, as mal faladas, e aquelas a que se atribuía hábitos sexuais considerados contrários à moral. Entre 1580 e 1599, por exemplo, a cidade francesa de Triers desencadeou uma brutal perseguição a mulheres suspeitas de bruxaria, depois que duas colheitas seguidas fracassaram. O clima de animosidade se espalhava de tal maneira, que pessoas acusadas não hesitavam em delatar – muitas vezes de forma mentirosa – outras pessoas, o que acabava gerando detenções em massa, quase sempre acompanhadas de tortura, das quais extraíam muitas confissões. O resultado desse processo insano era um verdadeiro festival de fogueiras por várias partes da Europa, configurando terríveis autos de fé, que aos poucos acabaram se tornando eventos de diversão para os que escapavam. Os números finais desse cenário são estimados em aproximadamente 100 mil processos, que teriam redundado em algo em torno de 60 mil pessoas que acabaram nas fogueiras. Um dado importante é que parte da imagem negativa que se tinha a respeito das bruxas vinha da identificação delas com judeus, um dos grupos que mais seriam perseguidos naquela época. Acreditava-se, por exemplo, que durante os Shabbats, uma das principais celebrações judaicas, as atividades das bruxas se intensificavam e elas então se reuniam para planejar ações demoníacas, para as quais raptavam crianças que eram oferecidas em banquetes onde também se praticavam orgias.

Aliás, a forte perseguição que também ocorria com judeus surpreendentemente colaboraria para diminuir a incidência dos surtos de caça às bruxas. Isso porque nos países da Península Ibérica, que funcionavam praticamente como quartéis-generais da Contrarreforma, a ânsia de combater os praticantes da religião de Moisés – vistos como hereges tanto quanto os protestantes – levava a uma menor preocupação com a influência das bruxas. Essa distância levaria a que, diante dos excessos cometidos no restante da Europa, a igreja resolvesse entrar na questão. Assim, foi criado o Tribunal de Inquisição, com o objetivo de controlar os processos acusatórios, determinar como tinham de ocorrer e garantir a defesa aos acusados. Uma das modificações mais importantes instituídas pelo tribunal seria a proibição de extrair confissões mediante torturas, sendo necessária, para se empregar esse nefasto meio, a autorização de autoridades eclesiásticas superiores, que só a forneciam em casos considerados extremos.

Um capítulo à parte na história desse período foi a publicação do livro “Malleus Maleficarum” (O martelo das bruxas) em 1486. Escrito por dois aguerridos inquisidores alemães, a obra ajudaria veementemente a consolidar a teoria de que as bruxas eram parte de um grande plano arquitetado por Satã para dominar o mundo e dar fim à cristandade. Pior que isso, seria quase uma bíblia para aqueles que podiam influir em processos de perseguição às bruxas. Algumas teses bastante curiosas eram desenvolvidas no livro, como a ideia de que as mulheres ofereciam um maior poder de desencaminhar moralmente os homens devido a uma falha original em sua formação. Como foram criadas, como relata o Gênesis, a partir da costela do homem, um osso em formato curvo, já estariam predispostas ao mal porque contrariavam a virtude da retidão. É preciso frisar inclusive que a caça às bruxas foi uma prática, antes de tudo, sexista, porque foram muito raros os casos de condenação por feitiçaria envolvendo homens. O livro se tornaria um verdadeiro best-seller, no final do século XV, e um clássico dos estudos de demonologia.

A febre das fogueiras na Europa também estenderia seus tentáculos pelo Novo Mundo. As colônias inglesas na América veriam muitos casos de processos contra bruxas, culminando em 1692 com o famoso caso de Salem, relatado em livro e transformado em filme. O Brasil também não ficaria de fora, até porque as execuções de acusados de bruxaria não ocorreram em Portugal com a mesma intensidade de outros países, sendo muitas vezes feita a opção por penas opcionais, como o degredo. Como resultado disso, muitas bruxas, na verdade benzedeiras, parteiras e praticante de métodos curativos “estranhos”, foram mandadas para o Brasil. Algumas delas seriam aqui vítimas de processos de acusação de bruxaria, como uma certa Isabel Pedrosa de Alvarenga, moradora de São Paulo, que em 1767 foi encontrada portando objetos suspeitos, como bicos de pássaros e umbigos de bebês (as bruxas eram acusadas de devorar crianças). Detida e acusada de praticar feitiçaria, a mulher, que afirmava viver de esmolas, jamais admitiu sua culpa, mas mesmo assim foi mandada para Lisboa para ser julgada. Na documentação que contém o relato desse acontecimento não há nenhuma informação sobre o destino final de Isabel.

À medida que as conquistas da modernidade foram se firmando, os surtos de perseguição às bruxas e suas fogueiras foram se extinguindo pela Europa. Há ainda algumas notícias de espetáculos públicos até ao longo do século XVIII, e o último registro oficial dessa prática teria ocorrido em 1782 na Suíça. Com ele, um dos momentos mais vergonhosos da história do Ocidente Cristão. Uma longa e dolorosa página de intolerância, fanatismo e ignorância é, para lembrar o trágico destino das condenadas, literalmente queimada.


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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Desempenho escolar focado nas competências e habilidades





























Vasco Moretto é mestre em Didática das Ciências pela Universidade de Laval, Québec, Canadá. Também é um estudioso que se debruçou sobre o tema da “competência na escola”. Com entusiasmo ele abre a sua palestra no Congresso Internacional de Educação, no Rio Grande do Sul, que traz por título: “Desempenho escolar focado nas competências e habilidades”. Inicia enfatizando que o objetivo maior dessa conversa é clarear o conceito de competência e também mostrar como aplicar tais conceitos no dia a dia da sala de aula.

Moretto chama a atenção para os modismos e paradigmas próprios da educação. Salienta que de repente está em foco o Construtivismo, com Piaget, e todos se denominam construtivistas e sem entender bem o que é essa filosofia. A conclusão é que acabam por não dar o devido valor e até a achar que não há resultados nesse método.

O tempo passa e entra em moda o sociointeracionismo, com Vygostsky. Novamente os conceitos e práticas acabam se distanciando da realidade, e assim vai caminhando a educação, até que o MEC institui que, doravante, o trabalho será realizado dentro do enfoque de habilidade e competência. Mais um paradigma, mais um modelo? Essa é a especialidade de Moretto, conteúdo que ele domina e estuda, tendo sempre muitas contribuições a fazer a cerca do tema.

Logo na arrancada o palestrante pergunta: nascemos com habilidade ou nascemos com competência? Ou não nascemos com nenhuma delas? Depois de ouvir as hipóteses e opiniões de uma gigante plateia de professores, ele responde que não nascemos nem com uma, nem com a outra, mas com a possibilidade ilimitada de desenvolvimento. Ele afirma que: “Competência não se alcança, se desenvolve”. Consequente não se deve listar competências, mas buscar desenvolvê-las. Segundo ele, isso constitui um dos erros conceituais sobre o tema, daqueles que acabam afastando professores de pensar e aplicar o conceito de desenvolvimento de competências no dia a dia com alunos.

Ele próprio pergunta: então, se não devemos listar competência, o que é que devemos listar? E responde, na sequência: “A gente lista as situações complexas para as quais queremos que o sujeito desenvolva competência. É isso que eu listo e não a competência”.

E para começar a elucidar a questão conceitual ele explica que competência significa “a capacidade de um sujeito de mobilizar recursos visando abordar e resolver situação complexa”. E, depois de lançar esse conceito, Moretto chama a atenção dos educadores para que não confundam competência e desempenho, elucidando que desempenho é “indicador de competência, não garantia de competência”. Ele também reforça que “desempenho fraco não é, necessariamente, sinônimo de falta de competência”.

E, para ilustrar a sua afirmação, ele cita o professor que avalia única e exclusivamente com prova escrita e tem diante de si o aluno que apresenta características próprias que fazem dele um orador espetacular (extrovertido, fala bem), mas que não demonstra bom desempenho na escrita. Esse estudante, ao ser avaliado apenas pela escrita, estará “morto”, sem chances. Por isso, ele destaca a importância de que se ofertem formas variadas de estratégias para ensinar e avaliar, de modo que os alunos tenham chance de mostrar o seu desempenho.

Para finalizar a primeira parte deste texto, vou me valer de uma atividade prática que diferencia “desempenho” de “competência”, apresentada por Vasco Moretto, em uma outra palestra sua. Ele deu algumas alternativas (mas eu separei apenas duas) e pediu que cada um respondesse com um V para VERDADEIRO ou F para FALSO, ou, ainda, com um PS para Pode Ser (no caso de caberem as duas ideias):

1. ( ) M. Schumacher é competente para pilotar carros de Fórmula I.
2. ( ) Rubinho Barrichello é competente para pilotar carro de Fórmula I.
3. ( ) O Schumacher tem mostrado melhor desempenho que o Rubinho para pilotar carros de Fórmula I.

Observem que tanto Schumacher quanto Rubinho são competentes para pilotar carros de Fórmula I, porém o desempenho de Schumacher tem sido maior do que o de Rubinho, logo temos como gabarito 1 (V), 2 (V) e 3 (V). Compreendeu? Existem diferentes níveis de desempenho para uma mesma competência. Por isso, quando o assunto é desenvolvimento, o céu é o limite!

Na próxima terça-feira teremos mais sobre “competência” e “desempenho”, com base nas ideias do sábio e estudioso Vasco Moretto.

Até lá!




sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Hans Staden: uma incrível história nas selvas do Brasil

Gravura pintada em 1505 por Johann Froschauer, uma das primeiras imagens do Brasil.

























Desde os primeiros contatos dos europeus com os povos nativos da América as imagens de estranhamento se destacam, levando os recém-chegados a uma série de visões e julgamentos com relação ao que encontraram. Dentre essas impressões uma salta aos olhos: a identificação de atos tidos como selvagens, com destaque para a prática, para os europeus abominável, da antropofagia. Em um dos primeiros textos escritos sobre o tipo de vida dos nativos do Brasil, Américo Vespúcio já destaca algumas características que impressionam os visitantes e descreve o costume dos indígenas de devorar seus semelhantes, situando-o entre os itens que poderiam comprovar a sua inferioridade cultural. Relatada como aberração ao lado de outros aspectos apontados como positivos, a antropofagia é encarada desde o início como um hábito altamente agressivo aos costumes europeus, mas seu impacto não inibe a ideia de paraíso e de oportunidade de reconstrução de uma ordem edênica a partir do “achamento” de um mundo novo.

Os costumes antropofágicos dos nativos do Brasil só seriam reforçados como um sinônimo de perigo e de inferioridade cultural a partir da chegada à Europa de outro relato, diferente dos primeiros, de autores cronistas como Caminha e do próprio Vespúcio. Falamos das impressões registradas por Hans Staden, o aventureiro prussiano, que viveria a experiência, até então pouco provável, de ficar em poder de povos nativos brasileiros e quase sucumbir vitimado pelos seus costumes antropofágicos. Capturado por tupinambás no Rio de Janeiro em meados do século XVI, acabou submetido a todas as etapas rituais que culminavam no ato final da execução e da consequente deglutição. O seu relato acabaria funcionando como um primeiro grande documento sobre hábitos de algumas culturas do continente, sobretudo pela forma detalhada e bastante minuciosa como Staden contaria sua experiência.

A narrativa afirma, por exemplo, o fato de o prisioneiro, que mais tarde seria submetido ao ritual, receber uma esposa e poder ficar no meio da tribo, sob vigilância mas sem nenhum grande constrangimento físico, partilhando do cotidiano. Por conta disso, pôde descrever aspectos da forma de vida dos tupinambás, como o modo como subsistiam e produziam seus alimentos, a maneira com que enterravam seus mortos e suas principais celebrações religiosas. Pôde também traçar estratégias para escapar, observando no dia a dia as possibilidades. Uma delas foi tentar convencer os índios de que era de origem francesa, aproveitando-se do seu biotipo alourado e de sua barba avermelhada. Fora detido e condenado ao ritual final por estar lutando ao lado de portugueses, naquele momento vistos como adversários pelos nativos. Staden usaria toda a sua vivência de aventureiro, habituado à convivência com indivíduos de vários povos europeus, para assegurar a seus algozes que procedia de um povo amigo. Seu maior sucesso adviria, porém, de uma outra estratégia: utilizou o deus cristão como forma de impressionar os indígenas, apresentando-o como dotado de poderes que os impressionaram e assustaram. Afirmou, por exemplo, que em represália a seu sacrifício o seu deus poderia castigá-los através de grandes catástrofes naturais, como tempestades grandiosas, que sempre amedrontavam os nativos, ou mesmo enviado as temidas doenças, que tantas vidas já haviam ceifado nas muitas epidemias do Brasil do século XVI. Certa ocasião seria bastante ajudado pela sorte. Resolvera colocar na frente da choça em que se achava recolhido uma cruz feita de galhos, que apresentava como um símbolo poderoso. Os índigenas não gostaram daquilo e resolveram tirá-lo dali, mesmo sob a advertência de Staden de que esse ato poderia desagradar o seu deus. Não demorou muito para que uma chuva que durou vários dias e impediu os nativos de tocarem suas plantações intercedesse em seu favor. Os índios passaram a temer o deus cristão e hesitaram em levar adiante as etapas de execução, até que um capitão dos aliados franceses chegasse na aldeia e os ludibriasse assegurando aos líderes a nacionalidade francesa de Staden.

Em 1555, o aventureiro desembarca de novo na Europa, onde o diário com as anotações dos apuros vividos nos quase dez meses como prisioneiro dos tupinambás começa a seduzir muita gente principalmente pelas imagens relatando a forma como os sacrifícios ocorriam. Em 1557, Duas Viagens ao Brasil, como seria intitulada a obra, é lançado e se tornaria um grande sucesso. Além da narrativa de fatos por si só impressionantes, o livro também apostaria fundo na divulgação de imagens, pois seria ilustrado com muitas gravuras desenhadas a partir dos quadros descritos pelo aventureiro. Apesar do tom que ressalta a visão da supremacia ou da superioridade da cultura europeia sobre a dos nativos, a obra de Staden traz alguns pontos de vista importantes para o conhecimento da cultura do continente. Um deles é mostrar que o antropofagismo dos tupinambás não era um simples ato de canibalismo, mas possuía significados culturais e religiosos. Tratava-se de uma cerimônia com certa organização, com etapas rígidas a serem cumpridas e que conferiam ao prisioneiro algo de dignidade, pois era considerado um ato de bravura se submeter ao ritual, ao ponto inclusive de os tupinambás acreditarem que, ao consumir o corpo de seus prisioneiros, estavam também absorvendo seus dotes de guerreiro e lutador.

Mesmo assim, a obra de Staden acabaria sendo uma espécie de divisor de águas, que caracterizaria uma postura cada vez mais assumida pelos países colonialistas europeus, a de que práticas culturais como as relatadas no livro atestariam a inferioridade dos “selvagens” e justificariam que povos “superiores” se lhes impusessem como salvadores e detentores do direito de comandar e explorar. Pelos séculos seguintes, outras frentes colonizadoras além da América apostariam numa estratégia de enfatizar o suposto caráter de barbaria nos povos dominados. Ficariam banalizadas em livros e mais tarde em veículos como o cinema e a televisão as imagens de europeus sendo capturados por nativos e submetido a costumes canibais. Pintados como dispostos à violência e a atos selvagens, autóctones de outros continentes pareciam mostrar que requeriam de culturas “superiores” ações enérgicas, como a repressão física ou mesmo as guerras.

Mesmo se tratando de uma obra de forte cunho documental e, ainda que dotada de certos exageros, de um interessante conteúdo humano (o aventureiro não hesita em falar do medo e do pavor que sentiu), o livro de Hans Staden colaboraria para espalhar a visão de que o poder de culturas invasoras poderia ser justificado, motivando processos de dominação cultural, seja pela força das armas ou pela eficácia da mensagem cultural ou religiosa.


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Professor ensina matemática usando o Pokémon Go





















De professores criativos a Revista Appai Educar entende. Afinal, a cada edição é um projeto mais bacana que o outro e que serve como inspiração para os demais educadores.

E, é claro, não podemos deixar de compartilhar por aqui também iniciativas de docentes de todo o Brasil. O professor Eddy Antonini, do interior de São Paulo, publicou um vídeo em que ensina matemática usando como referência o aplicativo Pokémon Go.

O jogo, que virou uma febre mundial, pode tornar-se, para os educadores mais otimistas, uma ferramenta aliada no ensino dos jovens dentro das salas de aula.

O vídeo foi postado originalmente no canal do professor no YouTube e depois republicado em diversas páginas no Facebook.

Na aula, Eddy traz conceitos de trigonometria usando o mapa do game.

Na próxima edição da Revista Appai Educar (nº 101), vamos trazer uma matéria exclusiva na versão on-line, mostrando como os professores estão encarando esse novo desafio do uso pedagógico do Pokémon Go no ambiente escolar versus os muitos impactos negativos que o jogo vem causando entre crianças, jovens e adultos de todo o país. Aguarde!


E você, professor(a), o que achou da iniciativa? Usaria o Pokémon Go para ensinar em sala de aula?

Fonte: Catraca Livre

Como a fotografia dividiu o mundo das imagens

Fotografia registrando a viagem da família real brasileira ao Egito, em 1871.




























DDa pintura como única forma de reproduzir o que os olhos presenciavam até as modernas maneiras de registrar a realidade, a fotografia descreveu uma trajetória cercada de muitas discussões a respeito do lugar que essa atividade deveria desempenhar no cotidiano das pessoas e no engrandecimento da cultura. O inventor francês Louis Daguerre foi o primeiro a criar algo que sugerisse a substituição dos artistas como forma de reproduzir visualmente a realidade. Em 1839 é anunciado o daguerreótipo, o primeiro ancestral das máquinas fotográficas. Na verdade muitos pesquisadores autônomos já haviam trabalhado e obtido alguns êxitos em desenvolver maneiras de reproduzir a imagem.

O mérito de Daguerre foi desenvolver uma máquina que dava início ao que iria se transformar numa das características que mais colaborariam para a popularização do ato de retratar: a possibilidade de cada pessoa poder utilizar sua própria câmera e produzir suas imagens, em substituição à habilidade individual de artistas capazes de fazer isso através de seu talento. Apesar de bastante precário – a imagem era fixada numa placa espelhada, que precisava ser armazenada com extremo cuidado dada a sua fragilidade –, o método de Daguerre permitiu que a fotografia passasse a ser praticada por um número muito maior de pessoas, mesmo restritas a um círculo de indivíduos que poderia dispor do aparelho, membros das classes mais abastadas que seriam os primeiros a cultivar esse hábito.

Assim, a fotografia baseada em aparelhos nasce voltada para atividades de lazer e para o registro das imagens do cotidiano presenciadas pelo olhar humano. A partir daí outros pesquisadores colaborariam para aperfeiçoar as máquinas, tornando-as não só mais eficazes ao reproduzir as imagens, como também acessíveis a um número cada vez maior de pessoas. Destaque para Frederick Scott Archer, que obteve sucesso em técnicas que permitiram baratear a produção de fotografias, e para James Clerk-Maxwell, que em 1861 conseguiu os primeiros resultados com fotografias em cores. Poucos anos depois, Mathew Brady, junto com outros entusiastas, produziria fotos da guerra civil americana. Nascia a fotografia ligada à imprensa, e a imagem como método de informação.

Essa possibilidade técnica coincidiria com um momento de intensa atuação da imprensa como elemento participante da vida no mundo ocidental. Durante a chamada Belle Époque, os meios de comunicação escritos ocupariam um lugar de muita importância na formação e na informação dos cidadãos. Junto com essa nova forma de conduzir a vida em sociedade estimulada pelo consumo de periódicos, a fotografia apareceria não apenas como uma forma de aumentar o prestígio e a força da imprensa como também viria a abrir caminho para uma nova relação das pessoas com a vida em sociedade. A presença cada vez maior da imagem no cotidiano seria responsável também por mudanças na forma de receber a informação, com a força do texto escrito sendo contrabalançado pelo poder das imagens, muito mais objetivo, e que por isso personificava um dos mais importantes ideais do ocidente no século XIX: o critério de realidade.

Esse poder da imagem que a fotografia encerra se inscreve, nessa transição entre os séculos XIX e XX, em outra importante discussão, o da força da chamada “reprodutibilidade técnica”, tal qual abordado por filósofos como o alemão Walter Benjamin. Em resumo, a possibilidade industrial de multiplicar a imagem e torná-la acessível a um número muito grande de pessoas teria o efeito de afastar o potencial crítico na produção desse tipo de registro. Se a fotografia substitui a forma anterior de produzir imagens, realizada por artistas, ela preservaria, em sua origem, o seu valor como obra de arte. Assim, a viabilização das máquinas de fotografar, permitindo que pessoas dos mais variados perfis se transformassem em produtores de imagem, é acusada de desviar a arte de criar imagens de seu potencial crítico e reflexivo, como objeto artístico, e de convertê-la num mero objeto de consumo, passível de ser manipulado e tratado segundo leis mercadológicas, na própria estrutura do sistema produtivo. É dessa reivindicação que surge o chamado movimento dos pictóricos, que no século XIX atua no sentido de reforçar o ato de produzir a imagem como algo da alçada da criação artística.

Entre os procedimentos desse grupo no sentido de demonstrar como poderia ser a exploração artística da fotografia estava o de criar técnicas como alternativas aos principais argumentos empregados por quem subestimava o valor artístico de produzir imagens através de câmeras. Um deles era o de que a foto propiciava uma espécie de “exatidão” que limitava sua utilização criativa. Diante disso, os pictóricos propunham o uso da perspectiva aérea, que era capaz de suavizar detalhes, diminuindo a suposta rigidez da imagem. Os fotógrafos artistas também reagiram à ideia de que a imagem fotográfica falsearia os valores da natureza ao restringir as cores ao preto e branco. Nesse caso, a resposta foi o desenvolvimento de técnicas capazes de restabelecer os valores sobre a gradação claro/escuro. Uma discussão que talvez tomasse um outro caminho se naquela época já houvesse sido desenvolvida, de maneira bastante prática, a tecnologia capaz de gerar imagens em cores, o que só aconteceria em 1935 a partir do lançamento, pela Kodak, de um novo tipo de filme, os Kodachromes.


Mesmo não passando de um movimento artístico no bojo das vanguardas estéticas do final do século XIX, o ideal pictórico sobreviveria até hoje na consagração da fotografia como obra de arte ou como registro sensível e crítico de um momento, tempo ou lugar. Mas essas duas visões oriundas da popularização da fotografia se manteriam vivas até hoje e alcançariam a extrema generalização da capacidade de produzir imagens representada pelas tecnologias atualmente presentes nas câmeras embutidas em telefones celulares. A tecnologia digital, amplamente revolucionária se comparada aos métodos de produzir e manipular imagens que atravessaram a maior parte dos 177 anos de vida da fotografia, não inibiria os usos possíveis da fotografia, seja como registro despretensioso do cotidiano ou como arte capaz de capturar a poética da própria vida.

No Brasil, um capítulo importante da história da fotografia está relacionado ao imperador Dom Pedro II, um entusiasta da tecnologia que se apaixonou pela arte de produzir imagens assim que teve conhecimento da existência do daguerreótipo. A coleção resultante das fotos tiradas em registro de suas viagens internas e ao exterior constitui o maior acervo de imagens mantidas por um particular no século XIX. A família real brasileira foi provavelmente a única do mundo cujas imagens do cotidiano foram produzidas mais através de câmeras fotográficas do que de pinturas, apesar de essas também terem sido bastante empregadas.


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O que você precisa saber sobre o plástico


Você consegue pensar na sua rotina atual sem o uso de plásticos? Celular, escova de dentes, partes do carro, peças do computador, utensílios de cozinha, brinquedos de criança… tudo tem plástico e não é por acaso.

Ao longo das últimas décadas, o material entrou com peso em diversos ramos industriais (construção civil, eletrônica, embalagens, móveis etc.), substituindo metal, vidro, cerâmica, madeira e papel devido a algumas vantagens, como facilidade de transporte e de processamento, o menor consumo de energia e a grande durabilidade.


Além disso, o plástico reduz o consumo de combustível no transporte e mantém os alimentos frescos por mais tempo, reduzindo o desperdício. Apesar desses benefícios, trata-se de um material que pode causar grandes impactos ambientais se consumido em excesso e se for descartado de modo incorreto.




O que o mau uso do plástico pode gerar

Embora quase todos os plásticos utilizados para as embalagens sejam mecanicamente recicláveis, é comum a banalização de seu uso e o descarte inadequado, o que gera enormes impactos ambientais, desde o seu acúmulo em locais indevidos nas cidades à contaminação de rios e mares.







Projeto Plástico Vale Ouro

Desenvolvido em parceria com a Plastic Soup Foundation, WWF-Holanda e outros parceiros locais, o projeto nasceu com a ambição de reduzir a chegada de plástico na Baía de Guanabara promovendo desenvolvimento social para comunidades locais.


Em 2015 o WWF-Brasil e os parceiros do projeto promoveram um evento chamado designer’s day (Dia do Design), cujo desafio era criar “Soluções de Limpeza para a Baía de Guanabara” a partir de produtos de viabilidade econômica, técnica e social. Um dos participantes em destaque neste desafio foi a Matéria Brasil com o projeto da Remolda, uma unidade recicladora móvel, idealizada a partir do projeto PreciousPlastic.com.


Objetivo
• aumentar a conscientização sobre o plástico
• evitar a dispersão do plástico
• empoderar as comunidades por meio do plástico
• agregar valor ao plástico

Projeto da Remolda 

Futuro


A Remolda vai ficar no Parque Nacional da Floresta da Tijuca, onde os produtos serão fabricados e vendidos, com a verba revertida para a comunidade dos Guararapes.



O projeto da máquina é aberto e livre de patentes, de forma que qualquer um pode ter acesso para melhorar ou replicar!





Fontes: WWF-Brasil e Ecycle

Imagens: WWF-Brasil