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Educação 3.0 – Ainda sobre a base teórica com uma pitada de metodologia


No texto anterior, compreendemos que a Educação 2.0 não dá mais conta de atender ao desenvolvimento de um ser humano para viver a realidade da Civilização 3.0. E essa realidade fica clara quando entendemos que a Educação 2.0, de forma geral, servia a um modelo de sociedade marcada pela Revolução Industrial, marcada também por uma comunicação e mídias centralizadoras que concentravam a informação, gerando um tipo de monólogo (um para muitos) sem estímulo para a interlocução e o diálogo, além de ser conservadora quanto aos métodos e encaminhamentos educacionais.

É curioso observar que, no modelo 2.0 de civilização, todas as áreas estão estruturadas com foco para manter a ordem instituída de forma unilateral. Observe no quadro comparativo a seguir alguns aspectos comuns entre a escola e as empresas em que essa relação de controle e de centralização fica clara:




Esse modelo 2.0 está declinando e com os dias de vida contados. Felizmente, em algumas escolas já morreu. A Educação 3.0 já está sendo vivenciada e tem na comunicação descentralizada uma de suas principais características. Nesta era de revolução digital, a INTERNET abriu um espaço que permite a reciprocidade simultânea na comunicação e no compartilhar, e a máxima agora é “todos para todos”. Essa revolução muda completamente as relações na sociedade, bem como a forma de administrar e de educar.

Veja a seguir algumas mudanças trazidas pela Educação 3.0:

Aprender de forma colaborativa
O admirável educador Paulo Freire já dizia: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. Mais do que nunca, essa é uma realidade na Era 3.0, em que o aprendizado se dá de forma colaborativa e personalizada, por meio de vias e métodos formais e informais. Conforme outra frase de Paulo Freire que merece destaque, é fato que: "Ninguém ignora tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre".

Uso das tecnologias digitais
A colaboração e a personalização são possíveis graças às novas tecnologias digitais, que disponibilizam aproximação de longas distâncias por meio das plataformas adaptativas, dos ambientes virtuais de aprendizagem, dentre uma gama de possibilidades existentes que estão disponíveis 24 horas, 7 dias na semana, atendendo a cada aprendente conforme o próprio ritmo e a necessidade.
Vale lembrar que nesses ambientes a linguagem cada vez mais utilizada é a dos CLIQUES.


O professor-curador
Segundo o sábio filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, o curador é aquele que cuida, defende, protege, mas que também, e principalmente, partilha, que coloca à disposição o que não é malévolo ou insidioso. O curador, nesse sentido, busca o bem, o desenvolvimento saudável de quem aprende.

Para ser um professor-curador nesta nova era, é preciso reconhecer que as aprendizagens ocorrem de formas variadas, e por isso mesmo existem diferentes caminhos ou rotas para a resolução de um problema. Descobrir as diferentes possibilidades para orientar o aluno é um de seus principais papéis no novo contexto. Muitas vezes, a sua função será também estabelecer critérios para selecionar dentro da “Infomaré” (mar de informações da internet) o que há de construtivo e próprio para a solução almejada.

Alguém uma vez disse que: “Quem navega sem bússola nesse infomar corre o risco de naufragar”. Para quem sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve, mas para quem não sabe, é preciso avaliar os melhores caminhos, firmando justificativas sobre as escolhas.

Atenção, professores, essa curadoria será cada vez mais virtual, por isso o caminho a ser percorrido é o da prática da curadoria, tendo como base as novas tecnologias da Civilização 3.0, que é virtual/digital.

O aluno-curador
O professor-curador age e reage de forma que o aluno se torna também um curador, aquele que aprende, que também desenvolve critérios para selecionar eficazmente as informações, e, conforme aumenta o grau de autonomia, ele não só seleciona as informações como as interpreta, as conecta de forma a gerar soluções aos desafios propostos.

Aprendizagem centrada em desafios e problemas
Na Era 2.0 vigorava a palavra oral e escrita, e o ensino ocorria tendo como foco um assunto, também denominado “conteúdo”. Na Educação 3.0, há uma mudança de ordem metodológica, e agora o foco sai do assunto pelo assunto e concentra-se na resolução de determinado problema. E a partir dessa problematização descobrem-se diferentes rotas para solucionar o desafio apresentado. Detalhe: o desafio é real, é uma situação que necessita de solução real por um determinado motivo concreto.

E, por falar em problema, surge o seguinte: COMO MIGRAR DA EDUCAÇÃO 2.0 PARA A 3.0?

Qual metodologia pode ser usada?
Nepomuceno enfatiza que não se deve tentar inserir uma escola nova dentro do atual modelo de escola. O caminho proposto por ele é criar laboratórios fora do ambiente escolar, dentro de uma cultura diferente. Para que isso ocorra, é preciso “ASSUMIR ESTRATEGICAMENTE QUE UM CONJUNTO DE PROBLEMAS ATUAIS NÃO SE RESOLVE MAIS COM OS ATUAIS MODELOS DE EDUCAÇÃO”.

O pesquisador e estudioso também alerta que a experiência, o laboratório criado, não deve ser massivo, com grandes quantidades de pessoas. Deve começar pequeno e ir crescendo paulatinamente, assim como aconteceu com a experiência inovadora das urnas eletrônicas, por exemplo. Começou em Curitiba, depois foram disponibilizadas em mais quatro outras cidades, depois para mais outras dez, e assim por diante, até que toda a população brasileira fez uso dessa importante inovação.

E por que começar pequeno? A ideia é poder tomar contato com as novas experiências e ao mesmo tempo ir criando um aculturamento para, posteriormente, quando estiver bem solidificado, esse modelo poder crescer em número de participantes para ser possível chegar ao atendimento de milhões e bilhões no mundo, afinal essa é a nossa realidade.

Pense a respeito do que aqui apresentamos e aguarde o próximo texto, no qual vamos dar continuidade à apresentação da metodologia para a inovação proposta pela Educação 3.0. Até lá!


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