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Tsundoku: Japonês cria expressão única para síndrome consumista de comprar livros que nunca são lidos


Assim como se criou toda uma mitologia em que a palavra saudade só existe na língua portuguesa, há um outro vocábulo que também surge agora como único na linguagem mundial. Tsundoku: o nome que os japoneses dão ao fato de se comprar livros e não lê-los. Trata-se do enredo oposto ao do best-seller “A menina que roubava livros”, do australiano Markus Zusak.

Mas o que leva a esse comportamento? Compulsão? 
Sentida em várias partes do mundo, mas por que só os japoneses definiram?

E vou além: a definição original só se aplica a livros físicos e suas empoeiradas pilhas, que vão se amontoando à espera de leitura, ou às estantes abarrotadas pelas obras aguardando por atenção. Tiro por mim, o Tsundoku já pode ser perfeitamente usado no mundo virtual. Tenho no tablet uma série de downloads nunca explorados ou sites e conteúdos salvos que provavelmente não serão lidos.

Há uma série de fatores que podem justificar esse fenômeno: a escassez de tempo cada vez mais sentida. Não podemos desprezar a concorrência desleal com as comunicações urgentes em nosso cotidiano, como: whatsapp, e-mails e mídias sociais. Difícil disputar com os conteúdos imediatistas como: a venda do Neymar, o novo clip do Justin Bieber ou a pegadinha do momento… Isso sem menosprezar o velho aliado do consumismo, a publicidade, que cria em nós uma necessidade de comprar maior do que a capacidade de consumir. Hoje isso ainda vem potencializado pelo filho mais velho, o marketing, e o caçula marketing digital (Sei que muitos colegas vão querer me matar por esse resumo simplista… mas o assunto agora é outro. rsrs).

Para a urgência do capitalismo editorial pouco importa o destino que terão as obras nas mãos de seus consumidores, daí a ausência ou pouca divulgação de pesquisas qualitativas sobre a assimilação deste conteúdo editorial. Nada contra a quantidade de vendas, geram divisas, empregos para toda uma cadeia editorial. Maravilha!


Reforço dos propósitos dos Papeis do autor e dos professores no mercado literário

Porém, isso não impede de pensarmos na relevância que pode ganhar outro significado para os comprometimentos ideológicos dos autores e para os professores, a categoria profissional mais influenciadora neste mercado. Este tema gera uma boa reflexão neste momento em que fazemos o balanço das dificuldades encontradas para a realização da Feira Literária de Paraty – Flip, a desistência da francesa Fnac em atuar no Brasil com sua venda para a Livraria Cultura e as expectativas em torno dos preparativos finais para a XVIII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro.


Crescimento das vendas em contraponto a Crise Econômica:

Se por um lado não faltam notícias pessimistas, surpreendentemente este mercado fechou o primeiro semestre de 2017 com dados positivos, segundo a pesquisa Painel das Vendas de Livros no Brasil. Em termos comparativos, cresceram 5,62% e o faturamento aumentou em 6,81%. O estudo encomendado ao Instituto de Aferição Nielsen, pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), mostra que este foi o melhor resultado dos últimos 2 anos! Mas voltamos ao questionamento anterior. Crescimento de vendas ou de leitura?

Esses números alvissareiros não chegam a acalmar os ânimos diante da crise econômica/política e social do país e com seus agravamentos regionais no estado fluminense. Tanto que essa edição bienal da maior feira literária do país já apresenta números um pouco mais modestos do que o crescimento que vinha sendo superado paulatinamente nas realizações anteriores.

Ou seja, essa conjuntura sepultou o fantasma anterior sobre a perda de leitores para as mídias sociais, ressaltando que, quanto a isso, o pensador Marshall McLuhan já tranquilizava os incautos na década de 70. Ou seja, muito antes da chegada da TV a cabo, do celular e da Internet, ele já sinalizava que uma nova mídia não aniquila as preexistentes. Neste caso, existe apenas uma redefinição desse espaço para poder abrigar também a nova entrante.

Youtubers: novas estrelas do Mercado Editorial

Ou seja, quanto a isso, parece que já está tudo definido, e inclusive o mercado mostra que já aprendeu a usar esse quadro de forma oportunista. Levaram ao pé da letra o ditado: “Se não pode com o inimigo, junte-se a ele”. Tanto que os organizadores, com seus eventos oficiais, assim como as editoras, com suas programações paralelas, estão investindo suas fichas na migração dos prestigiados Youtubers para as páginas impressas, assim como “celebridades” de destaque na mídia.

Esse artifício já foi considerado por muitos como a “tábua de salvação” que fez da edição anterior a recordista em visitantes: 650 mil, 50 mil acima das mais otimistas expectativas.


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