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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pedro II abre concurso federal para professor


Segue até o próximo dia 17 as inscrições para o concurso para preenchimento de vagas para novos professores no tradicional Colégio Pedro II. São 14 cargos efetivos nos ensinos Básico, Técnico e Tecnológico. Além disso os organizadores aproveitam para criar um banco de reservas para cada disciplina oferecida.

As inscrições são somente virtuais pelo site www.cp2.g12.br. Após preencher a ficha é necessário imprimir a GRU - Guia de Recolhimento da União - e efetuar o pagamento da taxa no valor de R$ 160,00. O concurso terá validade de 1 ano e poderá ser prorrogado por igual período.

Pertencente ao Governo Federal, o Pedro II é o terceiro colégio mais antigo do país ainda em atividade, depois do Ginásio Pernambucano e do Atheneu Norte-Riograndense. O Pedro II tem 13 mil alunos que estudam em 14 campi, sendo 12 no município do Rio de Janeiro, um em Niterói e um em Duque de Caxias, além de uma unidade de educação infantil.

Salário pode dobrar com titulação profissional
O salário básico é de R$ 4.014,00 mas pode mais que dobrar, ou seja, chegar a R$ 8.639,50 no caso do aprovado ter título de doutor ou chegar a quase R$ 6 mil para os diplomados com mestrado. Por isso, faz parte da terceira fase de classificação a análise curricular do candidato. A oportunidade exige dedicação exclusiva com jornada de 40 horas semanais.

Benefícios:
Além do salário, os profissionais podem receber:
Auxílio refeição: R$ 458,00
Auxílio transporte: (opcional)
Auxílio creche: R$ 321,00 por dependente de até 5 anos
Saúde: Auxílio no pagamento do plano

Prova de Seleção
Para todas as disciplinas serão aplicadas provas escritas, contendo questões objetivas de múltipla escolha e discursivas realizadas no dia 11 de dezembro. Serão realizadas no Rio de Janeiro, Duque de Caxias e Niterói. Os horários e locais ainda serão escolhidos e portanto essas informações não constam no edital.

O processo seletivo conta ainda com uma aula teste com temática dentro do cargo pretendido. Essa etapa tem caráter eliminatório e classificatório. Esses exames serão agendados entre 30 de janeiro a 4 de fevereiro.



Vagas
As oportunidades são para 14 áreas de ensino.

Idiomas: Francês, Inglês e Português
Exatas: Informática, Desenho e Matemática
Humanas: Artes, Música, Geografia, História, Sociologia e Educação Infantil

Ciências: Biologia e Educação Física

Professores Ilustres:
Uma das marcas do Pedro II sempre foi a excelência de seus docentes. Fizeram parte de seus quadros grandes nomes nas áreas das artes, literatura, política, medicina, advocacia e outras profissões como: Arnaldo César Coelho, Aurélio Buarque de Holanda, Cecil Thiré, Euclides da Cunha, Heitor Villa-Lobos, José Veríssimo, Manoel Bandeira, além de Osório Duque-Estrada, autor do Hino Nacional.



A mística dos Lanceiros Negros

"Cabeça de Lanceiro Negro", do pintor gaúcho Vasco Machado.

A questão do destino dos negros após as lutas travadas nos campos de batalha foi um dos grandes motivos de polêmicas entre os líderes da Revolução Farroupilha. Uma discórdia que se instala nos próprios objetivos do movimento, pois enquanto alguns defendiam apenas uma república autônoma e livre do centralismo da corte, outros almejavam ir mais adiante e colocar em prática todo o ideário republicano, que incluía a promoção da igualdade plena entre os indivíduos, o que, no contexto do Brasil da primeira metade do século XIX significava dar fim à escravidão. A questão se tornaria ainda mais importante à medida que os combates militares eram travados nos campos gaúchos, uma vez que cada vez mais os afrodescendentes se destacavam por sua habilidade e efetividade nas atividades guerreiras.


Não apenas os afrodescendentes, mas também índios, mulatos e mestiços de um modo geral enxergaram na vitória do legado farroupilha a possibilidade de deixar a incômoda situação em que viviam entre os mais pobres e deserdados da então província, situação que os levaria a engajar-se de forma vigorosa nas lutas travadas pelas tropas chefiadas pelos estancieiros do Rio Grande. Nesse panorama, os afrodescendentes não tardaram a se destacar como grandes guerreiros e valentes soldados, até porque ali decidiam seu futuro, uma vez que foram recrutados com a promessa de que, triunfante a revolução, seriam conduzidos à situação de cidadãos livres. Recrutados nas estâncias e nos campos da província, a maioria ainda cativa, onde já se firmavam como trabalhadores hábeis da dura lida da atividade agropecuária e no manejo de armas, necessário para manter a paz em terras sempre vulneráveis a invasões e grilagens, os afrodescendentes gaúchos haveriam de formar um dos mais lendários destacamentos militares que participaram dos quase dez anos de conflito entre os revoltosos do Rio Grande do Sul e as tropas imperiais: os Lanceiros Negros.


Segundo muitos historiadores da Revolução Farroupilha, o destacamento formado por afrodescendentes alcançaria o status de vanguarda dos exércitos farrapos, colocando o nome do General Teixeira Nunes que chefiava os soldados, como uma das principais figuras da Revolução. Outro grande ícone das batalhas travadas em solos gaúcho e catarinense durante os anos de conflito, Giusseppe Garibaldi, não deixaria de fazer menção em suas memórias à valentia e coragem dos lanceiros, citando-os como parte fundamental na sua formação de combatente de tantas causas. Os lanceiros firmaram-se como hábeis cavaleiros, que montavam às vezes “a pelo”, como se dizia à época, ou seja, sem cela os outros apetrechos. As duras condições de vida nos campos e no cotidiano da escravidão dariam a eles capacidades e destrezas que seriam fundamentais nos campos de batalha. Eram disciplinados e dispostos a qualquer sacrifício, frequentemente dormindo ao relento, e revelaram grande habilidade com as lanças de mais de três metros que se tornariam sua marca registrada. Atacavam valentemente o inimigo com gritos que muitas vezes serviriam para abalar a confiança do adversário e podiam atacar tanto pelo chão quanto usando animais de montaria. Ficariam famosos durante os tempos de guerra os bicharás, ponchos de lá que, além de servirem como vestimenta contra o frio e a chuva e forro para dormir, também eram empregados pelos lanceiros como escudo, quando enrolados na mão contrária à que usava a lança.


Com o passar dos anos e o efeito arrasador da guerra sobre a economia e a vida dos habitantes do sul do Brasil, o conflito entraria em fase de menor atividade bélica, quando começariam a ser entabuladas as muitas tentativas de negociação de paz. É aí que a situação dos afrodescendentes que lutavam na guerra ganharia contornos de impasse. Isso porque algumas lideranças entre as tropas farroupilhas tomariam partido dos negros e firmariam pé na extinção da escravatura como ponto inegociável para os acordos entre as partes. Líderes históricos da revolução, como Bento Gonçalves e Antonio de Souza Neto, argumentavam que homens que lutaram com eles lado a lado, como verdadeiros soldados, não poderiam voltar à condição de escravos.


O Império, por outro lado, sequer admitia a hipótese de atender essa reivindicação dos farrapos, que anteciparia em muitas décadas a abolição da escravidão no Brasil. O trabalho cativo era ainda naquele momento entendido como fundamental para a manutenção das atividades produtivas do país. A possibilidade de libertar apenas os afrodescendentes que fizeram parte das tropas ou todos os escravos do território rio-grandense, como se chegou a aventar, também seria encarado como inviável pela corte, porque isso motivaria ações semelhantes em outras partes do país. O grande medo das elites brasileiras, de uma grande e global rebelião de escravos, parecia eminente caso os negros farrapos obtivessem a liberdade. Assim, estava criado o impasse.


Nos últimos anos antes do desfecho final o general Davi Canabarro, um dos generais farroupilhas que colocavam em segundo plano a questão abolicionista da revolução, assumiria a liderança e seria o grande interlocutor nas reuniões diplomáticas com membros do governo imperial, nas conversas para encontrar a solução do que seria possivelmente o maior entrave à assinatura de um armistício. Durante essa fase a figura de Canabarro ganharia importante relevância histórica principalmente pelo seu envolvimento com os acontecimentos na localidade de Porongos. Em 1844, apesar da suspensão de conflitos em virtude das tentativas de negociação diplomática da paz, uma batalha entraria para a história da revolução Farroupilha, pois o conflito terminaria numa gigantesca carnificina na qual a esmagadora maioria das vítimas era de combatentes negros. As tropas integradas principalmente por lanceiros e chefiada por Canabarro acabariam sendo desarmadas e tocaiadas por tropas imperiais surgidas de súbito. A batalha aconteceria também entre os muitos historiadores que se debruçaram sobre o conflito, alguns afirmando a traição às tropas por parte de Canabarro – um defensor ardoroso de que os farroupilhas abandonassem a questão da libertação dos afrodescendentes para que as negociações de paz avançassem –, enquanto outros sustentariam a tese de quem também o general tivesse sido enganado pelas tropas lideradas por Duque de Caxias.


Apesar de haver documentos e provas que embasam as duas teses, o fato é que, terminada a guerra, Canabarro chegaria a enfrentar um tribunal onde teve de se defender da acusação de ter desarmado parte de suas tropas – exatamente seus lanceiros –, processo que terminaria sendo arquivado poucos anos depois. O acontecimento de Porongos entraria para a história do Rio Grande do Sul como um marco da importância dos afrodescendentes não só para a revolução, como para a cultura daquela parte do Brasil. Em 2007, a Fundação Palmares se mobilizaria para imortalizar a participação dos negros nos anseios de liberdade do povo gaúcho. Na própria localidade de Porongos seria prestada a homenagem aos Lanceiros Negros e seus valentes soldados, sendo ali inaugurado um sítio arqueológico para marcar a memória dos que sucumbiram na emboscada. A data da batalha, 14 de novembro, seria incorporada à data nacional da Consciência Negra e seria assim lembrada pelos filhos do Rio Grande do Sul.


O destino dos Lanceiros depois de encerrada a guerra também é controverso entre os historiadores. O tratado de paz de Ponche Verde, assinado em 1845, havia determinado que os afrodescendentes capturados ainda em tropas seriam levados para a capital (guerreiros valentes passaram a não ser bem-vindos na província que afinal continuava escravocrata) e lá alforriados. Há quem levante a suspeita de que nunca tivessem obtido a liberdade na corte. Outra versão dá conta de que um grande grupo de lanceiros fugiram para as terras do general Antonio Neto no Uruguai, onde sua descendência vive até hoje. O fato é que jamais chegou a haver no Rio Grande do Sul a abolição de escravos, apesar da condenação da maior parte dos generais ao tráfico que naquele momento ainda era muito abundante. O próprio Bento Gonçalves, ao morrer em 1847, deixaria cativos como herança. Mesmo assim, através da mística dos Lanceiros Negros nos campos de batalha, os afrodescendentes gaúchos entrariam para a história do estado não apenas como mão de obra explorada, mas também pelo sangue derramado pelos ideais da liberdade.


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O maior evento de arte do mundo está no Rio e ainda dá tempo de você aproveitar!


























Quer curtir o final de semana e ainda não sabe o que fazer? A nossa dica cultural é aproveitar a ArtRio 2016. Reconhecida como um dos mais importantes eventos do segmento no mundo, a feira deste ano reúne 73 galerias de arte moderna e contemporânea nos armazéns do Píer Mauá. Uma oportunidade única para você conhecer a nova Zona Portuária do Rio e obras de artistas do mundo todo.

Fique atento, o evento só vai até o próximo domingo, 2 de outubro. Confira as principais informações:

Horário
30|09 – De 13 às 20h
01|10 – De 13 às 20h
02|10 – De 13 às 19h

Ingressos
R$ 30,00 inteira | R$ 15,00 meia-entrada

Classificação 18 anos
Menores de idade somente acompanhados do responsável legal.

Entrada
Entrada principal do Pier Mauá (em frente à Praça Mauá). Rua Rodrigues Alves, 10 – Centro. Entre os armazéns 1 e 2.


Como chegar

Ônibus – Cerca de 20 linhas passam pela região da Praça Mauá.

VLT – Desça na Parada dos Museus ou na Parada dos Navios.

Metrô – Desça na Estação Uruguaiana. Siga na direção leste na Rua da Alfândega em direção à Rua Uruguaiana. Dobre à esquerda na Av. Presidente Vargas. Depois vire à esquerda na Av. Rio Branco. Ande até chegar à Praça Mauá.


Barca – Visitantes que chegarem à Praça XV de barca podem optar por uma caminhada de 20 minutos ou ônibus (opção de mais de 20 linhas).



Indicamos o estacionamento do RB1 (sujeito a lotação). Endereço: Av. Rio Branco, n° 1.


Evite vir de carro para o Píer Mauá. Escolha o transporte público: táxi, metrô, VLT, ônibus ou barca. A feira não dispõe de manobrista.

Importante
Lembrando que esse post é apenas uma dica cultural, ou seja, a Appai não se responsabiliza pela ida ao evento, que não faz parte do Benefício Passeio Cultural.



















Sobre a ArtRio
A ArtRio se consolida no calendário internacional de arte e realiza este ano uma feira com foco nos colecionadores e curadores. Reconhecida como um dos mais importantes eventos do segmento no mundo, a ArtRio quer apresentar o melhor do cenário da arte brasileira e mundial e também se firmar como um evento com expressivos resultados para as galerias.

Em 2016, a ArtRio tem a participação de 19 novas galerias, sendo 11 brasileiras e as demais vindo de Argentina, Alemanha e Estados Unidos. A feira internacional faz parte do calendário oficial de eventos da cidade do Rio de Janeiro.

Realizada pela Bex Produções, a ArtRio é uma grande plataforma de ações, com desdobramentos realizados ao longo de todo o ano, atingindo diferentes públicos na difusão do segmento da arte no país. O ponto principal deste calendário é a feira internacional, este ano em sua 6ª edição.
Entre os focos das ações e projetos da plataforma ArtRio estão estimular o crescimento de um novo público oferecendo acesso à cultura, incentivando a criação de novas coleções; e auxiliar no resgate da memória da arte com base na valorização dos artistas, galeristas e curadores brasileiros.

Uma importante meta da ArtRio é a difusão da prática da doação de obras para museus e coleções públicas no Brasil. Dessa forma, o objetivo é enriquecer os acervos e possibilitar o acesso e o conhecimento. Nas últimas edições da ArtRio foi firmada parceria com o Museu de Arte do Rio (MAR), estimulando os visitantes do evento a doarem obras expostas – previamente selecionadas e identificadas nas galerias pelos diretores da instituição. Em 2015, o Museu recebeu mais de 40 doações adquiridas na feira.

A equipe da Appai já visitou o evento e conferiu tudo de pertinho. Confira o vídeo com os melhores momentos:





Fotos: Divulgação

Lançamento do livro “Vida Off-line”



.O professor e associado da Appai Rodrigo Marques convida você para o lançamento do livro “Vida Off-line”. Uma obra lançada inicialmente na Bienal de São Paulo deste ano quando foram vendidos todos os exemplares. Agora o escritor traz o lançamento para sua cidade, Nova Iguaçu.

Data: 14 de outubro (sexta-feira)
Horário: 19:00
Local: Casa de Cultura – Rua Getúlio Vargas, 51 – Centro – Nova Iguaçu/RJ

Sobre o livro
Mirela idealizou as férias perfeitas ao lado dos amigos e de Will, sua nova paixão, mas é contrariada quando a família decide passar semanas no campo. Sem alternativa, a menina, dependente das novas tecnologias, é obrigada a viver desconectada. Conta com a ajuda do novo amigo, Artur, para aprender a contemplar as maravilhas da natureza e esquecer o mundo virtual. Através das aventuras com Artur acaba se envolvendo na história de um crime macabro. Mergulha no mistério e passa a correr riscos.

Sobre o autor
Rodrigo Marques, formado nas licenciaturas de Biologia e de Matemática, atua como professor da rede pública em escolas do município de Nova Iguaçu/RJ, onde nasceu e foi criado. Cresceu jogando muito futebol e fazendo corridas pela cidade. Desde cedo criava histórias que ficavam restritas a sua imaginação. O sonho de compartilhar personagens e aventuras foi realizado com a publicação de “Dupla Face”, seu primeiro livro. Agora segue a trajetória como escritor com “Vida Off-Line”.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Os santos gêmeos e a cura pela pureza das crianças

"São Cosme e Damião" pelo pintor barroco espanhol André Perez (1660 - 1727).





























.Os dois santos médicos teriam vivido e sido martirizados no século III, sendo mais duas vítimas da chamada Era dos Mártires, que diz respeito a mais um grande ciclo – o mais longo e talvez mais cruel de todos – de perseguições desferidas contra os cristãos, antes do seu grande perseguidor, o Império Romano, render-se ao culto ao rabi da Galileia, o que só vai ocorrer em torno do século IV. Os dois teriam nascido, segundo a maior parte dos biógrafos, no século III, numa localidade pertencente à grande região da Arábia, de família de posses, ligada à nobreza, enquanto para outros não chegavam a tanto, sendo porém ligados a grandes mercadores, atividade das mais ativas naquele lugar e época. Seus nomes seriam na verdade Acta e Passio e consta que ainda adolescentes migraram para outra região onde iniciaram suas atividades ligadas ao que na época se entendia por medicina.

A família teria ido tentar vida nova na Cilícia, no sul da Turquia, um local que nos primeiros séculos da era cristã abrigava uma grande movimentação de pessoas, interessadas nas atividades comerciais e nas universidades que funcionavam principalmente na mais importante cidade da região, Tarso, um efervescente centro cultural. É mais provável, porém, que seu destino na região tenha sido a Egeia, pois grande parte dos historiadores do cristianismo considera essa região como de palpitante atividade cristã. Por isso havia ali uma considerável presença de seguidores que, embora minoria e não contando com a boa vontade das autoridades romanas, expunham suas ideias apresentando os ensinamentos do Cristo.

Em momento de forte perseguição, não demoraram a ser acusados formalmente pelas autoridades, já que naquela altura era permitido levar a julgamento os que não apresentassem uma comprovação oficial de que eram participantes dos cultos do paganismo. O império havia instituído uma espécie de declaração, o Libellum, que atestava que determinada pessoa era adepta dos cultos pagãos. Muitos cristãos, temendo perseguições e o confisco de seus bens, compravam clandestinamente o documento ou o obtinham através de amizades com acesso à burocracia estatal. Mas os irmãos Cosme e Damião não estariam entre aqueles que abjurariam da fé para garantir a própria pele. Na frente dos juízes e dos senadores romanos não se furtaram a assumir a sua crença, de modo que, com tamanha ousadia, o destino dos jovens não podia ser outro a não ser os suplícios, que se prestavam a provocar à força a abjuração dos crentes cristãos.


Próximo ao final do século V, já populares por toda a Europa, o Papa Felix IV mandou construir em Roma uma basílica em homenagem a eles e, no século seguinte, com o Império Romano já tendo adotado o cristianismo como a sua religião oficial, o imperador Justiniano, ao revitalizar a província da Síria, onde estavam sepultados, mandou erguer um suntuoso templo capaz de atender à grande popularidade de que já dispunham naquela ocasião. Pelos seus feitos ligados à medicina, foram tomados como referência de várias instituições consagradas a essa atividade.

No século XI já havia sido fundada a primeira ordem de que se tem conhecimento em honra aos dois santos irmãos. A instituição se consagrava à fundação de hospitais e ofertas de serviços médicos, e já haviam inaugurado várias instituições por toda a região da Palestina. A ordem seguia as regras estipuladas por São Basílio, com os membros usando o hábito branco com a cruz vermelha e, na altura do cruzamento dos braços, uma coroa com a imagem dos dois santos. A mais antiga e conhecida associação médica da Europa, fundada no século XIII, a Confrérie et College de Saint Côme, que só viria a ser extinta quando da Revolução Francesa, os adotou como patronos. E, já no século XIX, quem quisesse obter o diploma de medicina ou de boticário devia pagar determinada quantia a uma importante irmandade vinculada aos santos Cosme e Damião.


Também ligada aos poderes de cura atribuídos aos dois irmãos está o procedimento conhecido na época como incubação, em que os enfermos se internavam nas igrejas dos santos e lá ficavam por muitos dias, como se estivessem recebendo um tratamento. Essa prática é certamente uma sobrevivência da antiga terapêutica do paganismo grego, praticada no chamado Asclepieion, templo dedicado a Esculapio, o deus greco-romano da medicina. Lá os enfermos se instalavam por dias e recebiam a cura através de sonhos, que eram relatados ao sacerdote do templo que então, a partir dos relatos, prescrevia o tratamento.


A associação dos dois irmãos com as crianças também deve ter colaborado para a construção de sua imagem. Afinal, sem os conhecimentos e os aparatos da medicina atual, era muito grande, no passado, o número de óbitos de crianças. Morria-se desde complicações no parto até problemas ligados à desnutrição e doenças ocasionadas pela total ausência de saneamento básico. Por tocar fundo na alma dos pais a morte de crianças em tenra idade, muita promessa e pedidos foram endereçados os dois irmãos santos e, a cada graça que lhes era atribuída, mais ia crescendo a devoção, inspirando naturalmente a construção de novas igrejas e novas festividades.


A devoção aos santos irmãos no Brasil veio, como é natural, com os colonizadores portugueses. A importância histórica de São Cosme e São Damião para nós é muito grande, pois foi em sua honra que se ergueu o primeiro templo católico do país, na cidade pernambucana de Igarassu, em 1530. A Igreja Matriz de São Cosme e São Damião constitui hoje um importante centro de visitação pelo seu conteúdo histórico, pois sua construção está ligada não apenas aos primeiros anos da colonização brasileira, como a outro importante período histórico: o da ocupação dos holandeses, que, nos conflitos bélicos pela disputa da região, saquearam e destruíram o templo no ano de 1634, sendo ela reconstruída duas décadas depois.


As rezadeiras do Brasil, espécie de curandeiras que muitas vezes substituem profissionais de saúde e às quais muitos atribuem poderes especiais de cura, são outro segmento que mantém estreita ligação com São Cosme e São Damião, com muita frequência evocando figuras dos dois gêmeos na hora de benzer as crianças e sanar os males típicos dessa faixa etária. Com galhinhos de plantas e orações específicas aliviam as espinhelas caídas, os nervos torcidos ou os ventres virados da garotada. Elas simbolizam, de alguma forma, a união de dois aspectos dos santos gêmeos, a cura e as crianças. Do mesmo modo, é quase generalizado entre elas o costume de não aceitar qualquer tipo de pagamento por suas rezas.


Os tradicionais doces distribuídos em homenagem aos dois também apresentam um caráter caritativo, pois afinal são alimentos que nutrem o corpo e oferecidos sem que se peça em troca qualquer coisa, motivo pelo qual a própria Igreja Católica estimula a prática de dar doces, mesmo sendo algo instituído a partir de uma visão típica dos cultos afro-brasileiros. Aliás, no dia dos santos as atividades nos templos católicos é tão intensa como a que ocorre nos terreiros de religiões de matriz africana, sendo muitas vezes os festejos praticados de forma conjunta, com os crentes assistindo as missas e participando das giras que são feitas em honra aos erês. O culto brasileiro a São Cosme e São Damião é uma das grandes demonstrações da religiosidade sincrética de nosso povo, pois envolve muitas relações históricas e míticas, que atravessam o tempo e o espaço e vão se fixar nas crenças aqui praticadas. Ao mesmo tempo todo o mito, o folclore, a devoção e a fé que estão envolvidos no culto aos dois gêmeos podem ter a função de manter vivo e atuante o lado criança presente em cada um, habitualmente deixado de lado nas lutas e exigências na vida moderna.


Assim, o culto à infantilidade, como o expresso em São Cosme e São Damião, é um modo brasileiro de retornar a suas origens, de estar atualizado com seus valores, normalmente postos em perigo à proporção que a vida no século XXI, com seus apelos racionais e tecnológicos, avança e determina estilos de vida e maneiras de viver. São Cosme e São Damião são a forma mais comum de as crianças brasileiras tomarem seus primeiros contatos com a religiosidade. O sagrado lhes chega de modo brando, doce, onde são postos em contato direto com as entidades de outra esfera, como iguais, crianças como elas. Essa experiência do crescer por caminhos tão singelos é, talvez, um pano de fundo que ajuda a sustentar a índole relativamente pacífica, solidária e sobretudo alegre dos brasileiros. E os santos gêmeos, persistindo na lembrança de cada criança do Brasil, têm sua parte nisso.


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Tecnofobia: Professor, você sofre desse mal?


























Para descobrir se você é um tecnófobo, marque um x nas perguntas abaixo para as quais você responderia SIM:

( ) Você é do tipo que ao comprar um celular escolhe o mais simples possível, sem se preocupar se toca mp3, mp4, se tem câmera, espaço de memória interna, memória externa, GPS etc.?

( ) Quando quer uma receita, ou descobrir os horários de transporte coletivo, ou mesmo precisa fazer uma pesquisa, você busca informações por telefone, livros e revistas, mas nunca consulta buscadores da internet, como por exemplo o Google?

( ) Você não tem interesse em procurar notícias na internet, por meio de computador, smart phone, preferindo assistir as notícias pela televisão ou jornal impresso?

( ) Quando o convidam para fazer uma videoconferência por celular (áudio e vídeo), você responde que prefere que liguem para o seu telefone fixo?

Se a resposta foi sim para pelo menos duas dessas afirmações, você é um tecnófobo e precisa de ajuda.

Mas, vamos entender o que é um tecnófobo. É alguém que, por não ser um nativo digital (geração que nasceu imersa nessa cultura), acaba criando aversão a tecnologias digitais. Entre professores da geração X e Baby Boomers, esse comportamento, em certa medida, ainda persiste. Isso ocorre porque boa parte deles sente dificuldades de aprender a usar esses novos equipamentos, acabando por acomodar-se e desistir do uso das tecnologias digitais.

A tal tecnofobia tem dificultado a implementação de tecnologia educacional, trazendo um atraso para as escolas, uma vez que hoje em dia é praticamente impossível deixar de conviver com esses recursos digitais. Então, o que fazer para trabalhar essa dificuldade?

Sugestões para vencer a tecnofobia:

Aceite que você é um imigrante digital e por isso precisará de ajuda para aprender a usar as tecnologias digitais. Pesquise, se permita testar aplicativos, games, redes sociais, saindo do mundo analógico. Não tenha medo de perguntar e aprender com seus alunos, criando pontes de diálogos. Lembre-se que as gerações mais jovens estarão sempre à frente, pela própria condição de nativo digital. Por isso mesmo, esse diálogo demonstrará a sua possibilidade de aprender com os mais jovens, fato que só poderá melhorar o relacionamento entre as diferentes gerações de professores e alunos. Humildade e aprender a aprender só trazem vantagens para a educação.

Concluindo, não queira ser um professor tecnófobo, que é uma espécie de analfabeto digital nessa viagem de um caminho que é sem volta, e que as mais novas gerações vêm percorrendo, com muita naturalidade: a evolução digital.

Palavras de uma imigrante digital...





segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Pedacinho da Suíça na Serra Carioca

Quem pensa que Nova Friburgo é apenas um polo de moda carioca está muito enganado. A cidade tem muito mais a oferecer, pois, envolta pela Mata Atlântica, é recheada de cachoeiras, riachos e reservas ambientais. Além, é claro, de ser a cidade mais fria do Estado do Rio de Janeiro.

Um lugar perfeito como dica do Boa Viagem!


Pontos Turísticos | Atrações Culturais

Praça do Suspiro
No centro de Nova Friburgo, está localizado este recanto, considerado um dos maiores pontos turísticos da cidade. É onde estão a Igreja de Santo Antônio, a Fonte dos Suspiros, o Teatro Municipal e o maior teleférico do país.

Pavilhão das Artes
Esse ponto turístico foi inaugurado nos anos 2000 e desde então vem expondo trabalhos artesanais, peças de cerâmica e madeira, quadros, tapetes, bonecas, entre outras atrações aos visitantes. O funcionamento do pavilhão é apenas nos fins de semana e feriados.
Quem é admirador das artes não pode deixar de conhecer o local!


Jardim do Nêgo
Um atelier a céu aberto criado pelo artista plástico Geraldo Simplício, conhecido como Nêgo. Os barrancos que circundam o sítio na Estrada Teresópolis-Friburgo simulam formas de mulheres, crianças, animais e outras imagens para os turistas apreciarem. O jardim se localiza no distrito Campo do Coelho.

Atrações ao Ar Livre

Parque Estadual dos Três Picos
O seu nome evoca os Três Picos de Friburgo, um imponente conjunto de montanhas graníticas que se elevam a 2.366 metros acima do nível do mar. A área do parque abrange os municípios de Nova Friburgo, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, Silva Jardim e Teresópolis. É considerada a melhor atração das reservas da cidade, onde o trekking (caminhada de esforço leve a moderado por montanhas de difícil acesso, feita como desporte ou lazer) até os três picos é um desafio aos aventureiros.

Pedra do Cão Sentado
Um dos cartões-postais da cidade, é acessível após uma bela caminhada de um quilômetro e meio, que passa por cavernas e lindas grutas. O turista pode, enquanto caminha, observar as belezas naturais da Mata Atlântica. Uma aventura imperdível!

Cachoeira Indiana Jones
O nome induz a uma aventura de cenário hollywoodiano. A queda d'água está escondida atrás de uma formação rochosa, da qual provém o nome. Para vê-la, o turista deve entrar no córrego com água até o joelho e atravessar um corredor estreito entre dois paredões de pedra, que tem aspectos de caverna.
Para aliviar a caminhada, a recompensa são os poços perfeitos para o banho!


Gastronomia

A colonização suíça e alemã deixou um grande legado na culinária de Nova Friburgo, que se espalha pelos diversos restaurantes. As especialidades oferecidas são a truta e carnes de caça. Para amenizar o frio da serra, nada melhor do que uma mesa próxima a uma lareira acompanhado de um bom vinho.

O bairro do Cônego oferece o Polo Gastronômico, que reúne restaurantes a preços acessíveis com comida de qualidade.

Bon Appétit!






sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O turbulento século XVII brasileiro

O século XVII seria o da consolidação da presença portuguesa no Brasil. Com o avanço de instituições colonizadoras em praticamente todo o país, seria necessário também tratar de remover de alguns pontos tentativas de fixação nas terras, iniciadas por outras Coroas, como foi o caso dos franceses no Rio de Janeiro e no Maranhão e principalmente dos holandeses no litoral da capitania de Pernambuco.

Os conflitos que culminaram na expulsão dos holandeses aconteceram no rastro da Restauração portuguesa, em torno de 1640, quando Portugal derrota tropas da Espanha, recupera sua autonomia e as energias então se voltam para a preocupante presença batava em Pernambuco. Durante o tempo em que a Coroa espanhola exerceu sua soberania sobre Portugal, muitas questões referentes à colônia brasileira ficaram em segundo plano. Envolvida em muitas querelas durante aqueles tempos, os espanhóis minimizavam a ocupação holandesa no nordeste brasileiro. O sentimento português, ao contrário, era de grande indignação, pois, mais que uma disputa territorial, estava implicada uma preocupação que dizia respeito à própria Igreja, na medida em que a presença holandesa era também uma presença calvinista.

Os holandeses, que se fixaram em Pernambuco por volta de 1630, organizaram um tipo de colonização bem diferente do instalado por Portugal e, aos olhos de muitos, mais promissor por evitar certos ranços que dificultavam o desenvolvimento na colônia. O nobre Maurício de Nassau, colocado no comando da empreitada pela Companhia das Índias Ocidentais, empresa criada para a exploração colonial, desfrutava de bastante prestígio entre a população local e dava a aparência de que a vida naquela parte do país transcorria de forma harmônica, sobretudo porque havia um clima de certa liberdade religiosa.

Em 1643, no entanto, é deliberado seu retorno à Europa, e o modelo de exploração colonial que é imposto por seus substitutos não faz mais que reproduzir os quadros de autoritarismo e violência já conhecidos na colonização ibérica. O resultado foi a insatisfação geral por parte da população, o que criou o clima para insurreições e questionamento da ordem. Assim, o vigor recuperado pela Coroa portuguesa restaurada ajudaria para que a crença na possibilidade de expulsar os holandeses fosse cada vez maior.

A igreja, uma das forças mais atuantes naquele Brasil do século XVII, tratou de atuar nos bastidores enquanto as batalhas campais avançavam por terras pernambucanas. Interessados em manter a hegemonia portuguesa e prosseguir na obra catequética, os religiosos tinham, porém, muita cautela quanto a uma possível presença da Inquisição em terras brasileiras. Atuando a todo vapor na Europa e sediado nos países ibéricos, havia o risco de que o Santo Ofício despertasse para a iminente vitória portuguesa, pois sabia que, durante o domínio batavo, muitos cristãos novos e até mesmo judeus declarados, além de calvinistas, viviam livremente em Pernambuco.

Uma atuação mais presente dos inquisidores preocupava principalmente os jesuítas até por razões da própria visão religiosa mantida pela Ordem. Enquanto o Santo Ofício agia sempre obcecado pela ideia de pureza da fé católica, os inacianos tendiam a promover um tipo qualquer de adaptação da doutrina católica à fé dos catequizandos, criando muitas vezes uma religiosidade singular em cada lugar em que instalavam seus núcleos missionários. Além disso, eram muitas vezes tolerantes com protestantes e judeus, por manterem a crença de que poderiam converter os indivíduos dessas religiões para o seio da Igreja. O padre Vieira, por exemplo, se destacaria por enfrentar a Inquisição ao manter alianças com judeus portugueses, que acreditava serem úteis à causa da Restauração, questão que o jesuíta julgava de suma importância, posição que lhe valeria a alcunha de “amigo dos judeus”.

Em 1654, após muitas e sangrentas guerras, já não havia mais muitos vestígios da presença holandesa no Brasil. Mas algumas consequências restaram dos anos em que os batavos se instalaram em Pernambuco, principalmente em função de uma certa simpatia, por parte da população daquela região do país, pelo tipo de colonização que foi implantado por ali. Os conflitos que quase simultaneamente ocorreram nas capitanias do Norte também ajudaram para que se acendesse uma espécie de sinal vermelho quanto à insatisfação geral com os rumos da colonização.

Como defensores da fé, mas também do Império, os jesuítas haveriam de concentrar suas forças sobre o que poderia ser visto como um risco para a integridade das possessões portuguesas. Entre esses movimentos estava o de Palmares, à época pertencente à capitania de Pernambuco. Naqueles meados do século XVII, as fugas de escravos negros para a Serra da Barriga haviam aumentado consideravelmente, em função principalmente da substituição de Maurício de Nassau no comando da administração holandesa. Com a chegada dos novos gestores, os métodos de condução dos escravos nas fazendas e engenhos se revelaram mais cruéis do que aqueles praticados pelos próprios portugueses. Durante a Insurreição a situação ficaria ainda pior, pois, além do trabalho compulsório, os cativos eram forçados a lutar numa guerra cujo único estímulo era a manutenção da própria vida.

A recuperação das possessões onde estavam instalados os holandeses passou pela revitalização da catequese, que buscou expandir-se mais, a fim de firmar a presença portuguesa e cristã. Nesse projeto, era necessário confirmar os ideais católicos para os índios e também para os africanos, pois muitos deles haviam lutado ao lado dos batavos, em troca de liberdade ou da promessa de melhores condições de vida. Os religiosos, naquele Brasil em turbulência, talvez tivessem percebido antes de todos que naturais da terra e africanos seriam uma realidade cada vez mais presente e inseparável daquela colônia que um dia se tornaria uma nação.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

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