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Será que a escola vai ser sempre do mesmo jeito?


Na semana anterior, lançamos o primeiro de uma série de textos nos quais serão apresentadas, ao longo das próximas quatro semanas, a base para a compreensão do que é uma Educação 3.0 e as revoluções que estão inseridas nesse contexto, em especial a revolução digital pela qual estamos passando. Essa base para entendimento do tema é composta por três dimensões: Filosófica (introduzida no texto da semana anterior), Teórica e Metodológica.

No texto de hoje, vamos dar sequência à base filosófica já iniciada, por isso a denominamos Base Filosófica 2, tendo como referência as reflexões e conteúdos desenvolvidos pelo pesquisador e autor, doutor em Ciência da Informação, Carlos Nepomuceno, estudioso da Educação 3.0.


A PERGUNTA QUE PERMANECE

Será que a escola vai ser sempre do mesmo jeito?
Para responder a essa pergunta, é preciso ter uma noção clara das bases que sustentam as instituições atuais. O que chamamos de escola tem origem no contexto da escrita impressa, cujo início se deu em 1450, na Inglaterra. Do ponto de vista dos encaminhamentos e da pedagogia, ela se manteve praticamente inalterada até os dias atuais, porém sabemos que essa história está com os dias contados para mudar, pois, toda vez que é inserida uma nova mídia na sociedade, ela muda profundamente (Marshall Mcluhan), e com ela muda também a escola. A nova mídia introduzida há pouco foi a internet, um fato histórico, portanto precisamos pensar como essa mudança influenciará o ambiente educacional, em especial a escola.

Para que você entenda mais um dos aspectos sobre o que a chegada da internet representa para toda a sociedade, acompanhe um breve resumo sobre mídias centralizadoras e descentralizadoras e algumas mudanças que a internet trouxe.

A escrita impressa e todas as demais mídias anteriores à internet formaram o que os estudiosos chamaram de “mídias centralizadoras” – mídias que concentravam as informações: jornal, rádio e televisão aberta. Todos esses meios de comunicação propagam uma mesma informação para vários pontos (um para muitos), e essa mídia centralizada não prima pela interlocução, pelo diálogo.

Já a internet é a legítima representante da mídia descentralizada, pois rompeu o modelo “um para muitos” e abriu um espaço que permitiu a reciprocidade simultânea na comunicação e no compartilhar, em que a máxima é “todos para todos”. Pare e pense: por si só, essa mudança vira tudo de cabeça para baixo, mexe com toda a estrutura.

A revolução digital, a internet, muda completamente as relações na sociedade. Em função de ser uma mídia descentralizadora, a internet já colocou em xeque as relações em geral. É como se vivêssemos num aquário, em que todos veem e são vistos. Tempos de transparência, em que a sujeira não fica mais debaixo do tapete.

Outro exemplo do impacto da internet são as noções de espaço e tempo. Eu me lembro bem de que, antes da grande rede, levávamos muito tempo para saber de algo que ocorreu ou mesmo para fazer uma pesquisa; hoje isso ocorre instantaneamente, inclusive para obter resultados de pesquisas mais complexas. Conseguimos nos comunicar com qualquer um que esteja conectado, falamos com qualquer parte do mundo e temos acesso a todo tipo de cultura possível. Se antes as ideias e a forma de educação passavam pelo papel impresso, hoje, de forma muito acelerada, temos tudo muito próximo por meio do digital, ao alcance de um clique. Portanto, esta era tecnológica demanda um pensar diferente, uma abertura de mente que pode começar com a compreensão de que somos uma TECNOESPÉCIE.

Entender isso nos ajuda, em nível filosófico, a compreender a Educação 3.0. Conforme menciona o doutor Carlos Nepomuceno, afirmar que somos uma TECNOESPÉCIE gera uma resistência inicial, pois aí já começa a quebra de velhos paradigmas. Essa resistência é consequência da crença de que vivemos completamente independentes da tecnologia, mas Nepomuceno prova que isso é um grande equívoco. Há quem diga que não dá importância à tecnologia, que vive uma vida simples, sem necessidades mais elaboradas, e é aí que Nepô convida à seguinte reflexão contextualizada: imagine que você vai passar o fim de semana numa casa de campo. Como você faz para se deslocar de sua casa na zona urbana e ir até o campo? De jipe, carro, ônibus? Esses meios de transporte são tecnologias. E, além do Jipe, você vai usar botas, vai dirigir por uma estrada pavimentada e, chegando ao destino, vai ter uma casa para se abrigar, em cujo interior há luz elétrica ou lampião. Tudo isso é tecnologia. E então, você acha que vive sem tecnologia? Não, não vivemos, portanto, somos, sim, uma TECNOESPÉCIE.

Há mais de 2 milhões de anos fazemos uso de tecnologias. Uma pedra lascada servia como arma para defesa ou como ferramenta para qualquer tipo de corte e era um aparato tecnológico muito potente para a época. Observe que a definição “aparato tecnológico” faz referência à tecnologia, que significa o conjunto dos instrumentos, métodos e técnicas que permitem o aproveitamento prático do conhecimento científico.

Assim, é possível afirmar que o homem não sobrevive sem tecnologia, e se modifica a partir da chegada de novas tecnologias. E, ao se modificar, modifica também a sociedade e a cultura (TECNOCULTURA). Há uma relação dinâmica entre a tecnologia e a cultura, de forma que ambas interagem. A tecnologia, em determinados momentos da história, determina mudanças culturais. Outro exemplo dado por Nepomuceno nos ajuda a compreender como isso tudo influencia a nossa vida culturalmente. Até a invenção do avião, o ser humano não podia voar. Mas a partir disso passam a ocorrer algumas mudanças interessantes, pois é possível agora olhar a terra de cima, ter outra visão desse espaço, e novas criações e inovações surgem. Com a redução do tempo de viagem, ficamos próximos do mundo inteiro e, para detalhar todas as consequências decorrentes desse fato, seria preciso talvez um livro inteiro sobre o tema.

Após essas explicações, eu os convido a voltar à nossa pergunta inicial: será que a escola vai ser sempre do mesmo jeito? A resposta agora nos parece possível, temos clareza de que não será. A escola, que é uma TECNOESCOLA, imersa nas tecnologias, precisa agora ser repensada. Com o advento da internet, dessa potente mudança de mídia, ela precisa rever seu papel e lugar. Não se trata de inserir computadores e softwares, ou de estar conectado, o que precisa ser revisto é o “Modus Pensandi” (a forma de pensar). Se estamos pautados e baseados nos paradigmas da cultura e da educação focada na escrita impressa, logo nosso “Modus Operandi” (forma de agir) estará também lá.

Portanto, creia, somos uma TECNOESPÉCIE que se modifica quando surgem novas tecnologias, pois elas também transformam a sociedade e a cultura. Diante de uma mudança de mídia, como, por exemplo, a INTERNET, entramos numa nova etapa civilizacional, e nesse contexto a educação, a escola, os professores e os alunos assumem novos papéis.

Na próxima semana, vamos aprofundar as fundamentações teóricas que fazem par com os aspectos filosóficos já apresentados. Vamos entender o que são as revoluções civilizacionais que ocorrem a partir das mudanças de mídias. Até lá!

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