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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Proposições para uma educação inovadora 2017

Parte 2


Em 2012, 65 países participaram do Programme for International Student Assessment (PISA), o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que ocorre a cada 3 anos, para alunos na faixa dos 15 anos, priorizando Matemática, Leitura e Ciências. No ranking, o Brasil ficou na 58ª posição. Situação alarmante! Em 2015, participamos novamente, e os resultados serão disponibilizados em 6 de dezembro de 2016.

E foi pensando em avanço no cenário educativo que apresentamos uma relação com sete diferentes proposições para quem deseja iniciar 2017 tendo a inovação como parceira educacional. Na semana passada, foi a vez de aprofundarmos ideias sobre a primeira proposição listada: O desenvolvimento de competências socioemocionais. Hoje daremos atenção especial à segunda proposição, a saber: O desenvolvimento de competências cognitivas.

Mas, afinal, o que são competências cognitivas?
Competência significa “a capacidade de um sujeito de mobilizar recursos visando abordar e resolver uma situação complexa” (MORETTO). Cognitivo é uma expressão relacionada ao processo de aquisição de conhecimento (chamado também de cognição). A cognição envolve fatores diversos, como o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio, etc., que fazem parte do desenvolvimento intelectual. Intelecto é a faculdade de conhecer, é a mente em exercício.

Portanto, juntando os dois conceitos, podemos dizer que Competência Cognitiva é a capacidade de movimentar um conjunto de elementos da ordem do pensamento, da linguagem, da percepção, da memória, do raciocínio, da estratégia, dentre outros que fazem parte do intelecto, para abordar e resolver situações complexas. Mas como isso ocorre na prática?

Quando ainda muito pequenina, lá na creche e depois na pré-escola, a criança deve ser estimulada a desenvolver o cognitivo primário, que é marcado pelo desenvolvimento sensorial (por meio dos sentidos), e logo de forma concomitante vai aflorando a atenção, percepção e as demais funções já citadas. Já no ensino fundamental, a criança continua aprimorando essas funções e vai abrindo espaço para outras aquisições, tais como a leitura, a escrita, o raciocínio lógico, a estratégia, os pensamentos dedutivo e indutivo. O melhor dos mundos ocorre quando as competências são exercitadas por meio da resolução de problemas ou desafios concretos/reais. Dessa forma, utilizando a função executiva do cérebro (responsável pelo planejamento e execução da tarefa), promove-se o exercício das funções cognitivas, especialmente na segunda fase dos ensinos fundamental e médio, quando o professor pode e deve lançar desafios possíveis e estimular a busca por soluções. É importante observar como o aluno utiliza seus recursos cognitivos, como compreende um problema ou desafio dado, como processa, analisa, sintetiza, categoriza as informações.

Observe que, por uma questão didática, estamos apresentando um recorte para Competência Cognitiva, cientes de que o processo de aprendizagem é amplo e complexo, e que acontece integrado ao desenvolvimento das competências socioemocionais, não sendo possível dissociá-las.

Depois dessa breve observação, vamos em frente com as seguintes perguntas: Quais são os encaminhamentos pedagógicos para desenvolvimento das competências cognitivas propostos pelo Ministério da Educação? Como promover o desenvolvimento cognitivo com as diferentes faixas etárias e níveis escolares?

Pais e profissionais da área de educação sabem que nos últimos anos o governo brasileiro implementou programas de avaliação, tais como: o Sistema de Avaliação do Ensino Básico (SAEB) e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e que participou do PISA, chamando atenção para uma das dimensões do desenvolvimento humano, que é a competência cognitiva. Diante disso, e respondendo à primeira pergunta, destaco os links em que há uma descrição detalhada de como gerar desenvolvimento cognitivo, bem como as competências cognitivas priorizadas em cada um dos níveis de escolarização:


As indicações pedagógicas para o desenvolvimento cognitivo estão bem colocadas nos Parâmetros Curriculares e nas Diretrizes Nacionais, especificadas para cada nível do ensino básico.
Além disso, há outros sites que apresentam ideias práticas para o desenvolvimento de competências cognitivas, selecionadas dentro de três diferentes áreas: Matemática, Ciências e Comunicação. Consulte e aplique:

Pesquisa e Interpretação de dados:

Leitura e Interpretação:

Matemática:

Ciências:


Para cada atividade proposta, é necessário ter clareza do ritmo, nível e a realidade do aluno, de forma a manter a motivação, sem a qual nenhum estímulo para o cognitivo funcionará.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Jesus nos primeiros séculos da cristandade

"Batismo de Jesus" (1482), por Pietro Perugino.

























Quem se depara hoje com os quatro evangelhos canônicos, que servem de base para as doutrinas da maioria das religiões cristãs, muitas vezes não tem noção da movimentação de ideias e possibilidades que se estabeleceram nos primeiros quatro séculos de cristianismo, quando finalmente a Igreja de Roma, amparada na força do Império Romano, chegaria a definir os escritos de Lucas, Marcos, Mateus e João como principais em detrimento de outros documentos cristãos. As muitas reflexões e hipóteses levantadas pelos seguidores ditos primitivos de Jesus acabariam por formar um rico acervo teológico que pode ser tranquilamente estudado por interessados no assunto em acréscimo aos textos considerados oficiais.


Uma dessas ideias começariam a ganhar destaque já no século II da Era Cristã, com os docetas, seguidores de uma visão que entendia que, sendo Jesus de natureza divina, não podia ter a mesma constituição das pessoas normais. Logo, o seu nascimento, o corpo e as sensações que sentia não eram reais, isto é, não passavam de uma aparência de realidade. O Docetismo parte das ideias de Marcião, um filósofo e pensador cristão, profundo estudioso dos escritos de Paulo de Tarso, que se fixa na ideia de que o deus hebraico, ao se mostrar vingativo e por vezes cruel, não poderia ser o mesmo que conceberia Jesus e o ofereceria à humanidade. Sendo assim de origem totalmente divina, o Cristo seria uma criatura diferenciada de todos os demais seres, os atos de sua vida apenas se revestindo de uma aparência de acontecimento real para entendimento dos mortais. As ideias de Marcião acabariam por despertar muitos seguidores a tal ponto que se tornou bastante influente em Roma, onde conseguiu divulgar sua visão através de uma vasta obra escrita. Bispos influentes da Igreja da época, como Irineu de Lião e Ignácio de Antioquia, se dedicaram também a uma relevante produção teológica para refutar os textos de Marcião, preservando o consenso até então formado pela maioria das igrejas cristãs.


Uma outra ideia teológica levantada pelos cristãos primitivos é o Arianismo, que nada tem a ver com as doutrinas de superioridade racial que se espalharam pela Europa no século XIX. O nome vem de seu principal formulador e defensor, Ário, um presbítero de Alexandria do século IV, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus, ou seja, para ele, embora uma criatura especial, preexistente à própria criação do mundo, o Cristo não se confundia com o criador e não era constituído da mesma natureza divina. Para Ário, Jesus seria algo situado entre Deus e os homens, uma espécie de semideus, que não se enquadraria em nenhuma das duas naturezas, nem a divina, nem a humana. Como dado interessante, em boa medida as visões de Ário seriam divulgadas através de canções populares, o que acabaria por estender seu pensamento para além do campo dos estudiosos eclesiásticos e aproximá-lo dos cristãos comuns. Por isso (e por outros fatores) a doutrina ariana seria causadora de grandes debates entre os bispos e religiosos da igreja, não raro redundando em conflitos que extrapolavam a esfera religiosa e se tornavam sérias questões diplomáticas envolvendo líderes e governantes a favor ou contra suas ideias.


O fato é que o arianismo ganharia força e de alguma forma abalaria a unanimidade das igrejas cristãs, o que culminaria na convocação de um dos mais importantes concílios da história da igreja, o de Niceia, no ano 325, que se reuniu para deliberar sobre a validade das teses de Ário, que apesar de derrotadas no debate eclesiástico continuaram a dividir os cristãos, influenciando muitas igrejas e seitas, transformando-se numa heresia. Só no século V, quando o cristianismo se torna a religião oficial do Império Romano, é que a visão arianista é definitivamente extinta entre os cristãos, isso após muitas perseguições.


Num sentido diferente das ideias propostas no arianismo começa a se destacar no século V o Monofisismo, que pregava que, após a chegada de Jesus ao mundo terreno (a encarnação), as duas naturezas, a humana e a divina, teriam se fundido numa coisa só, com predomínio da última. O Cristo, dessa forma, apesar de ser constituído originalmente de duas naturezas, tornara-se divino ao assumir sua tarefa redentora. Um contraponto dessa ideia, o Diofisismo, pregava que Jesus teria preservado as duas naturezas de forma distinta ao ingressar no mundo. Essas ideias, como outras que se apresentavam como variantes desse pensamento, deixariam profundas marcas na Igreja da época, suscitando muito debates e ajudando a formar muitos cismas. O Monofisismo seria condenado no concílio de Calcedônia realizado no ano 451, que confirmaria o Diofisismo como crença predominante.


Vinte anos antes, num concílio convocado em Éfeso, uma outra variante dessas ideias sobre a natureza de Jesus já havia sido negada e classificada como heresia. Trata-se do Nestorianismo, filosofia que declarava a desunião entre essas duas naturezas na pessoa do Cristo, ou seja, humanidade e divindade entrosavam-se na natureza de Jesus, de forma distinta, apesar de afeiçoadas uma a outra, sendo empregadas pelo Cristo em sua missão salvadora. Mesmo derrotada, essa visão cristológica desenvolvida por Nestório, patriarca da igreja de Constantinopla, se fortificaria em várias igrejas que se separariam da base principal do cristianismo e ganharia importante relevância em núcleos cristãos espalhados pela Ásia, que mais tarde se configurariam em instituições independentes do catolicismo de Roma.


Por fim, vale a pena citar também a crença Adocionista, defendida por Paulo de Samósata, bispo de Antioquia. Segundo essa ideia, Jesus não passava de um homem comum, mas se teria mostrado tão virtuoso e identificado com Deus, que este lhe teria delegado a missão redentora junto aos homens. O Cristo então teria iniciado um caminho de altíssima iluminação e progressivo aperfeiçoamento até atingir a situação análoga a de filho de Deus, tal sua capacidade extraordinária de transcender a condição humana e aproximar-se da essência do criador, condição que tem seu momento de confirmação quando do batismo de Jesus por João Batista. O Adocionismo seria também considerada uma crença herética no século II, mas não desapareceria por completo. Uma nova onda dessa visão cristológica ressurgiria no século VIII, sendo combatida e finalmente condenada no segundo concílio de Niceia, em 787.


Visões da natureza de Jesus como essas abordadas aqui e várias outras que propuseram interpretações variadas da presença do Cristo constituem um importante acervo da cultura cristã, cujo estudo revela toda uma gama de tentativas de compreender a fundo esse acontecimento que, apesar de todas as vozes, adeptas ou não, que se levantaram ao longo do tempo, continua marcante, principalmente na história do Ocidente, mas de alguma forma influindo em toda a cultura humana.

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Universidade 42, pioneira na exclusão dos professores em sala de aula


























.Em um primeiro momento, parece que as pessoas enlouqueceram. Sala sem professor, sem livros, alunos sem uma grade de disciplinas, conclusão do curso sem diploma. O caos está instalado. Ou será que o avanço tecnológico chegou e nós perdemos o bonde? Ishiii, coisa antiga. Ou será o “taime”? Ou quem sabe tenha sido apenas a falta de um clique.

Essas e outras respostas certamente ainda não teremos. Mas o que já se sabe de concreto é que a mais nova universidade colaborativa, em que os alunos avaliam entre si seus apontamentos, já está com a sua segunda unidade instalada no Vale do Silício, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Conhecida como “42” – em referência ao filme “O Guia de Mochileiro das Galáxias”, em cuja trama ficcional o número 42 é a resposta dada pelo computador Pensador Profundo a dois jovens sobre a questão fundamental da vida –, a universidade tem um método de ensino totalmente colaborativo. Bem diferente do sistema tradicional, quem estuda lá está livre das aulas fixas e pode escolher o projeto de que vai participar, tendo como opção de criação a programação de website ou a de jogos para a plataforma on-line.

Tudo na instituição foi projetado para reproduzir com o máximo de fidelidade um ambiente tradicional de trabalho encontrado nas empresas do ramo, inclusive a avaliação final do projeto onde a colaboração mútua será primordial para o resultado da conclusão. Esse período de finalização pode variar entre três e cinco anos. Dentro de uma escala interna, os alunos têm que atingir o nível 21 do projeto já predeterminado pela instituição.

Numa acirrada disputa pelo preenchimento das vagas abertas, a primeira unidade teve 70 mil inscritos. Desse total apenas 3 mil, ou seja, menos de 5% conseguiram fazer parte desse sonho do bilionário francês Xavier Niel, fundador da instituição e dono da empresa de telecomunicações Iliad.

Para que esse método de ensino fosse implantado, mais de 100 milhões de dólares foram investidos, algo em torno de mais de 340 milhões de reais. Com um custo bastante ousado, o projeto não poderia deixar de acompanhar esse arrojo. A nova unidade deve receber cerca de 1.000 alunos norte-americanos famintos em criar e colaborar com o desenvolvimento da inteligência artificial ditada pelos algoritmos e seus indexadores. Para Niel, o investidor-mor desse projeto, e seus sócios, o método de aprendizagem incentiva os estudantes a serem receptores ativos de conhecimento, ao contrário do modelo atual. Segundo ele, ex-alunos da instituição conseguiram empregos em empresas renomadas, como IBM, Tesla e Amazon.

Mas tem gente chiando

De acordo com especialistas da área, essa nova metodologia pode acarretar prejuízos aos alunos pela supressão da figura do professor ou orientador. Mesmo porque equilibrar ou mediar o embate entre as diferentes avaliações feitas pelos alunos pode ser um sério problema para aqueles grupos de estudantes que têm dificuldade de trabalhar em equipe e, sobretudo, de aceitar críticas. Mas, em contrapartida, todos reconhecem a ousadia do idealizador do projeto e seu pioneirismo neste formato. O que todos esperam é que a médio e longo prazo os resultados sejam favoráveis a todos, inclusive à figura do tão querido professor.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Já conferiu a programação completa do evento?

Ainda dá tempo de se inscrever!


• Inscrições para Associados Appai em:

• Inscrições para não Associados em:
https://goo.gl/CiB7Fd





Um toque que vale por uma vida: PPAS realiza palestra para funcionários da Appai

Com o objetivo de propagar a prevenção, o Programa de Projetos e Ações Sociais (PPAS) da Appai realizou uma conversa com os funcionários sobre câncer de próstata em prol da Campanha Nacional do Novembro Azul. Comandada pela psicóloga Aparecida Esteves, da Associação Beneficente de Combate ao Câncer, Rio-Abrace, o encontro proporcionou aos participantes tirar suas dúvidas.

Hábitos alimentares, fatores hereditários e consumo de fumo e bebida foram destaque no evento, ratificando que o estilo de vida seguido são aspectos contribuintes à doença. “Eu preciso olhar, escutar o meu corpo, pois ele nos manda diversos sinais de que algo está errado. Por isso é fundamental ficar por dentro do assunto. Ainda existe uma timidez muito grande sobre este assunto”, revela Aparecida.

O sr. Silas da Conceição encoraja os jovens a partir de 40 anos. “Eu tenho 59 anos e faço exame anualmente desde os meus 40. Comigo não tem problema. Eu zelo pela minha saúde, pela minha vida. E não vai ser por isso que eu vou deixar de ser homem!”, enfatiza o funcionário da Appai.

De acordo com Aparecida, somente com o procedimento do toque é possível obter um diagnóstico exato sobre a próstata. Exames de sangue e ultrassonografia são complementares, mas de grande importância. “O preconceito está matando vidas. O índice de mortalidade está aumentando. Nós precisamos de ação para em tempo hábil conseguirmos reverter essa situação, porque o câncer de próstata é altamente curativo”, ratifica a psicóloga.


Para as coordenadoras do PPAS Jussara Pereira e Márcia Marinho, esta ação é de extrema importância, pois ela é multiplicadora de informação. A parceria entre o PPAS, o Rio-Abrace e o RH da Appai repassa os conhecimentos de prevenção com o intuito de modificar as estatísticas, que definem que no Brasil o câncer de próstata já é o segundo mais comum entre os homens.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Dicas de filmes para trabalhar em sala de aula

Olha só quem voltou! O Blog da Appai está trazendo mais dicas de filmes para serem usados em sala de aula. Confira os novos filmes!

O Beijo do Dragão



Sinopse

O Beijo do Dragão é um filme francês de ação tendo Jet Li e Bridget Fonda no papel principal.
Liu Jian é um agente do governo chinês que é enviado a Paris para uma missão secreta, na qual não conhece bem os detalhes. Na França, Liu conhece o inspetor Richard, com quem vai compartilhar a missão. No entanto, Richard acusa o chinês de um crime que não cometeu, ficando a mercê de uma perigosa conspiração. Liu deve provar sua inocência numa cidade diferente. Ele conta com a ajuda de Jéssica, uma prostituta americana.

Como trabalhar em sala de aula

Questões como confiança e conspiração estão presentes no filme. Cabe ao professor explicar as diversas maneiras em que um governo corrupto pode desencadear na vida de um inocente. A xenofobia é levemente visível. Os alunos podem fazer atividades acerca de culturas distintas no globo, pesquisas sobre conspiração e a visão estereotipada em que uma nação pode ver a outra.


Robin Hood



Robin Hood é um filme britânico-americano baseado nas lendas do herói inglês.

Robin Longstride integra o exército do rei Ricardo, Coração de Leão, que está em plenas cruzadas. Após a morte do rei, ele consegue escapar com alguns companheiros. Em sua tentativa de fuga, eles encontram Sir. Robert Loxley, que tinha por missão, levar a coroa do rei a Londres. Loxley foi atacado por Godfrey, um inglês que serve secretamente aos interesses do rei Felipe, da França. À beira da morte, Loxley pede a Robin que entregue a seu pai uma espada tradicional da família. Ele aceita a missão e, vestido como um cavaleiro real, parte para Londres. Após entregar a coroa ao príncipe João, que é nomeado rei, Robin parte para Nottingham. Lá conhece Sir Walter e Marion, respectivamente, pai e esposa de Loxley.

Como Trabalhar em Sala de Aula

A História está presente em quase todo o enredo, desde a queda de Ricardo, Coração de Leão e a ascensão do príncipe João. O professor pode utilizar o filme para explicar como era o dia a dia da Idade Média.


Troia

Troia é um filme norte-americano dos gêneros épico e drama, baseado no poema Ilíada, do autor grego Homero.
Em 1193 A.C., o príncipe Paris provoca uma guerra ao afastar Helena de seu marido Menelaus, rei de Esparta. Tem início a sangrenta e cruel Guerra de Troia, que dura mais de uma década. A esperança de Príamo, rei de Troia, está nas mãos de seu filho primogênito Heitor e de Aquiles, o maior herói de toda a Grécia.

Como Trabalhar em Sala de Aula

Os alunos podem aprender muitas coisas com o filme, principalmente a mitologia grega. O professor pode ressaltar a invasão da cidade pelo Cavalo de Troia, ícone da guerra. Explicações sobre as culturas, democracia, religião e as Cidades-Estado gregas são bem-vindas para os estudantes compreenderem um pouco do Mundo Conhecido.


E aí, professor, o que achou dessas dicas? Já usou algum deles em sala de aula? Se você ainda não viu nosso primeiro post, vale a pena conferir também! Deixe nos comentários abaixo. Vamos adorar saber!

Proposições para uma educação inovadora em 2017

Conforme prometido no texto anterior, serão expostas algumas proposições gerais que podem ajudar você a refletir e trabalhar de forma inovadora e contemporânea em educação.
O tema é vasto, por isso preparamos um material rico, que pode ser compartilhado com professores, pais, governantes e qualquer um que deseje inovação e transformação. Por esse motivo, decidimos aprofundar um pouco mais cada uma das proposições e apresentá-las em partes.

A primeira proposição inicia com uma ação, da qual o imperativo é:

DESENVOLVA COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS

O processo de educação é amplo e precisa ser pensado de forma integral, sendo exatamente nesse amplo sentido que se enquadra o desenvolvimento de competências socioemocionais. Como o próprio nome já evidencia, as tais competências têm relação direta com o social e com o emocional. Na prática, são traduzidas como:

AUTOCONHECIMENTO
AUTONOMIA
ESTABILIDADE EMOCIONAL
SOCIABILIDADE
CAPACIDADE DE SUPERAR FRACASSOS
CURIOSIDADE
PERSEVERANÇA
OUTRAS

Aqui pode surgir uma dúvida sobre se o desenvolvimento socioemocional é de competência pura da escola. Cremos com muita convicção que não é só da escola, mas cada vez é mais dela. O primeiro argumento que esclarece essa questão é o fato de que, na atual conjuntura econômica, em que pais e mães trabalham fora, muitas crianças precisam frequentar escolas em período integral. Outro importante ponto é que o cérebro humano é TRIÁDICO, por isso o processo de aprendizagem envolve de forma harmoniosa o PENSAR, o SENTIR e o AGIR. Não há como separá-los em caixinhas, pois caminham de forma integrada. Por isso a escola pode e deve aproveitar cada uma das oportunidades em que se colocam para nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos situações que envolvem relacionamentos, desafios, fracassos, competitividade, para oportunizar também o desenvolvimento socioemocional, objetivando o aproveitamento máximo de suas capacidades.

Os nossos educandos precisam se desenvolver de forma harmoniosa, tanto por meio das competências cognitivas quanto das socioemocionais. As escolas que se propõem a trabalhar focando apenas os aspectos cognitivos do desenvolvimento (pensar, interpretar, calcular, generalizar...), sem atuar no aspecto socioemocional, estão “empurrando com a barriga” um problema que trará prejuízos generalizados para toda uma sociedade.

De outro lado, aqueles que entenderam a necessidade e a importância do desenvolvimento integral salientam que é vital reconhecer o contexto social e político em que se inserem os educandos atendidos pelas escolas, para dar início a práticas voltadas ao incremento de competências socioemocionais que promovam o engajamento e o trabalho integrado entre escola e família. Sim, é preciso trazer a família para a escola, abrir espaços para orientar e gerar compromisso das partes em prol do desenvolvimento integral do educando.
Afinal, a intenção é que ele possa aprender com sentido de pertencimento e encontrar no espaço escolar o prazer de adquirir conhecimento por saber que há ali um clima de liberdade e de realização.

SUGESTÕES DE COMO DESENVOLVER AS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS:

  1. EXEMPLOS PRÁTICOS/CASES:
PROFESSORA DE MATEMÁTICA

A consultora da UNESCO Anita Abed conta que, quando era professora de matemática, estimulava os alunos a aprenderem por meio de situações que ela transformava em “jogos” e, dessa forma, trabalhava muitas questões socioemocionais que surgiam, tais como dificuldades de superar fracassos, falta de autonomia, sociabilidade, dentre outras. Essa prática foi tão promissora e significativa que uma das alunas deu o seguinte depoimento sobre as aulas de Anita: “Vivendo a matemática dessa forma (jogos), eu redescobri a verdadeira matemática que existe na matemática”.
É isso que a escola precisa recuperar a aprendizagem significativa e prazerosa. Sobre isso, a própria Anita afirma: “Significância e prazer são da ordem do socioemocional”.

PROJETO ÂNCORA:
CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL

A escola que comporta o projeto Âncora tem um trabalho pautado em atitudes e valores. Quando o educando lá ingressa, independentemente da idade, ele vai para um núcleo de aprendizagem denominado “Iniciação”, onde já começa uma formação baseada em atitudes e valores, que essas crianças e jovens aprendem quais são e como interagir com eles naquele espaço comum. Os valores destacados, tanto no âmbito coletivo como no individual, são: respeito, solidariedade, responsabilidade, afetividade e honestidade. Na fase da iniciação, esses itens são trabalhados em diferentes situações, e nesse processo fica claro para os estudantes o quanto o relacionamento é importante para o desenvolvimento de uma pessoa, de modo que saber se relacionar é tão essencial quanto produzir um texto claro, bem escrito.
A Coordenadora Pedagógica do Projeto Âncora, Edilene Brito, relata que: “O tempo que permanecem na iniciação depende de cada uma delas; pode ser uma semana, um mês, um ano... Os educadores estão preparados para recebê-las e dar a elas o atendimento necessário”.
Na prática, os problemas, impasses e conflitos que surgem (âmbito coletivo) são discutidos com todos os alunos, que não apenas expõem as dificuldades como também sugerem soluções, dentro do que chamamos “resolução conjunta”, gerando responsabilidade coletiva e compromisso individual. E, assim, os valores vão sendo trabalhados e vivenciados. Os tutores delineiam nos educandos a ideia de que escutar uma opinião diferente da sua, saber lidar com ela e agir afetivamente mesmo quando se é contrariado é tão importante quanto aprender a fazer uma produção textual com clareza e coesão e adequadamente pontuada.
A escola se organiza por núcleos de aprendizagem, que são: iniciação, desenvolvimento e aprofundamento. O critério utilizado para a mudança de núcleo é o nível de autonomia conquistado no processo de aprendizagem, que naturalmente inclui valores e atitudes.
Conheça o Projeto Âncora: Educação – Escolas Inovadoras, acessando: <https://www.youtube.com/watch?v=kE6MlnwML8Y>.


  1. DICAS PARA PRÁTICAS COTIDIANAS VOLTADAS AO DESENVOLVIMENTO DAS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS:

  1. Estabelecimento de combinados para uma melhor convivência;
  2. Abertura para discussão de temas transversais e escuta de diferentes posicionamentos;
  3. Para os educandos com mais idade, é possível analisar diálogos em grupos de discussão usando a internet;
  4. Espaços de diálogos em que o educando expresse seus sentimentos e opiniões sobre determinado problema de ordem comum;
  5. Proposição e realização de trabalhos colaborativos com posterior estabelecimento de feedback;
  6. Criação de espaço de autoavaliação;
  7. Trabalho pedagógico envolvendo projetos com o levantamento de diagnóstico do entorno escolar, posteriormente com intervenção, para que o aluno aprenda na prática enquanto busca resolver problemas reais.

Material complementar:

Especial socioemocionais. <http://porvir.org/especiais/socioemocionais/>.

ABED, Anita Lilian Zuppo. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica. São Paulo: 2014. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15891-habilidades-socioemocionais-produto-1-pdf&category_slug=junho-2014-pdf&Itemid=30192>.

Leading an SEL School: Steps to implement social and emotional learning for all students. Disponível em: <http://www.everactive.org/uploads/files/Documents/CSH/Leading-an-SE-School-EDC1.pdf>.





sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Zumbi e a luta que ainda continua

"Zumbi" (1927), de Antonio Parreiras


Zumbi é considerado a maior expressão da identidade afro-brasileira, tido por muitos como um grande herói nacional, em nada ficando atrás de figuras quase unânimes, como Tiradentes, ou de trajetória, digamos, discutível, como Duque de Caxias. É preciso considerar no entanto que a memória do grande líder negro foi menos historiada que construída, o que daria margem a muitas hipóteses e interpretações, daí o componente muitas vezes lendário ou mítico em torno de sua figura. Isso porque a documentação historiográfica referente a ele, além de esparsa, traz a peculiaridade de ter sido quase toda composta pelo olhar de seus inimigos, isto é, daqueles que se aplicaram na proeza de enfim debelar o resistente quilombo de Palmares.

Uma das questões mais nebulosas envolvem a sua origem, havendo discordância entre os historiadores se teria nascido no quilombo ou só depois teria lá chegado, o que seria determinante para saber se Zumbi nasceu livre ou escravo. Uma das versões da trajetória do líder de Palmares que se tornaram mais populares dá conta de que ele teria sido capturado numa das muitas investidas que bandeirantes costumavam aplicar em quilombos para raptar negros e tornar a vendê-los, atividade que se tornaria muito comum no nordeste brasileiro no século XVII. Teria então ido parar sob cuidados de um padre jesuíta, que o teria alfabetizado, ensinado o catecismo católico e iniciado nos ofícios religiosos, o que teria permitido que Zumbi fosse detentor de cultura incomum até para brancos naquela época.

Essas informações que envolvem a sua origem e formação partiram da obra do pesquisador gaúcho Décio Lopes, que afirmou ter encontrado documentos com esses conteúdos enquanto realizava pesquisas sobre outros assuntos em Portugal. Mas a obra do historiador é marcada por muita desconfiança por parte da comunidade de estudiosos desse período, de modo que, apesar de se popularizar e servir de base até para a composição de obras artísticas e literárias sobre a vida de Zumbi, não passa do conjunto de hipóteses e deduções que marcam esse momento da vida brasileira.

Os estudos sobre o quilombo é que têm levado a muitas deduções a respeito do papel de Zumbi em toda a saga de Palmares. Se de fato ele foi formado por escravos fugidos de fazendas, é muito provável que tenha sido habitado primordialmente por homens, pois as propriedades em geral continham um número muito pequeno de mulheres. Outra informação é que devia haver o amplo predomínio de africanos provenientes de cultura Angola ou bantu, com seus grupos linguísticos variados e os muitos conhecimentos agrícolas, pecuários e até de metalurgia já trazidos do continente de origem. É muito provável também que em Palmares a pouca presença feminina levasse a uma organização social poliândrica, isto é, na qual as mulheres tivessem vários maridos, o que não era incomum em certas regiões da África. Aliás, quanto a essa questão, deve-se levar em conta a presença na população de Palmares de muitos indígenas, como se deduz dos muitos objetos de cerâmica encontrados em escavações arqueológicas posteriormente realizadas na região da serra da Barriga, atividade que em geral ficava a cargo das mulheres. Isso dá margem à possibilidade até de que Zumbi tivesse sangue indígena, como já chegaram a cogitar alguns historiadores.

Uma circunstância histórica permitiu o crescimento demográfico de Palmares. A chegada dos holandeses a Pernambuco em 1630 mobilizou a atenção dos proprietários de terra, que passaram a concentrar esforços em expulsar os indesejados invasores, que vinham resolvidos a lutar pela exploração do rentável negócio da produção açucareira. Só quando se livraram definitivamente das tropas batavas, quase 25 anos depois, é que o controle do quilombo voltou a virar prioridade. Agora, porém, havia crescido muito, aumentado suas atividades exploratórias – o que significa dizer que, de alguma forma, também eram concorrentes dos grandes proprietários – e demandaria muito mais trabalho e energia para ser desalojado. Muitos escravos que haviam sido recrutados por seus senhores para lutar contra os holandeses se fortaleceram com a mudança de status e se aventuraram a viver em Palmares, reforçando o quilombo inclusive do ponto de vista bélico.

A boa notícia para a memória de Zumbi é que os feitos que lhe conferiram a condição de grande herói do povo negro (e até, por que não, de toda a população brasileira, já que o quilombo também registrava diversidade racial) desfrutam de importantes evidências históricas. Trata-se de sua atuação como líder de Palmares depois do acordo assinado por Ganga Zumba com as autoridades de Pernambuco em torno de 1678. O então grande comandante da resistência contra os proprietários de terra concordara com a proposta de desarticular o quilombo em troca da garantia de liberdade para todos os que tivessem nascido em Palmares, que então ganhariam terras, poderiam comercializar livremente e ainda se tornariam súditos da coroa. O problema era com aqueles que haviam fugido para a serra da Barriga em busca de sua liberdade, que teriam que ser restituídos a seus senhores, situação que talvez fosse até a do próprio Zumbi, já que não se tem certeza se sua condição original era a de livre ou de escravo. De qualquer modo, sua opção foi por combater toda forma de opressão patrocinada pelas classes dominantes de então.

Ganga Zumba e os que se beneficiariam do acordo já haviam deixado o quilombo e se instalado nas terras que lhes foram cedidas. Zumbi, que era uma espécie de imediato (algumas narrativas falam de um parentesco entre os dois), resolve então assumir a liderança e, ao lado dos que voltariam à condição de cativos, organiza uma nova resistência. A luta duraria ainda mais de dez anos até que as tropas lideradas por Domingo Jorge Velho, formada por quase dez mil homens segundo alguns documentos, conseguisse debelar definitivamente o quilombo. A captura de Zumbi ocorreria da mesma maneira que a de muitos outros grandes heróis, através de traição. O destino do corpo do líder negro de posse dos vencedores também não fugiria à regra: foi esquartejado e exposto, ato que pretendia apontar não só para a morte física como para o esquecimento histórico, o que obviamente não aconteceria.

A trajetória de Zumbi antecipa, dessa forma, muitos pontos das lutas populares contra os desmandos do sistema de exploração mercantilista que marcou os séculos da colonização brasileira. Da questão racial à da posse da terra, passando pelo direito à liberdade e a busca da igualdade, a posição obstinada do líder de Palmares passaria a ser uma referência, não apenas para as motivações dos afrodescendentes do Brasil na busca por desfazer o abismo causado pelos mais de três séculos de escravidão, como para todos os que se mobilizem em favor de uma sociedade mais justa e com oportunidades iguais para todos, ideal já alcançado no campo dos direitos sociais, mas ainda não definitivamente concretizado no dia a dia dos brasileiros.


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